Astrônomos flagram colisão violenta "ao vivo" entre dois planetas
Por Danielle Cassita |

Astrônomos perceberam que Gaia20ehk, uma estrela aparentemente tranquila, começou a se comportar de forma estranha, e ficaram intrigados. Após investigar mais a fundo o que poderia ter causado o movimento, tiveram uma surpresa: eles encontraram evidências de uma colisão para lá de violenta ocorrida entre dois planetas em um sistema estelar distante — e que pode ter sido como aquela que formou a Lua.
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Localizada a cerca de 11 mil anos-luz, a estrela Gaia20ehk é parecida com o Sol e tem emissão luminosa estável e bem conhecida pelos astrônomos, mas isso mudou em 2016. Naquele ano, Anastasios Tzanidakis, líder da equipe do novo estudo, notou quedas no brilho do astro; em 2021, o fenômeno aconteceu de novo. “Não consigo enfatizar o suficiente que estrelas como nosso Sol não fazem isso”, comentou.
A alteração chamou a atenção de Tzanidakis e seus colegas, que analisaram a estrela e descobriram que as diminuições no brilho não eram dela, mas sim dos fragmentos e pedaços de poeira que restaram dos dois planetas que orbitavam Gaia20ehk. “É incrível que vários telescópios tenham captado esse impacto em tempo real”, acrescentou.
Colisão dos planetas
Os planetas nascem das colisões e fusões dos planetesimais, nome dado aos grandes pedaços de material encontrados ao redor de estrelas jovens. Esses impactos são comuns quando os sistemas planetários são jovens, mas a tendência é que se estabilizem ao longo do tempo — por isso, observar o fenômeno em um sistema distante não é nada fácil. Os pesquisadores sabiam disso, tanto que não desconfiaram que as diferenças de brilho que viram eram resultado de um impacto do tipo.
Além disso, os resultados são importantes porque indicam que a colisão foi parecida com aquela que aconteceu há 4,5 bilhões de anos, quando um corpo planetário atingiu a Terra e os fragmentos liberaram deram origem à nossa Lua. Em outras palavras, há a possibilidade de que, quando a matéria ao redor de Gaia20ehk esfriar, dê origem a uma “exolua” e a um sistema de planeta-lua, como o nosso.
“Quão raro é o evento que criou a Terra e a Lua? Essa pergunta é fundamental para a astrobiologia”, disse Davenport. “Parece que a Lua é um dos ingredientes mágicos que tornam a Terra um bom lugar para a vida. Ela pode ajudar a proteger a Terra de alguns asteroides, produz as marés oceânicas e o clima que permitem que a química e a biologia se misturem globalmente, e pode até mesmo desempenhar um papel na condução da atividade das placas tectônicas”, acrescentou. “No momento, não sabemos quão comuns são essas dinâmicas. Mas se observarmos mais dessas colisões, começaremos a descobrir.”
O artigo com os resultados foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.