Crítica Casa Gucci | Lady Gaga brilha em história trágica, mas também divertida

Crítica Casa Gucci | Lady Gaga brilha em história trágica, mas também divertida

Por Natalie Rosa | Editado por Jones Oliveira | 25 de Novembro de 2021 às 10h00
MGM

A carreira de Lady Gaga no audiovisual não começou em Nasce Uma Estrela, como muitos podem achar, mas foi na versão mais atual do longa que ela mostrou estar no caminho certo. Estrela da música pop e referência para milhões de jovens em todo o mundo por dar voz à diversidade, a artista mais uma vez se destaca como atriz no novo filme do diretor Ridley Scott, Casa Gucci.

O filme conta a história de Patrizia Reggiani (Lady Gaga) e a sua relação com a família da grife italiana Gucci, que começa assim que ela conhece Maurizio, interpretado por Adam Driver. Maurizio era sobrinho de Aldo (Al Pacino), filho do fundador da Gucci, e a sua relação com os parentes sempre foi bastante complicada, o que colaborou para que o casamento com Reggiani fosse uma grande influência nos rumos da empresa.

O intuito do filme, então, é em contar uma história de crime real bastante contextualizada, mas dedicando a maior parte da atenção à criminosa, no caso, Patrizia Reggiani. Tudo isso é feito com muitos estereótipos, trejeitos, sotaques e até mesmo um pouco de humor.

Quer ficar por dentro das melhores notícias de tecnologia do dia? Acesse e se inscreva no nosso novo canal no youtube, o Canaltech News. Todos os dias um resumo das principais notícias do mundo tech para você!

Atenção: esta crítica contém spoilers de Casa Gucci!

Elenco principal de Casa Gucci (Imagem: Divulgação/MGM)

Caracterização

Com o foco do filme sendo em Patrizia Reggiani e não em Maurizio Gucci, o longa desperta a sensação de não pertencimento da protagonista desde o começo. Reggiani é uma mulher de classe média; e Gucci, herdeiro de um império bilionário. O casal tenta transparecer um quê de que o amor supera tudo, mas a ganância acaba falando mais alto de ambos os lados.

Lady Gaga, artista de origem italiana, mas que fala apenas inglês, mostra ser uma artista de múltiplos talentos ao encarnar a personagem e reproduzir um sotaque excelente. Adam Driver também mergulha no sotaque italiano, neste que é mais um filme de Hollywood que "americaniza" outros países usando o inglês como idioma principal.

Enquanto Gaga não se perde no personagem, literalmente, Driver deixa a desejar no sotaque ao longo da produção. No começo do filme as falas estão ali e entregam bastante que se trata de um estadunidense falando inglês com sotaque italiano, mas ao final do filme essa característica é deixada de lado, como se o ator tivesse esquecido que precisava sustentar esse esforço.

Patrizia e Maurizio se casaram sem o apoio da família Gucci (Imagem: Divulgação/MGM)

Humor trágico

O sotaque é apenas um dos detalhes que transformam Casa Gucci em uma obra que até parece satírica. Existe o estereótipo de que italianos são pessoas exageradas, que falam alto e brigam, e nada disso ficou de fora do filme, junto a todos os elementos visuais que fazem parte estética da vida de bilionários. Essa mistura não torna a trama em um filme sério e triste, apesar de contar a história de um assassinato, e inclusive instiga várias risadas.

Durante a maior parte do tempo, esse alívio cômico, sendo proposital ou não, é bem sustentado, mas ganha mais força nas cenas de Jared Leto como Paolo Gucci. O ator de 49 anos foi caracterizado de uma forma completamente diferente do que é, uma vez que Paolo, na época, já não tinha mais tantos cabelos e não estava dentro de um padrão em que seus primos e outros parentes se encaixavam.

Essa caracterização se incorporou às falas de uma pessoa frustrada com a vida, sempre deixado de lado pela família, para diálogos tão trágicos e depreciativos que chegam a ser engraçados. Suas cenas parecem ter sido escritas não só para nos apresentar a quem foi Paolo, como também para o espectador sentir pena de todos os seus fracassos. Mas o humor junto à caracterização ficou tão evidente que parecia uma esquete de um programa de humor, como o extinto Zorra Total, ou ainda do clássico Saturday Night Live. Esse mérito pode ter vindo de uma das roteiristas, Becky Johnson, que tem "comediante" e "improvisadora" em seu currículo.

Jared Leto como Paolo Gucci traz humor ao filme (Imagem: Divulgação/Casa Gucci)

Entretenimento puro

Esses detalhes, não são, necessariamente, um "erro" de Casa Gucci, pois todos os outros aspectos tornam o filme agradável de assistir. A história é contada de forma redonda, sem tratar de questões que não acrescentam nada à trama, sendo 2h38 de filme muito bem aproveitadas. A trama vai chegando ao fim em uma transição rápida e evidente de estar tudo bem para, de repente, não funcionar mais. Os problemas de Maurizio com Patrizia não são muito aprofundados, deixando à Lady Gaga a missão de transparecer os sentimentos sombrios que vieram com o rompimento da relação, que aconteceu por conflitos nos negócios.

Casa Gucci é um filme divertido e feito para chamar a atenção, e de fato ele se destaca. Atrai a curiosidade pelo elenco de peso, principalmente pela escalação de Gaga; por contar uma história de crime real e por mergulhar na ostentação de um império poderoso. Ridley Scott, com tantos filmes de ficção científica e ação no currículo, mostra uma sensibilidade única e que é capaz de explorar a sua criatividade a diversos níveis.

Casa Gucci está em cartaz nos cinemas de todo o Brasil; garanta o seu ingresso na Ingresso.com.

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.