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Prévia A Casa do Dragão | Série acerta em cheio no que há de melhor na saga

Por| Editado por Jones Oliveira | 19 de Agosto de 2022 às 04h10

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HBO Max
HBO Max

Game of Thrones é um caso a ser estudado não só pelo fenômeno que a série se tornou, mas por ser uma daquelas histórias em que um péssimo final manchou todo o bom trabalho que foi feito até então. Por isso mesmo, A Casa do Dragão chega ao HBO Max como um teste de fogo para a saga, precisando provar que a guerra dos tronos ainda tem muito a nos oferecer. E, por sorte, esse retorno ao passado de Westeros acerta em cheio naquilo que fazia a história original ser tão boa.

Esqueça toda a pataquada sobre romances sem química, profecias cumpridas pela metade e reviravoltas vindas do mais absoluto nada. A nova adaptação do universo de As Crônicas de Gelo e Fogo se concentra naquilo que fez a gente ficar vidrado por tanto tempo nessa novela medieval da HBO: o jogo de poder, as intrigas palacianas, os personagens carismáticos e a iminente sensação de que algo vai dar errado muito em breve estão de volta.

Tudo isso dá o tom nos seis primeiros episódios da temporada disponibilizados pela HBO. E não há como não ficar empolgado ao ver que, mais do que a icônica música de abertura — que foi encurtada, é verdade —, a essência de Game of Thrones segue tão firme e presente quanto o Trono de Ferro.

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Sem soar repetitivo

Depois daquele final deplorável de Game of Thrones, é compreensível todo o receio em torno de A Casa do Dragão. No entanto, tal qual os Targaryens que protagonizam a nova história, a verdadeira glória desse universo está em seu passado.

Ao trazer eventos que antecedem séculos ao seriado original, a nova produção deixa de lado toda a pressão dos fãs e suas teorias e pode se focar em desenvolver uma história que tem começo, meio e fim da melhor forma possível. E isso é algo que evidente já nos primeiros episódios.

O grande destaque, nesse sentido, é a ótima construção de personagens e a velha guerra por poder dentro do reino. Embora os Targaryen ainda reinassem no auge de sua dinastia e de seus dragões, toda a movimentação de outras famílias e até mesmo entre primos e irmãos é a grande força que faz o roteiro girar e trazer grandes surpresas.

Apesar de manter esse mesmo espírito, o grande mérito de A Casa do Dragão é não tentar emular Game of Thrones. Tanto que quase não existem paralelos entre uma história e outra e o que vemos aqui é essa disputa por influência que é perene, mas com outros nomes e agindo de formas bem diferentes do que os Lannisters, Starks e Baratheon já nos mostraram.

Nesse sentido, não há como não se encantar com os novos personagens — para o bem e para o mal. Rhaenyra Targaryen (Milly Alcock) é muito mais do que uma nova Daenerys, até porque a sua origem e a sua motivação vão por caminhos bem diferentes do que a velha Khaleesi.

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Ela é uma princesa que nasceu em meio aos privilégios reais envolvendo sua família e que, um dia, se torna herdeira ao Trono de Ferro. Essa é uma responsabilidade que mexe com toda sua vida e escolhas ao mesmo tempo em que coloca um alvo em suas costas. E embora a trama evolua para ela ter que defender o seu direito, a primeira metade da temporada serve principalmente para construir uma protagonista de personalidade forte, mas que precisa se curvar às obrigações de seu posto.

Ao mesmo tempo, temos a figura de Daemon Targaryen (Matt Smith), que se opõe a tudo isso que a princesa encara. Embora seja irmão do rei e membro da linha de sucessão, ele é aquela figura que não se apega aos protocolos e faz o que bem entender. É o típico personagem hedonista típico desse universo que surge quase como um vilão para, em pouco tempo, ser um dos preferidos do público. E ele é tão errático que é quase impossível prever o que ele vai fazer em seguida.

E a dinâmica entre esses dois personagens é o que move toda a trama dessa primeira temporada, pois eles tanto sintetizam essa dualidade do que é o poder em Westeros — o peso da responsabilidade versus a sensação de estar acima dos demais e fazer o que quiser — como são peças importantes dentro desse enorme xadrez.

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Além disso, a própria atuação da dupla é incrível. Alcock tem uma presença em cena impressionante, mesmo com sua cara de criança. Seja com ela montando em um dragão e evitando que duas tropas realizem um banho de sangue ou nos jogos de influência dentro do palácio em Porto Real, ela incorpora muito bem a altivez e a força dos Targaryen sem muito esforço.

Ao mesmo tempo, Matt Smith deixa bem claro por que ele é um ator que vem ganhando mais holofotes ao longo dos últimos anos e em nada lembra o fiasco que foi Morbius. Há uma certa malícia não só em suas ações, mas na sua fala e até nos seus olhares que causa desconforto e deixa claro o quão dúbio é esse personagem.

Uma nova guerra dos tronos

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Só que esses novos personagens em nada funcionariam sem um roteiro que soubesse aproveitar aquilo que As Crônicas de Gelo e Fogo sempre apresentou tão bem: o jogo político. Embora A Casa do Dragão chame a atenção logo de início por finalmente ter muitos dragões voando pelos céus de Westeros, eles são apenas um detalhe — ao menos nesse momento da história. O grande foco mesmo está nas movimentações dentro do tabuleiro.

