Atrasos e acidentes fazem NASA pedir mais voos russos para a ISS em 2020

Por Patrícia Gnipper | 02 de Outubro de 2019 às 15h07
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O Commercial Crew Program, da NASA, vem contando com a SpaceX e a Boeing para que os Estados Unidos não dependam mais dos russos no que diz respeito ao envio de astronautas americanos para a Estação Espacial Internacional (ISS). Essa parceria com a Roscosmos e suas naves Soyuz vem acontecendo desde 2011, quando o programa dos ônibus espaciais foi encerrado, e os planos eram de que, em 2020, os EUA voltassem a lançar seus astronautas a partir de solo estadunidense com foguetes e naves igualmente estadunidenses. Eram, pois atrasos de cronograma e até mesmo acidentes vêm atrapalhando o programa — e, agora, a NASA está conversando com a Roscosmos para comprar mais voos russos no ano que vem.

Maxim Kharlamov, primeiro vice-chefe do centro de treinamento de cosmonautas em Moscou, confirmou a informação, dizendo que a conversa está rolando mesmo para que a NASA compre um espaço adicional na Soyuz. E Jim Bridenstine, administrador da NASA, disse à CNN que, devido aos constantes atrasos com os primeiros lançamentos das naves Crew Dragon (da SpaceX) e Starliner (da Boeing), a NASA provavelmente comprará mesmo esse espaço adicional. Do contrário, é possível que a ISS fique sem nenhum astronauta do país por um tempo.

O último voo que a NASA havia contratado com a Roscosmos é o que vai acontecer no dia 20 de março de 2020, garantindo que pelo menos um astronauta dos EUA esteja na ISS até o terceiro trimestre. Agora, é possível que pelo menos mais um lançamento seja contratado para o final do ano, garantindo a permanência estadunidense na estação orbital até que Boeing e SpaceX enfim liberem suas naves para voar com segurança.

Mais de dois anos de atraso

Conceitos das naves Crew Dragon e Starliner ao lado da ISS (Imagem: NASA)

Mais de US$ 20 bilhões já foram investidos no desenvolvimento das novas naves que levarão astronautas dos EUA ao espaço no futuro próximo, incluindo as Crew Dragon e Starliner, e a Orion, da própria NASA. As empresas privadas em questão já estão mais de dois anos atrasadas no cronograma, e isso se justifica, em partes, com falhas durante testes e até mesmo acidentes graves — a nave da SpaceX explodiu em abril durante testes com seus motores.

Vale ressaltar, no entanto, que a nave Orion e o foguete Space Launch System (SLS), da NASA, também estão atrasados em anos, em comparação com os planos originais. O governo dos EUA acelerou a agência espacial no ano passado para que o retorno da humanidade à Lua acontecesse em 2024, e não em 2028 como a agência planejava.

Mas, antes de chegar a este retorno lunar, é preciso resolver a questão do transporte para a ISS. Os russos atualmente cobram mais de US$ 70 milhões por assento. Mas eliminar essa dependência com a Roscosmos representa não somente uma economia de dinheiro, como também um alívio para os EUA, tanto no âmbito político quanto no cenário da exploração espacial. Afinal, os norte-americanos têm um histórico de rivalidade com os russos, coisa que data da época da Corrida Espacial na Guerra Fria, envolvendo a então União Soviética. E, ainda que hoje em dia as duas nações sejam parceiras neste sentido, os EUA já deixaram claro que este relacionamento não tem mais futuro.

Fonte: Space Daily (1) e (2)

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