Homem-Aranha: por que as teias orgânicas podem mudar tudo em Um Novo Dia
Por Diego Corumba • Editado por Jones Oliveira |

O primeiro trailer de Homem-Aranha: Um Novo Dia apresentou um Peter Parker diferente do visto nos últimos longas-metragens. Se no passado víamos ele criar as teias artificialmente, para usar via cartuchos acoplados ao pulso, agora o super-herói poderá produzi-las de forma orgânica.
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Parece um detalhe minúsculo dentro das tramas do Amigão da Vizinhança, mas que esconde mudanças bruscas que ditam o rumo do personagem dentro do Universo Cinematográfico Marvel (MCU). Seja uma “evolução” ou “mutação”, as coisas serão diferentes daqui em diante.
Assim como o Homem-Aranha de Tobey Maguire nos “bons e velhos tempos”, agora a versão de Tom Holland passará por um salto significativo que pode mostrar um caminho inédito para o clássico benfeitor. E nós do Canaltech te contaremos as implicações que isso traz para o futuro dele nos cinemas:
O que muda no Homem-Aranha de Tom Holland
A versão de Homem-Aranha apresentada pelo MCU em Capitão América: Guerra Civil (2016) sempre foi marcada por sua genialidade. Foi o aspecto que chamou a atenção de Tony Stark em primeiro lugar — seus aparatos “tecnológicos”, todos produzidos de forma doméstica.
Porém, o que realmente acendeu os alertas do Homem de Ferro foi o seu lançador de teias. Ao ser mordido por uma aranha radioativa, o Peter Parker de Tom Holland desenvolveu a habilidade de escalar paredes, ter mais força e resistência física e até o “Sentido Aranha”. Porém, não disparar teias.
Para se caracterizar adequadamente, ele mesmo produzia o recurso no laboratório de sua escola para usar no dia-a-dia. Inclusive, este é um grande “ponto fraco”: afinal de contas, se o cartucho acabar no meio de algum confronto ou em suas viagens pelos prédios, ele terá problemas sérios.
A chegada das teias orgânicas muda um pouco toda esta questão. Ainda que Sony Pictures e Marvel Studios não tenham apontado por este caminho, o quarto filme pode mudar o foco e fazer com que ele dependa um pouco mais da questão física do que da intelectual.
Talvez a nova história use como base a evolução dos poderes do herói, não apenas a sua capacidade genial de criar soluções — sejam elas tecnológicas, químicas, matemáticas e outras que este Peter Parker já mostrou nos cinemas. E é neste ponto que possivelmente veremos algo distinto.
O Homem-Aranha do MCU não é um “herói completo”, como visto com Doutor Estranho, Capitão América, Homem de Ferro e outros. É como se estivesse em fase de treinamento para isso, que faz um paralelo forte com a transição de sua fase escolar para a vida adulta.
Suas habilidades acompanham esta progressão, como herói e ser humano. Em Vingadores: Guerra Infinita (2018), por exemplo, ele aprende que a “sensação esquisita” que tinha em situações de risco era na verdade um Sentido Aranha. A teia orgânica pode ser o “próximo passo” deste avanço.
Por que isso lembra tanto o Homem-Aranha de Tobey Maguire?
Nas HQs, o Homem-Aranha sempre usou cartuchos de teia para enfrentar os vilões e salvar o dia. Era padrão. Isso seguiu sem alterações até a estreia do filme de Tobey Maguire, dirigido por Sam Raimi em 2002. Ali, vemos o super-herói disparar as clássicas teias do próprio pulso.
Isso foi uma mudança brusca de paradigmas. O antigo longa-metragem não se aprofundou no conceito intelectual de Peter — que é mencionado em poucos momentos, seja por Norman Osborn ou Otto Octavius — e, para simplificar as coisas, permitiram que ele criasse o recurso do próprio pulso.
A curiosidade, inclusive, é mencionada em Homem-Aranha: Sem Volta para Casa (2021), que traz tanto Tobey Maguire quanto Andrew Garfield. Assim como Garfield, o Peter Parker de Tom Holland tem de apelar para os cartuchos clássicos. Já Maguire se vangloria de não necessitar disso.