Sem entrar em detalhes das reviravoltas dessa disputa de poder, toda a tensão da série está na linha de sucessão dos Targaryen. Sem ter um filho homem, o rei Viserys (Paddy Considine) contraria a tradição e nomeia Rhaenyra como sua herdeira, deixando Daemon de lado. Para piorar, ele se casa mais uma vez e o tal filho homem nasce, colocando mais um pretendente ao Trono de Ferro na jogada.

Assim, o que vemos nessa primeira temporada são as movimentações de bastidores de cada um desses grupos e das famílias que orbitam os Targaryen para atender seus interesses e chegar o mais alto possível na hierarquia de Westeros. E isso é muito bem feito, explorando todas as intrigas palacianas, as ações discretas feitas por um ou outro personagem e os sussurros que esse ou aquele conselheiro faz no ouvido do rei.

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Esse sempre foi o ponto forte de Game of Thrones e que se repete em grande estilo por aqui. E é muito bom ver que a série se mantém centrada nesse elemento tão mundano, sem se deixar levar pelo entusiasmo de ficar mostrando dragões o tempo todo ou de forçar vínculos desnecessários com a série original. Em outras palavras, não espere nada sobre Caminhantes Brancos ou grandes profecias. Apesar de tudo, ainda é uma trama bem mundana.

Nesse sentido, A Casa do Dragão explora muito bem esse elenco secundário que margeia a família real. O Mão do Rei Otto Hightower (Rhys Ifans) incorpora bem essa figura do lorde discreto que se apresenta como alguém de confiança, mas faz movimentos bastante incisivos para manipular o rei segundo a sua vontade. Ao mesmo tempo, temos Corlys Velaryon (Steve Toussaint) apresentando uma nova linhagem de descendentes da antiga Valíria e que é tão poderosa quanto os senhores dos dragões.

Isso tudo serve para introduzir famílias e grupos que nunca apareceram ou eram irrelevantes no contexto de Game of Thrones. Nessa nova história, os Starks, Lannisters, Baratheons e boa parte das famílias que movimentaram a guerra dos tronos são pouco mais do que coadjuvantes, quando muito, o que traz um ar de frescor ao roteiro.

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É muito bom ver que não há uma tentativa constante de se apegar e remeter àquilo que a gente já conhece de Westeros e ver esses novos rostos e seus novos nomes é uma forma muito interessante de ampliar esse universo tão amplo.

De volta a Westeros

Ao mesmo tempo, não há como negar que revisitar esse mundo traz uma boa dose de nostalgia. A começar pelo fato de que a HBO não abriu mão da clássica música de abertura, que é algo que vai conquistar os fãs já nos primeiros acordes. E por mais que a série nem tenha uma abertura propriamente dita, a canção está lá e vai ficar na sua cabeça da mesma forma.

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No entanto, o verdadeiro abraço de boas-vindas está mesmo no próprio mundo de Westeros, que mistura saudosismo com uma boa dose de novidade.

Por um lado, é muito bom rever paisagens como Porto Real e Pedra do Dragão, que são lugares fundamentais na história que a gente já conhece. Só que, ao mesmo tempo, estamos falando de uma época em que os Sete Reinos estavam em seu auge, então todo o aspecto desses lugares está bem diferente daquele que a gente viu antes.

E A Casa do Dragão se aproveita desse aspecto rejuvenescido do cenário para mostrar muito mais dos cenários. A câmera passeia muito mais aberta pelas cidades para evidenciar o esplendor desses anos dourados da dinastia Targaryen, o que deixa o seriado muito bonito e com uma cara bem diferente da série original.

Vale a pena ver A Casa do Dragão?

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Sem qualquer sombra de dúvida: Game of Thrones voltou. Seja para quem estava com saudades desse universo, para quem estava com medo da nova adaptação ou mesmo para quem apenas procura uma nova série de fantasia, A Casa do Dragão acerta em cheio ao resgatar aquilo que fez a série original ser um sucesso, mas sem cair na armadilha de emular a história que a gente já conhece.

Embora seja muito familiar em certos aspectos, a nova trama traz um frescor que é ótimo. O grande mérito da produção é lembrar que, mais do que dragões, gente pelada e reviravoltas impressionantes, o grande sucesso de toda essa saga sempre foi a força de seus personagens e o ótimo roteiro — e essa é uma combinação que está bem presente por aqui.

O fato de termos uma trama já estabelecida como material-base dá à produção uma confiança maior de trabalhar seus pontos fortes e a gente vê bem isso em ação. O grande destaque, nesse sentido, é justamente a dupla de protagonistas que em nada lembram os heróis da série anterior e que têm tudo para conquistar o público.

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Rhaenyra e Daemon são interessantes e complexos, como a gente espera ver em protagonistas da saga. Mais do que isso, eles são muito bem cercados de figuras tão cinzentas e questionáveis que é muito fácil se envolver dentro dessa nova trama. E por mais que a gente esteja falando de uma disputa por poder que já vimos antes, o modo como tudo é apresentado e desenvolvido é completamente novo.

Mais do que ser uma remodelagem de Game of Thrones, A Casa do Dragão é um novo capítulo que não se deixa intimidar nem pela sombra de seu antecessor e muito menos pelo amargor deixado pelo seu final. É uma novidade que mostra que bons universos se sustentam para além de alguns tropeços.

A primeira temporada de A Casa do Dragão terá 10 episódios. O primeiro chega à HBO Max no dia 21 de agosto.