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Crítica Yesterday | Um mundo sem Beatles seria um mundo infinitamente pior

Por| Editado por Jones Oliveira | 01 de Fevereiro de 2022 às 09h35

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Universal Pictures
Universal Pictures

Você pode até não gostar de Beatles (sim, estou te julgando por isso), mas um fato é inegável: a banda formada por Paul McCartney, John Lennon, George Harrison e Ringo Starr é a mais influente da história da música e moldou muita coisa que ouvimos até hoje — incluindo, muito provavelmente, artistas que você gosta. Logo, é até estranho notarmos que não há tantos filmes sobre o grupo mundo afora quanto deveria. Principalmente em Hollywood.

Depois do musical Across the Universe (2007), agora é a vez de Yesterday explorar o universo do quarteto britânico. E com uma premissa instigante: como seria um mundo sem os Beatles? Para responder a isso, o longa conta a história de Jack Malick (Himesh Patel), um aspirante a músico que divide seu tempo entre shows que ninguém vê e um emprego como estoquista em um supermercado.

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Desiludido com a carreira artística, ele está prestes a abandoná-la, quando sofre um acidente de trânsito causado por um apagão global. Ao acordar, ele descobre que está em um mundo em que os Beatles e suas canções nunca existiram. Apenas ele conhece as letras e as melodias das músicas.

Com isso, Malick faz o que qualquer um na posição dele faria: se apropria da obra do Fab Four e, ao ser descoberto por Ed Sheeran (em uma participação divertida, interpretando ele mesmo), “suas” composições começam a explodir mundo afora. Com isso, desenrola-se uma jornada de sucesso, fama, culpa e amor.

Cuidado! Daqui em diante esta crítica pode conter spoilers.

Sucesso x amor

Claro que algumas pessoas podem julgar Malick por ele ter tomado para si tantas boas músicas. Mas, na realidade que se apresentou a ele, quem pode culpá-lo? E não seria mais condenável que ele simplesmente abrisse mão de tudo isso, privando o mundo de algumas das mais belas canções já feitas, como Hey, Jude (ou Hey, Dude?), I Wanna Hold Your Hand, Let It Be, Yesterday, Something, In My Life, The Long And Winding Road, entre tantas outras?

A partir daí o filme se envereda em dois caminhos: a jornada pelo sucesso de Malick, que nunca é completa — na verdade, é bem reticente — devido à baixa autoestima do protagonista, uma certa culpa e aquela ansiedade que alguém possa desmascará-lo; e a história de amor entre o protagonista e Ellie Appleton (Lily James, com quem você quer casar em cinco minutos de filme), sua melhor amiga e empresária e que é apaixonada por ele desde sempre.

Qualidades e fraquezas

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No desenrolar dessas duas histórias paralelas, Yesterday apresenta sua maior fraqueza e sua maior qualidade. O ponto fraco fica por conta da ausência de um melhor desenvolvimento sobre o impacto que as músicas dos Beatles causam em quem as ouve pela primeira vez e como elas fazem do mundo um lugar melhor.

Com exceção da “pesquisa” de Malick em alguns pontos de Liverpool que inspiraram algumas canções e um discursinho “má o meno” depois de um show, a aparição dos hits é rápida, rasteira e um tanto atropelada. Você não tem tempo suficiente para curtir cada uma delas e já é atropelada por outras.

A principal razão dessa pressa é, talvez, o estilo acelerado de Danny Boyle, diretor do filme que está mais acostumado a um ritmo “na quinta marcha”, como ficou evidente em outras pérolas como Trainspotting, Extermínio, Quem Quer Ser um Milionário e Steve Jobs. Ainda assim, sua direção é segura o suficiente para que ele não perca a mão do longa.

No entanto, Yesterday vai muito bem, obrigado, como uma história de amor. Nessa hora, vemos que o roteiro de Richard Curtis (Simplesmente Amor) entra em cena e toma conta. A química entre Jack e Lily é ótima, as cenas em que eles discutem a relação são sinceras e, claro, as piadas pinçadas em pequenas situações (a cena da batata frita na estação de trem é impagável) fazem jus ao mais refinado humor britânico. E, evidentemente, não poderia haver trilha sonora mais apropriada para embalar esse romance.

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Vale a pena?

No frigir dos ovos, na hora de privilegiar uma história ou outra, Yesterday opta por ser um romance. Claro que essa escolha pode frustrar aqueles que esperavam algo mais, digamos, acadêmico e apoteótico sobre o impacto das músicas dos Beatles no planeta.

No entanto, o filme presta uma homenagem sincera à importância da banda mundo afora — o que inclui um encontro muito legal entre Malik e um certo personagem — e mostra que o legado de John, Paul, George e Ringo ainda tem muita lenha para queimar. E, ao escolher a história de amor, ainda assim, o longa mostra como as canções do quarteto de Liverpool tornam tudo ainda mais especial.

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Sem dúvida, um mundo sem Beatles seria um mundo infinitamente pior.

Yesterday pode ser assistido no catálogo da Netflix, ou ser comprado ou alugado na Play Store e no iTunes.