ICQ, lembra dele?

Por Adriano Camargo | 30 de Janeiro de 2012 às 19h25

Nostalgia é aquele sentimento relacionado com saudade, que normalmente aparece ao lembrarmos coisas boas do passado que nos marcaram de alguma forma.

Pensando nisso, resolvemos reunir aqui várias tecnologias e equipamentos que um dia fizeram sucesso, e que, muitas vezes, desapareceram sem deixar vestígios.

Inaugurando essa sessão vamos falar de um software que foi muito utilizado no Brasil tempos atrás, numa época em que a internet ainda dividia o espaço com a linha telefônica, comendo pulsos (três minutos = um pulso) mas que aos poucos foi desaparecendo – mas não totalmente esquecido – pelos internautas: O ICQ.

Engana-se aquele que pensa que o programa morreu. Ele ainda é muito utilizado no exterior. Na Alemanha, por exemplo, o ICQ é utilizado normalmente por aproximadamente 6,9 milhões de pessoas, ou 18,5% dos usuários residenciais. Nos Estados Unidos o número é ainda maior: 28% em residências.

Mas, no Brasil, não atinge audiência suficiente sequer para figurar na pesquisa. E isso porque o brasileiro realmente adora mensageiros instantâneos: três em cada quatro usuários de internet utilizam.

Apesar de praticamente abandonado no país, o ICQ resiste firme e forte, recebendo atualizações e novas versões, tanto que está disponível para todas as plataformas (Symbian, BlackBerry, iOS, Android, PC e Mac).

Um pouco mais sobre o ICQ

Hoje em dia o programa de mensagens instantâneas mais usado no Brasil é o tradicional Windows Live Messenger, popularmente conhecido como MSN, da Microsoft. Outros programas desse tipo também são bastante utilizados, como o Yahoo Messenger e o GTalk, entre outros.

Porém, os usuários, digamos, mais antigos, devem se lembrar de outra realidade. Há cerca de 15 anos, por volta de 1998, na época que os provedores de conexão discada dominavam a internet, o programa de troca de mensagens mais popular era o ICQ.

Lançado em 1997 por uma empresa israelita chamada Mirabilis, a pronúncia do nome ICQ em inglês (“I seek you”) significa em português “eu procuro você”. No ano de 1999 a AOL comprou a Mirabilis.

Ao instalá-lo, ele atribuía ao usuário um código de identificação chamado de UIN (Unique Identification Number). Assim como no Messenger temos nosso e-mail e senha para fazer login, no ICQ cada um tinha um número próprio de vários dígitos – que significava a quantidade de pessoas cadastradas na rede –, e através dele e uma senha fazíamos login no programa.

Tela de instalação

Um dos recursos mais bacanas do jurássico aplicativo era a possibilidade de procurar pessoas por nome, cidade, país, e-mail, sexo, e etc. Era possível, por exemplo, listar pessoas do sexo feminino da sua cidade, dentro de uma faixa etária, ou mesmo procurar pessoas de diversos países para conversar com eles na hora. É claro, você era encontrado da mesma maneira.

Nas primeiras versões seu layout era bem simples, a janela de conversa não era dividida em duas partes, como acontece hoje com o MSN e versões atuais do ICQ - sim, ele ainda existe! Não havia formatação de fonte, emoticons, foto (ou avatar), acesso a webcam, nenhum recurso a mais. A mensagem era enviada pelo botão SEND, pois se clicasse no Enter o cursor apenas mudava de linha.

Janela do programa

O usuário podia definir seu status como online, ausente (away), ocupado (occupied), não perturbe (do not disturb), invisível (privacy), disponível para chat (free for chat) e desconectado (offline). No ICQ era possível ficar “invisível” e conversar com as pessoas normalmente, recurso que só apareceu no MSN anos depois.
Existia também a “invisible list” e “visible list”. As pessoas na invisible list nunca iriam te ver online, enquanto aquelas que eram adicionadas à visible list sempre iriam te ver online, mesmo se você entrasse no modo invisível.

Já no modo “free for chat”, todos os pedidos de chat eram aceitos automaticamente, o que era diferente da janela de conversa. Uma nova tela se abria, e era possível adicionar mais pessoas àquela conversa. Se você deixasse ativada uma opção chamada “Available for Random Chat” as pessoas poderiam te achar por uma tela que procuravam pessoas aleatoriamente.

Outros detalhes que os saudosistas vão se lembrar era que ao digitar uma mensagem o programa imitava o som de uma máquina de escrever, dando uma “pausa” quando a mensagem era enviada. Quem se lembra do ícone se mexendo durante esse processo?

Enfim, o tempo passou, e enquanto mais recursos eram implementados no MSN (como fotos, emoticons, webcam), mais usuários foram deixando o ICQ de lado e migrando para o novo comunicador.

Apesar do ICQ ainda existir (está na versão 7), aqui no Brasil ele foi praticamente esquecido e não faz mais sucesso como antigamente.

Matamos a saudade do ICQ!

A brincadeira foi levada tão a sério que começou uma disputa aqui na redação para ver quem se lembrava do próprio UIN. Foi uma correria para conseguir instalar a versão mais antiga possível do programa, e assim relembrar o “Uh Oh” das mensagens e também o som de máquina de escrever ao digitar.

Como utilizo Windows 7 na minha máquina, a versão mais antiga que funcionou foi a 2003b. Gastamos um tempo considerável apenas (re)fazendo o login só para ouvir aquela sirene da inicialização do programa... rs.

E não é que funcionou?

Quer matar a saudade? Lembra do seu UIN? Então baixe o ICQ, e conte pra nós se ainda tem amigos online na sua lista!

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