Campo magnético da Terra pode mudar 10x mais rápido do que sabíamos, diz estudo

Por Danielle Cassita | 15 de Julho de 2020 às 23h00
ESA

Campos magnéticos são conhecidos por seu movimento dinâmico que, de tempos em tempos, faz com que o polo norte e o polo sul invertam suas posições. Isso aconteceu na Terra pela última vez há quase um milhão de anos e, até então, acreditava-se que essa mudança demorava milhares de anos para acontecer. Agora, pesquisadores suspeitam que as grandes mudanças na direção do campo magnético podem acontecer, na verdade, 10 vezes mais rápido do que era esperado.

Christopher Davies, professor associado na Universidade de Leeds e líder do estudo, aponta a complexidade de interações entre o núcleo do planeta e o campo magnético, que ocorrem devido ao movimento do magma. Esse movimento gera cargas elétricas, que definem a posição dos polos magnéticos e as linhas dos campos.

(Imagem: DESY)

A complexidade não acaba aí. As interações entre o núcleo e o campo magnético são bastante variadas: enquanto existem pontos com maior força magnética, há outros que têm essa força reduzida. Aliás, algumas observações recentes mostraram que a força do campo magnético da Terra sofreu diminuição nos últimos 160 anos. Isso pode indicar que a Terra está a caminho de sofrer mais mudanças no campo magnético.

De acordo com Davies, essas diferenças variam de acordo com o tempo e com os locais tanto no núcleo quanto na superfície da Terra. Como algumas delas são visíveis para os pesquisadores, o grande desafio é encontrá-las no passado. Para encarar esse desafio, Davies e a professora Catherine Constable tiveram um grande auxílio da tecnologia: eles trabalharam com um novo modelo de campo magnético, que conta com dados obtidos em observações de campos magnéticos dos últimos 100.000 anos. Depois, utilizaram uma combinação dos resultados com simulações da geração desses campos.

(Imagem: Los Alamos National Laboratory)

Eles descobriram que os campos magnéticos mudam a direção em aproximadamente 10 graus por ano em algumas áreas. Na prática, isso significa uma velocidade mais ou menos 10 vezes maior do que modelos anteriores indicavam e 100 vezes mais rápido do que as mudanças registradas nas observações modernas. Os pesquisadores observaram que, quando as regiões do núcleo da Terra invertem a direção de seus movimentos, a direção do campo magnético também muda. Assim, notam que, como há mais mudanças em latitudes mais baixas, vale a pena observá-las com mais cuidado em estudos futuros.

Fonte: Live Science

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