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Crítica Sorte de Quem? | Suspense mediano de tragédia anunciada

Por| Editado por Jones Oliveira | 21 de Março de 2022 às 21h30

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Um dos filmes mais aguardados da Netflix em março é Sorte de Quem?. Dirigido por Charlie McDowel e protagonizado por Jason Segel (How I Met Your Mother), Lily Collins (Emily in Paris) e Jesse Plemons (Breaking Bad), o longa traz uma história classificada como suspense criminal e que explora o gênero com uma trama sobre diferenças de classes.

O filme começa quando um homem branco, rico e CEO de uma empresa (Plemons) tem a sua casa de férias invadida por outro homem (Segel). Ele descobre isso da pior forma possível: chegando ao local com a esposa (Collins) e encontrando o invasor morando por lá. Nenhum dos personagens têm seus nomes citados.

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Atenção: esta crítica pode conter spoilers do filme Sorte de Quem?

Apesar de contar com momentos de tensão com o casal sendo mantido refém por um invasor em sua própria casa, a história é contada de maneira tranquila, sem grandes conflitos corporais ou desespero por parte das vítimas. Mesmo visível que o sequestrador não sabe muito bem o que está fazendo e que tudo vai acabar em caos, o filme passa a impressão de que o final não vai ser o que esperamos de um filme do tipo. Porém, logo vemos que estávamos errados.

Um homem com uma arma na mão e duas pessoas sendo mantidas prisioneiras, claro, só pode ser sinal de as coisas vão dar errado e alguém vai sair sem vida nessa. Mas os diálogos que acontecem ao longo do filme abrem a nossa cabeça para inúmeras possibilidades, muitas delas absurdas e interessantes.

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Windfall

O nome do filme em português até faz sentido para as discussões que são feitas ao longo de uma hora e 32 minutos de duração da trama, como se fosse uma pergunta irônica ao destino dos personagens que não sobreviveram: aquele que tem dinheiro e aquele que teria dinheiro pela primeira vez na vida. Sorte ou azar?

Tudo o que acontece está ligado às classes sociais e privilégios, e o CEO até se coloca no lugar de vítima, de forma patética, dizendo que não é fácil ser um homem rico e branco nos dias de hoje. Mas o título original, em inglês, faz ainda mais sentido para o que acontece no final do filme.

O longa se chama Windfall, expressão em inglês usada para uma quantia de dinheiro recebida de alguém de forma inesperada, como uma herança. Durante as horas eternas de sequestro, a esposa do CEO passa a assimilar melhor a vida ao lado do marido, principalmente pelos aspectos negativos. Com isso, ela se torna a grande vitoriosa da trama, a que passou por cima, a que vai ganhar uma herança pela morte do marido.

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Simplicidade

Sorte de Quem? é um suspense que consegue entregar razoavelmente com pouco, contando toda a história em um único cenário e com apenas três personagens. Os momentos que trazem sentimentos mais intensos acontecem quando um jardineiro (Omar Leyva) chega para fazer o seu trabalho e nunca mais vai embora, sendo então o início dos momentos finais.

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O longa não precisa de cenas extremamente elaboradas para mostrar o que promete, tampouco de muitos conflitos corporais. Grande parte do mérito da produção está nos diálogos e em personagens que mal reagem às situações, como se estivessem sentindo que merecessem isso.

Charlie McDowell conseguiu criar um suspense que vem até sendo comparado como as produções de Alfred Hitchcock, principalmente por ter elementos de thriller. Sorte de Quem?, no entanto, não traz nada de novo, e apesar do sentimento de que uma grande reviravolta vai acontecer, apenas confirma que o final é de uma tragédia anunciada desde o começo.

Sorte de Quem? já está disponível na Netflix.