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Obsolescência programada: porque alguns eletros estragam mais rápido que outros

Por  • Editado por Léo Müller | 

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A ideia de que produtos são “projetados para durar menos” acompanha o consumidor há décadas. A obsolescência programada é a suspeita de que alguns produtos são feitos pelas marcas justamente para estragar mais rápido, seja por escolha de materiais, componentes mais baratos ou até pela pressa em lançar novidades.

Mas será que a obsolescência programada realmente existe? Segundo o engenheiro eletricista e professor da PUCPR, Voldi Costa Zambenedetti, antes de falar em programação para falhas, é essencial entender que todo equipamento tem uma vida útil natural.

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Com isso, cada componente possui um número esperado de ciclos de funcionamento. Essa soma de ciclos define o que, tecnicamente, chama-se MTBF (Mean Time Between Failure), ou tempo médio entre falhas.

Em outras palavras, “quanto maior a vida útil de cada componente, maior a vida útil do equipamento final”, afirma Zambenedetti.  No entanto, componentes mais duráveis também custam mais, o que afeta diretamente o preço final do produto.

Desgaste natural x decisão de projeto

De acordo com o professor, não é possível afirmar categoricamente que produtos são feitos para durar pouco, embora seja tecnicamente possível projetar um equipamento com mais ou menos tempo de vida útil. Isso não significa uma armadilha, mas uma escolha de qualidade que influencia tanto o custo quanto a durabilidade.

Zambenedetti lembra que todo projeto envolve escolher um nível de qualidade.

"Em produtos feitos para grandes compradores, como indústrias e montadoras, é comum exigir especificações de durabilidade. Já em produtos de consumo, essa exigência não existe", diz o professor. "Cada fabricante decide o padrão de qualidade que deseja atingir".

Apesar disso, há casos históricos de intencionalidade, como o famoso cartel Phoebus, que reduziu deliberadamente a vida útil das lâmpadas no início do século XX. Esse episódio reforça a desconfiança do público até hoje.

Por que alguns eletros estragam mais rápido?

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Segundo o professor, a percepção de que celulares e eletrônicos duram pouco é real. Esses aparelhos dependem de blocos eletrônicos complexos, difíceis de reparar individualmente. Além disso, sofrem com a obsolescência tecnológica, que torna modelos de um ou dois anos “velhos” rapidamente.

eletrodomésticos tradicionais, como geladeiras, ventiladores e liquidificadores, tendem a durar mais. Eles têm menos eletrônica sensível, utilizam motores robustos e permitem manutenção mais simples.

Zambenedetti destaca ainda que muitos eletrônicos se tornaram commodities, produzidos em massa por diversas empresas. Isso barateia o produto, mas reduz a qualidade dos componentes e, consequentemente, a vida útil.

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Como saber se um produto foi feito para durar pouco?

Para o consumidor comum, é difícil identificar intencionalidade. “A rigor, apenas um ensaio sistemático poderia fornecer este dado”, explica o professor. Na prática, valem algumas pistas:

  • Avaliações de consumidores;
  • Histórico da marca;
  • Tempo de garantia oferecido além do exigido por lei;
  • Políticas de reparabilidade.

O engenheiro ainda destaca avanços como o Índice de Reparabilidade, já adotado na União Europeia, e leis que obrigam fabricantes a oferecer peças de reposição por um período mínimo.

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Quando produtos duram menos, o resultado envolve mais lixo e mais gastos. O professor alerta para o aumento do descarte de resíduos e a pressão sobre sistemas de reciclagem. A solução passa por logística reversa, em que fabricantes recolhem e reaproveitam seus produtos, e pela conscientização dos consumidores sobre o descarte correto.

Então a discussão vai além de simplesmente apontar fabricantes ou produtos “que quebram rápido”. A obsolescência existe, mas nem sempre de forma intencional ou maliciosa. Todo produto tem uma vida útil natural, e muitas vezes a escolha de materiais, componentes e processos de fabricação determina se ele vai durar mais ou menos.

Como explica o professor Voldi Costa Zambenedetti, “apenas um ensaio sistemático poderia comprovar se um produto foi projetado para durar menos”. Ainda assim, exemplos históricos mostram que, em alguns casos, essa prática já foi deliberada (ou seja: obsolescência programada).

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