Células-tronco ajudarão a proteger astronautas contra radiação espacial; entenda

Por Daniele Cavalcante | 19 de Março de 2020 às 20h30
SSA

Quando astronautas deixam a proteção do campo magnético da Terra, ficam expostos a níveis altamente elevados de radiação cósmica. Com a aproximação de uma nova era da exploração espacial com tripulações humanas, a Agência Espacial Europeia (ESA) está focada em pesquisas para reduzir esses riscos.

Como parte desses esforços, a agência promoveu no ano passado a primeira “escola de verão” focada em treinar estudantes no assunto e estimular novas ideias para pesquisas sobre os efeitos da radiação espacial em seres humanos. Os jovens pesquisadores receberam uma introdução à física e biologia das radiações e tiveram de pensar em experimentos para executar em vários aceleradores de partículas, em toda a Europa. As melhores propostas ganharam a oportunidade de acionar o acelerador e disparar partículas atômicas em seu experimento.

O primeiro prêmio dessa iniciativa foi para Emiliano Bolesani, da Alemanha, que busca identificar a resposta fisiopatológica (ou seja, alterações anormais) das células cardíacas quando expostas à radiação cósmica. Emiliano propôs usar células-tronco para estimular o crescimento de estruturas de tecido cardíaco, que serão colocadas na extremidade receptora do acelerador de partículas.

Com isso, o pesquisador quer descobrir que tipo de célula é mais suscetível a danos por radiação - cardiomiócitos, células endoteliais, células musculares lisas ou fibroblastos. Além disso, os resultados ajudarão a criar um modelo para prever como essas células vão interagir umas com as outras diante da radiação.

A Terra é protegida da radiação espacial pelo seu campo magnético

De acordo com Emiliano, “essa estratégia pode ser estendida a outros órgãos no futuro e pode ajudar a proteger a saúde dos astronautas enquanto exploram o espaço profundo”. Ele trabalhou com uma equipe para propor uma ideia mais detalhada que consiste em coletar células de astronautas antes e depois de um voo espacial. Tecidos e órgãos cultivados a partir dessas células poderão, assim, ser colocados em um acelerador de partículas para ver como reagem à radiação.

Este estudo pode revelar detalhes fundamentais sobre a resposta individual. “Cada um de nós tem uma suscetibilidade diferente à radiação”, explica Emiliano. “Este é um problema para a terapia com radiação, pois pode influenciar a eficiência dos tratamentos na Terra, além de ter implicações para os astronautas expostos à radiação espacial”.

Outra pergunta que pode ser respondida por esse tipo de estudo é se as células se adaptam durante o voo espacial e se elas se “lembram” depois de voltar à Terra.

A ESA começará a próxima Space Radiation Summer School entre 13 e 29 de setembro de 2020. O curso incluirá palestras e visitas ao centro de operações espaciais da agência, bem como ao acelerador de partículas da Sociedade para Pesquisa sobre Íons Pesados (GSI, na sigla em alemão). No final do curso, os alunos enviam suas propostas de pesquisa e as melhores ideias poderão ser incluídas no programa de pesquisa de radiação da ESA.

Fonte: Space Daily

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