Chuva de meteoros Líridas atinge o pico nesta semana; saiba como ver

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 21 de Abril de 2021 às 21h00
Koen Miskotte

A chuva de meteoros Líridas não é a mais intensa, mas é a primeira oportunidade de prestigiar um evento desse tipo em 2021, já que é a primeira chuva de “estrelas cadentes” do ano. Além disso, seu pico ocorre na madrugada desta quinta-feira (22). Trata-se de uma chuva de média intensidade, mas que, quando atinge seu máximo, pode proporcionar boas taxas de meteoros por hora.

Na verdade, essa chuva já começou mais timidamente no dia 14 e vai até o dia 30, mas, como de costume, os dias mais interessantes para assistir a um belo espetáculo são os que chamamos de “pico”, ou seja, o momento em que mais meteoros surgem no céu. Os picos costumam durar apenas uma madrugada, mas no caso da Líridas vale a pena tentar observar também na noite seguinte. 

(Imagem: Reprodução/NASA/George Varros)

Espera-se que a Líridas produza entre 10 a 15 meteoros por hora, o que será algo muito bem-vindo para os amantes da observação astronômica e astrofotógrafos. Seu radiante, que fica entre as constelações de Hércules e Lira, um pouco acima da grande estrela Vega, aparecerá no horizonte do noroeste por volta das 23h15 do dia 21 (horário de Brasília), mas o melhor momento para observar será durante a madrugada do dia 22, já que a Lua crescente só desaparecerá por volta da 1h24h. A partir daí, o brilho lunar não ofuscará os meteoros.

Infelizmente, os habitantes do hemisfério Norte do planeta serão mais privilegiados que nós, do hemisfério Sul. No Brasil, as regiões Norte e Nordeste terão vantagens em relação ao restante do país. Por lá, pode-se esperar algo próximo da taxa de 15 meteoros por hora, enquanto a região Sul é a menos privilegiada, talvez com menos de 10 meteoros por hora. Ainda assim, vale a pena tentar observar este que é um dos eventos astronômicos mais admirados, sem a necessidade de usar nenhum equipamento especial.

Sobre a chuva de meteoros Líridas

Quando o cometa Thatcher circula o Sol, deixa uma trilha de poeira detritos que entram na atmosfera terrestre (Imagem: Reprodução/Bob King)

Assim como a maioria das chuvas de meteoros, a Líridas é formada por pó e detritos que se desprendem de um cometa quando ele se aproxima do Sol, e tudo isso passa pela órbita da Terra. Nesse caso, o cometa é o Thatcher, que passa por aqui uma vez a cada 415 anos. Quando nosso planeta atravessa o trecho de sua órbita onde o rastro do cometa está espalhado, os fragmentos acabam passando pela nossa atmosfera. Aí, eles se queimam por causa do atrito e aparecem no céu na forma daquilo que chamamos de “estrelas cadentes”.

Os humanos conhecem a Líridas há bastante tempo. Existem registros dessa chuva de meteoros no livro chinês de crônicas Zuo Zhuan, do ano de 687 a.C., e há também um registro de astrônomos chineses de que, no ano 15 a.C., a Líridas foi um evento impressionante. Provavelmente isso se deve ao fato de que a chuva Líridas pode apresentar o que os astrônomos chamam de “outburst”, ou seja, uma hiperatividade momentânea de fluxo de meteoros entrando na atmosfera. Em 1982, por exemplo, os observadores estadunidenses viram um outburst de quase 100 meteoros por hora. Infelizmente, não há previsão de um outburst neste ano, mas esses eventos costumam ser um tanto imprevisíveis.

Outra curiosidade que torna essa chuva interessante é que cerca de um quarto dos seus meteoros deixam trilhas persistentes — ou seja, você verá um risco luminoso no céu durante alguns momentos antes que ele desapareça. Esse fenômeno ocorre quando o meteoro deixa um rastro de gás ionizado em nossa atmosfera.

Como observar a chuva de meteoros Líridas

Posição do radiante da chuva de meteoros Líridas na madrugada do dia 22, às 3h, em São Paulo (Imagem: Canaltech/Stellarium)

Em primeiro lugar, procure o noroeste e tente encontrar a estrela Vega nessa direção, após a meia noite. Recomendamos o aplicativo Star Chart/Carta Celeste, disponível para Android e iOS, ou mesmo o Stellarium para desktop — gratuitos, eles ajudam a encontrar a posição das estrelas no céu em tempo real, de acordo com a sua localização.

A partir daí, tudo o que você precisa fazer é ficar acordado durante a madrugada e sair na varanda, quintal, ou até mesmo se posicionar em uma janela com vista para o noroeste, e então olhar para o céu. Quanto mais escuro estiver o ambiente, melhor, então vale apagar todas as luzes de casa. Ah, apesar de o radiante da chuva ficar na constelação da Lira, você não precisa olhar diretamente para ela. Os meteoros parecem vir da constelação, mas cruzam o céu para todos os lados.

Fonte: Earth & Sky

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