Crítica | The Stand é adaptação morna de história bizarra sobre o bem e o mal

Por Natalie Rosa | 20 de Fevereiro de 2021 às 15h00
Divulgação: CBS

O último episódio da série The Stand, que estreou em dezembro no StarzPlay, está prestes a ir ao ar no Brasil — ele chega no próximo dia 28 de fevereiro. A trama, que é uma adaptação de uma das histórias de Stephen King, trouxe aos assinantes um novo futuro pós-apocalíptico em que um vírus mortal dizimou 99% da população mundial, mas a trama não se trata somente do vírus em si, mas do que veio com ele.

The Stand possui um elenco de peso, contando com a renomada atriz Whoopi Goldberg, além de Alexander Skarsgard, Amber Heard, James Marsden, Ezra Miller e o brasileiro Henry Zaga, trazendo bastante expectativa para quem se interessou pela sinopse. A série ainda atraiu a atenção do público que acompanha o trabalho do Stephen King e que se empolgou com o lançamento de mais uma adaptação.

Esta não é a primeira vez que The Stand, ou Dança da Morte, ganha uma versão audiovisual. Em 1994, uma minissérie roteirizada pelo próprio autor do livro estreou na televisão, contando com quatro episódios e conquistando dois Emmys, fato que aumentou ainda mais as expectativas para esta nova versão.

Imagem: Divulgação/CBS

Atenção: esta crítica contém spoilers da série The Stand!

A avaliação de uma série ou filme adaptado sempre varia do ponto de vista de cada pessoa, com elementos diferentes a serem buscados conforme a pessoa tenha lido a obra original, neste caso o livro, ou não. Aqui, o contato com a história de The Stand foi inédita, e a reação com base nas primeiras impressões acabou sendo bem diferente das finais, uma vez que a série se transforma de uma produção sobre um vírus com consequências fatais para uma história de "anjos e demônios".

Em um determinado momento da série, que conta com nove episódios, até esquecemos do Captain Trip, o vírus criado em laboratório que deixou 99% da população doente, de uma forma graficamente asquerosa, até a morte, enquanto 1% se tornou imune. Toda a história inicial de sobrevivência em um novo mundo, as perambulações nas cidades vazias, ao melhor estilo The Walking Dead, são deixados de lado com o passar do tempo. Como algumas pessoas já disseram, nada disso importa.

Imagem: Divulgação/CBS

The Stand se apoia no bem e no mal, em dois seres que se aproveitam desse quase apocalipse para dominar a população que sobrou. Do lado do bem, estão os discípulos de Mother Abagail (Whoopi Goldberg), uma mulher de mais de 100 anos que conversa com Deus e oferece às pessoas, invadindo seus sonhos, a oportunidade de viver em uma comunidade pacífica no estado do Colorado, seguindo as palavras divinas.

Já no lado do mal estão as pessoas que escolheram servir a Randall Flagg (Alexander Skarsgard), um homem com um lado obscuro e que obviamente serve à figura estereotipada e maléfica de Satã. Do seu "lado", as pessoas são livres para fazerem qualquer coisa, desde que ele aprove, e isso pode envolver crimes horríveis. Tudo isso, claro, é regado com muita fantasia, não sendo apenas um contato com entidades sem materialização, mas a funcionalidade dos poderes dessas duas pessoas inimigas não fica muito clara, ao menos para quem não leu o livro.

Imagem: Divulgação/CBS

Não há como não relacionar The Stand com questões religiosas, já que todos os personagens parecem ter "sobrado" devido às suas habilidades, devoções e vulnerabilidades. Tudo isso, porém, não chega a ser explorado da forma que deveria na série, deixando tais características mais superficiais para focar mais na dicotomia entre o bem e o mal, o que acaba sendo um pouco clichê. São mais de 800 páginas de livro para transformar em série, então parece que nem tudo acaba sendo opção para um desenvolvimento dentro da trama.

A série não facilita na hora de deixar os acontecimentos claros, não só pela falta de um melhor desenvolvimento dos personagens, como na hora de estruturar os fatos. Optando por não seguir uma ordem linear de tudo o que acontece, são diversos "vai-e-volta" do passado com o futuro, com a trama, de repente, trazendo uma informação que poderia ter sido mostrada antes ou ainda que não caberia mostrar naquele momento.

Talvez, por ser um romance extremamente rico em conteúdo, de acordo com muitos leitores, a responsabilidade de trazer as melhores partes para o audiovisual tenha sido um grande desafio que, assim como qualquer outro, há de agradar uns e desagradar outros. The Stand, porém, consegue mostrar uma história interessante para o mundo atual, ainda que a guerra entre o bem e o mal não seja uma novidade.

The Stand está disponível no StarzPlay, disponível também dentro do Amazon Prime Video.

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