As órbitas dos planetas no Sistema Solar devem mudar, mas não tão cedo

As órbitas dos planetas no Sistema Solar devem mudar, mas não tão cedo

Por Daniele Cavalcante | Editado por Rafael Rigues | 04 de Julho de 2022 às 17h30
Daniel Roberts/Pixabay

As órbitas dos planetas em um sistema estelar podem ser instáveis: corpos celestes podem sair de suas trajetórias ou até mesmo ser “chutados” para o espaço interestelar. Mas um novo estudo de Angel Zhivkov e Ivaylo Tounchev, do Departamento de Matemática e Informática da Universidade de Sofia, na Bulgária, aponta que o Sistema Solar permanecerá estável por um longo tempo.

Modelos teóricos indicam que os primórdios do Sistema Solar foram bastante turbulentos, com impactos entre milhares de corpos, como asteroides e protoplanetas. A própria Terra, por exemplo, teria colidido com um protoplaneta chamado Theia — um impacto que acabou dando origem à Lua.

Colisões entre protoplanetas ocorreram na infância do Sistema Solar (Imagem: Reprodução/JPL-Caltech/NASA)

Além disso, planetas como Júpiter e Netuno teriam se formado bem mais perto do Sol e migrado para as órbitas mais distantes, empurrando asteroides do Cinturão de Kuiper, espalhando-os para diferentes direções e causando colisões. No entanto, eventualmente os objetos se organizam órbitas estáveis e o sistema se torna muito mais previsível.

Para algo mover um planeta inteiro, seria necessária uma força significativa, ou uma força mais “discreta” atuando por muito, muito tempo. Mesmo em um sistema "maduro" é possível que órbitas sejam alteradas e os planetas saiam de seus lugares, mas isso não ocorrerá tão cedo. Os cálculos computacionais feitos por Zhivkov e Tounchev determinaram que os planetas provavelmente permanecerão estáveis por 100 mil anos: tanto suas excentricidades (órbitas em formato elíptico) quanto suas inclinações (quão acima ou abaixo do plano do Sistema Solar estão) permanecerão iguais neste período.

Esse prazo não significa necessariamente que as coisas mudarão após 100 mil anos. Na verdade, o limite está mais relacionado às limitações das capacidades de cálculo: quanto mais se avança no tempo, mais difíceis se tornam as previsões. Por exemplo, as simulações não consideram os milhares de asteroides e cometas no sistema solar. São corpos pequenos que não possuem massa o suficiente para mover planetas, mas ao longo do tempo podem atuar mais ou menos como um único corpo, e alterar um pouco a organização do Sistema Solar.

Existem milhares de asteroides e cometas no Sistema Solar, principalmente no Cinturão de Kuiper, após a órbita de Plutão (Imagem: Reprodução/NASA)

Apesar dessas limitações, Zhivkov e Tounchev afirmam que “com simples raciocínios e avaliações adicionais… o teorema pode ser provado por um milhão de anos”. Então, é provável que as coisas ficarão bem estáveis durante esse período. Mas eles vão além, e dizem que bastaria mais algum poder computacional e “a estabilidade do Sistema Solar poderia ser comprovada pelos próximos cinco bilhões de anos”.

O artigo está disponível no arXiv e espera por revisão de pares.

Fonte: arXiv.org; via: Universe Today

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