Apesar de diferentes, asteroides Ryugu e Bennu podem ter o mesmo "pai"; entenda!

Por Daniele Cavalcante | 28 de Maio de 2020 às 18h10
JAXA

Alguns pesquisadores estão tentando determinar a origem dos asteroides Bennu e Ryugu, ambos atualmente visitados por sondas espaciais - a OSIRIS-REx (da NASA) e a Hayabusa2 (da japonesa JAXA), respectivamente. Enquanto essas naves estão recolhendo amostras da superfície dessas rochas, cientistas buscam respostas sobre a formação de cada uma delas.

Uma equipe de pesquisa internacional liderada por Patrick Michel, pesquisador no Laboratoire Lagrange, e Ronald-Louis Ballouz, da Universidade do Arizona, propõe em um artigo publicado na Nature Communications uma origem em comum para ambos os asteroides.

Os pesquisadores da missão OSIRIS-REx já haviam percebido que o asteroide Bennu parece ser formado por um aglomerado de rochas. Da mesma forma, a equipe da Hayabusa2 notou que Ryugu é um amontoado de “entulho” rochoso. Mas a nova pesquisa mostra que os dois podem ter se formado a partir do rompimento do mesmo asteroide “pai”.

Diversas simulações de grandes rompimentos de asteroides, como os que ocorrem no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter, mostram que durante esses eventos são ejetados fragmentos que voltam a se aglomerar. Esses grupos acabam adquirindo o formato de pião - exatamente como Ryugu e Bennu.

Comparação entre os asteroides Ryugu e Bennu, ambos com o mesmo formato de "pião" (Imagem: University of Arizona)

As simulações também mostram que os dois asteroides analisados na pesquisa podem ter se formado a partir do rompimento do mesmo asteroide, embora seus níveis de hidratação sejam diferentes. Por exemplo, a JAXA descobriu que os escombros que formam Ryugu são uniformes e contêm menos água do que o previsto, em vez de encontrar uma massa úmida de rochas de formatos diferentes, como se imaginava anteriormente. Isso é um bom indício de que ele se formou a partir dos destroços de um único objeto.

Agora falta saber se Bennu também é de fato formado por pedaços do mesmo asteroide. Se este for o caso, os dois objetos seriam “irmãos”. A má notícia é que, para ter certeza disso, será necessário analisar amostras tanto do Ryugu quanto do Bennu, medindo com precisão suas composições, determinando suas idades e, por fim, comparando os resultados. A boa notícia é que as amostras de ambos chegarão à Terra em breve - a Hayabusa2 está prevista para voltar em dezembro deste ano, enquanto a OSIRIS-REx retornará em 2023.

Fonte: Phys.org

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