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Crítica Mergulho Noturno | Terror nadou bem, mas morreu na praia

Por| Editado por Durval Ramos | 16 de Janeiro de 2024 às 18h00

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Blumhouse Productions
Blumhouse Productions

O mês de janeiro começa convidando os fãs de terror para mergulhar em mais uma história assombrada da Blumhouse (empresa por trás de sucessos como Corra! e Fragmentado). Dessa vez, a produtora lança no dia 18, Mergulho Noturno, um filme dirigido e roteirizado por Bryce McGuire que conta a história de uma piscina assombrada que mata suas vítimas. Mas apesar da premissa interessante — embora um pouco previsível — e de bons sustos, o longa nadou, nadou e morreu na praia.

A verdade é que Night Swim (como é chamado no original) não é nem de longe tão ruim como a imprensa internacional tem pintado. Com um elenco equilibrado e alguns jumpscares (momentos de susto) agradáveis, o longa até tem boa intenção. O problema é que delas o inferno está cheio, e Mergulho Noturno não tem a força suficiente para se firmar como nada além de esquecível.

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Para começar, o enredo até que arranca bem e mostra uma criança sendo sugada misteriosamente pela piscina de sua casa. Depois de isso, o cenário muda e vemos Ray Waller (Wyatt Russell) e sua família procurando um novo lugar para morar.

Afastado dos estádios, ele é um ex-jogador de rugby que tenta lidar com o diagnóstico de esclerose múltipla, e se apaixona com a tal casa com piscina na esperança de que fazer hidroginástica nela o ajude a não perder os movimentos das pernas. Acontece que com o passar do tempo tanto ele quanto sua esposa Eve (Kerry Condon) percebem que há alguma coisa estranha com o local.

Neste ponto o filme inverte a ordem e faz os adultos se espantarem primeiro antes das crianças serem sugadas pelo medo. É boa a inversão e ajuda a deixar o espectador mais tenso para os momentos seguintes.

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E é claro que não demora muito para que Izzy (Amélie Hoeferle) e Elliot (Gavin Warren), os filhos, sejam assombrados ao nadar em casa. A partir daí, o que se segue é uma tentativa da família de descobrir o que está acontecendo ao mesmo tempo que percebem que pode ser tarde demais para saírem ilesos.

Com uma boa arrancada, Mergulho Noturno parece um carro com pouca gasolina. Até começa bem, mas perde a força durante a caminhada. Isso pode ser explicado pelo fato do filme ser baseado em um curta de mesmo nome. Para uma trama de 90 minutos, faltou história que justificasse o tempo de tela.

Outro problema é que no último ato, o filme esmiuça melhor o que aconteceu com aquela menina que se afogou logo nas primeiras cenas, e fica nítido que se o enredo tivesse focado nesse arranjo ganharia mais força. Sem entrar em muitos detalhes para não dar spoiler, o que se pode dizer é que era muito mais interessante entender porque uma mãe escolhe um filho e deixa o outro morrer, do que ficar vendo a tradicional família estadunidense sendo perseguida por uma assombração qualquer.

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Além disso, os momentos em que o “monstro” aparece são dignos de riso, já que o CGI deixa muito a desejar. Talvez esse tenha sido o grande erro de Mergulho Noturno, ele se levou a sério demais! Já que não tinha um enredo potente para ser marcante, poderia ao menos arrancar algumas boas risadas da plateia.

Para dar um basta nas reclamações, ainda vale falar que usar o mesmo recurso de fotografia de sempre — a noite e o escuro para representar o medo e o dia para momentos de calmaria — ajuda o filme a cair no clichê. O mesmo acontece com a sonoplastia que força momentos de tensão.

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Mesmo raso, o terror é um mergulho agradável no gênero

Ainda que não seja marcante e tenha erros consideráveis, Mergulho Noturno é um filme agradável de ser visto se as expectativas estiverem alinhadas. Ele é aquele terror gostoso, sem muita pretensão e que é uma ótima opção para ver entre amigos. 

Assinado por James Wan (do excelente Jogos Mortais) e Jasom Blum (M3GAN), o filme realmente deixa a desejar se comparado com os outros dos autores, mas ainda assim tem potencial para ser um ótimo divertimento de férias. Há sustos agradáveis — especialmente o inicial —, bons momentos angustiantes e ainda um final agridoce que é ótimo de assistir.

Sendo assim, quem quiser dar uma chance à obra e tirar suas próprias conclusões, poderá assisti-la a partir do dia 18 de janeiro.

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