China parece ter recolhido satélite desativado na órbita da Terra
Por Danielle Cassita • Editado por Patricia Gnipper |

Um satélite de navegação chinês, que já não funcionava mais, foi removido pelo Shijian-21 (SJ21), outro satélite da China, que o tirou do caminho de outros satélites em órbitas geoestacionárias. Os detalhes da operação não foram divulgados pelas autoridades chinesas, mas sim por um relatório produzido pela empresa ExoAnalytic Solutions, voltada para o monitoramento espacial. Até então, a capacidade de remover detritos espaciais foi exibida somente pelos Estados Unidos e, até o momento, a China não confirmou as informações.
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A operação foi detalhada em um relatório divulgado em um webinar organizado pelo Center for Strategic and International Studies (CSIS) e Secure World Foundation (SWF). Segundo a ExoAnalytic Solutions, o satélite SJ21 saiu do seu local em órbita durante algumas horas, em janeiro. Só que, antes disso, a nave realizou operações que mostraram alta proximidade com o satélite CompassG2.
Eles se aproximaram cada vez mais, até que o SJ21 se acoplou com o satélite fora de funcionamento. A acoplagem dos dois dispositivos ocorreu durante o dia, em um momento em que os telescópios da empresa não conseguiram coletar imagens — eles só conseguiram observá-los novamente após o SH21 remover o satélite “morto” da órbita geossíncrona.
O vídeo abaixo representa as observações da empresa:
A China Aerospace Science and Technology Corporation (CASC) é a responsável pela operação do Shijian-21, satélite lançado no dia 24 de outubro para testar e verificar tecnologias de mitigação de detritos espaciais. Fora isso, não se sabe muito sobre as funções e capacidades que o objeto possui, mas se sabe que os detritos orbitais são um problema preocupante — ou seja, iniciativas de mitigação são sempre bem-vindas.
Os satélites que ficam em órbitas geoestacionárias (GEO) acompanham a rotação da Terra e, por isso, parecem estar fixos em relação a algum ponto abaixo deles. Então, a GEO é valiosa para serviços de monitoramento do clima, comunicação e vigilância.
Não é de hoje que a China não detalha suas operações espaciais, e neste caso não foi diferente. Mesmo assim, esta não é a primeira vez que o satélite SJ-21 é assunto de notícias: no ano passado, o 18º Esquadrão de Controle Espacial, da Força Espacial dos Estados Unidos, observou o SJ-21 orbitar outro objeto, que pareceu ser um antigo motor utilizado em algum lançamento.
A China não confirmou se, naquela ocasião, o SJ-21 estava de fato acompanhando o objeto, mas já surgiu alguma desconfiança internacional sobre a possibilidade de usarem o satélite para interferir naqueles de outras nações, que estão seguem em operação.
Apesar de o país descrever o Shijian-21 como um “satélite de mitigação de detritos espaciais”, nenhum detalhe sobre o objeto ou seus objetivos foram publicados pela CASC. Assim, o sigilo envolvendo a missão sugere, talvez, o envolvimento de interesses ou objetivos militares.
Fonte: ExoAnalytic Solutions; Via: UniverseToday, SpaceNews