Para ter uma ideia, a própria Marvel Comics se surpreendeu com a aceitação e permitiu que a contraparte do super-herói nos quadrinhos também se apropriasse desta “facilidade” em algumas fases.
Agora, a Sony Pictures repete o super-poder, que faz referência aos filmes clássicos dos anos 2000 — o que pode gerar nostalgia, mas também uma comparação inevitável e poderosa. É uma mudança que, supostamente, não estará ali apenas pelo fanservice, mas também para acrescentar à narrativa do herói.
Homem-Aranha mutante?
Como visto no trailer, a teia orgânica de Homem-Aranha: Um Novo Dia não será um “detalhe isolado”. Ela faz parte de um novo estágio da evolução de Peter Parker para se tornar aquele que está destinado a ser.
Bruce Banner, interpretado por Mark Ruffalo, aponta que os aracnídeos sempre passam por 3 estágios de crescimento. Não sabemos se a versão do MCU está na segunda ou terceira, porém é inegável que há algo novo a vir.
Se analisar friamente os fatos, o Homem-Aranha passou pela descoberta dos poderes, compreensão do Sentido Aranha e, agora, teia orgânica. E a dúvida que fica é: isso tem a ver ou não com os genes X e os mutantes?
Para fins contextuais, Sadie Sink está no elenco do longa-metragem e muitos já clamam que ela interpretará Jean Grey — emblemática integrante dos X-Men. Inclusive, em alguns trechos do vídeo divulgado pela Sony, vemos que alguns inimigos têm a sua mente remexida por uma “força misteriosa”.
Para quem não sabe, ela é uma das principais X-Men e tem habilidades telepáticas, telecinéticas e também é conhecida por ser receptáculo da Força Fênix, uma entidade cósmica que lhe confere poderes inimagináveis. Ou seja, não é “pouca coisa”.
Nas HQs, Peter Parker já correu para o grupo de mutantes para compreender se faz parte da espécie ou se suas técnicas são categorizadas de outro modo. No início de suas aventuras e quando descobriu novas habilidades ele já seguiu este caminho, mas em ambas levou como “negativo”.
Em outras palavras, ele pode fazer o mesmo em Homem-Aranha: Um Novo Dia. Há chances do personagem introduzir os X-Men, que já estão presentes nesta realidade — vide as referências apresentadas em Ms. Marvel e nas outras produções da Marvel Studios.
Por outro lado, também podemos ver a adaptação da história do “Aranha-Homem”. É uma versão monstruosa do super-herói, com a cabeça aracnídea e seis braços (quais, somados às duas pernas, formam as 8 “patas”). “Um Novo Dia” indica transformações e mudanças de paradigmas.
Talvez um grand finale que flerte com o gênero de terror ou a temática de “perder o controle” — o que justificaria a presença de Bruce Banner, o Incrível Hulk, no longa-metragem inclusive. Na prática, são diversas possibilidades e quem sabe vejamos todas ou até nenhuma delas nos cinemas.
Mudanças expressivas na vizinhança
Pode parecer um ponto “bobo” mudar a forma como o Homem-Aranha vai disparar sua teia em Um Novo Dia, mas na verdade mexerá com um aspecto central da trama: como Peter Parker se enxerga como herói e até como pessoa.
Fatores evolutivos, monstruosidade, mutações e elementos do tipo podem interferir diretamente no roteiro — que leva a discussões muito relevantes e sérias sobre diferenças e alterações que impactam o cotidiano.
Se a Sony Pictures souber trabalhar isso de forma positiva, pode se tornar uma verdadeira virada de chave na franquia cinematográfica. Inclusive, destoaria bastante dos anteriores — não apenas dos 3 longas da linha, mas também das adaptações com Tobey Maguire e Andrew Garfield.
Em relação à temática, isso traria um fator inédito e que alavanca o Homem-Aranha sob uma nova perspectiva nas próximas produções. Seja como mutante, monstro ou um novo passo evolutivo, o super-herói nunca mais será o mesmo.