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Buraco negro M87* libera jatos 10 vezes maiores que a Via Láctea

Por| Editado por Patricia Gnipper | 22 de Novembro de 2023 às 12h43

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EHT Collaboration
EHT Collaboration

O buraco negro M87*, o primeiro já fotografado pela humanidade, está perdendo velocidade de rotação. O culpado? Seu campo magnético, tão forte que está fazendo com o que buraco negro desacelere e, assim, emita jatos poderosos e longos. A descoberta foi feita por cientistas liderados por Andrew Chael, astrônomo da Universidade de Princeton.

Estes objetos nascem do colapso das estrelas massivas, e são conhecidos por terem gravidade tão forte que nada, nem mesmo a luz, pode escapar deles. O M87*, por exemplo, é o buraco negro no coração da galáxia M87, localizada a 55 milhões de anos-luz da Terra.

No início do ano, pesquisadores analisaram a foto de M87*, feita em 2021 pelo telescópio Event Horizon (ou apenas EHT). As imagens revelaram que o campo magnético dele é tão intenso que, às vezes, atrapalha suas refeições de matéria.

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Agora, a equipe trabalhou com uma nova análise da imagem obtida em 2021, e descobriram que o campo magnético também está desacelerando o M87*. Para entender o efeito, imagine um pião, que vai perdendo velocidade conforme gira.

Segundo a equipe, o processo causa liberação de energia por meio de jatos relativísticos, que chegam a distâncias 10 vezes maiores que o tamanho da Via Láctea. “Se você pegar a Terra, transformá-la em TNT e explodi-la mil vezes por segundo por milhões e milhões de anos, é esta a quantidade de energia que estamos tirando de M87*”, observou o coautor George Wong.

A perda de energia dos buracos negros é prevista pela Teoria da Relatividade Geral, de Albert Einstein. Os cientistas já sabiam que a perda poderia ser causada pelos campos magnéticos do objeto, mas ainda não estava claro como isso poderia acontecer.

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Agora, o novo estudo sugere que a energia acompanha a direção do campo magnético do buraco negro, e pode também alimentar os jatos liberados por ele. Mas, para chegar a alguma resposta definitiva sobre este processo e como ele acontece, mais observações são necessárias.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista The Astrophysical Journal.

Fonte: The Astrophysical Journal; Via: Institute for Advanced Study, Space.com