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Como usar tecnologia no ensino infantil de forma saudável e sem excessos

Por  • Editado por  Luciana Zaramela  | 

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Reprodução/Rawpixel
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Não é a primeira vez que o Canaltech mergulha na relação entre os pequenos e a tecnologia. No entanto, com a pandemia, esses laços se estreitaram involuntariamente, considerando que o público infantil passou a ter aulas por meio da internet. Tendo isso em mente, a Big Brain, principal parceira da Microsoft na América Latina, desenvolveu ferramentas tecnológicas almejando capacitar professores para o ensino infantil, algo responsável por revisitar esse questionamento: a tecnologia pode ser saudável para as crianças?

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As crianças dos dias atuais estão inseridas em um grupo denominado de nativos digitais, desconhecem um mundo sem internet, levando em conta que desde os primeiros movimentos, demonstram a mínima coordenação motora, começam a ter contato com algum equipamento digital. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), as matrículas na educação infantil cresceram 12,6% entre 2015 a 2019. Esse aumento evidencia a importância de olhar e estruturar cada vez mais a educação infantil.

Para a gerente pedagógica da Big Brain, Sueli Trajano, deve ser observado o comportamento e aprendizado que está sendo provocado, como os estímulos que rodeiam a criança. Isso porque, nas palavras da especialista, essa fase do desenvolvimento, de 0 a 5 anos, terá impacto durante toda a vida, considerando ainda que na idade de 0 a 3 anos, as crianças passam pelo desenvolvimento sensorial e motor, aprendem a consciência do próprio corpo e percebem o mundo à sua volta, como cores, formas e cheiros, além de desenvolver reflexos, parte de coordenação motora, senso de organização e inteligência prática. Além disso, boa parte da estrutura cerebral se forma na primeira infância.

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Segundo a gerente pedagógica, dos 3 até os 6 anos, as crianças alcançam o desenvolvimento pré-operatório e aprimoram a linguagem, intuição, colaboração e socialização, além de questionar (fase dos por quês) e amplificar a coordenação. A especialista observa que é a fase mais importante do desenvolvimento humano, o que torna essencial que pais, professores e os participantes ativos na vida da criança sejam efetivos e conscientes das responsabilidades quanto ao desenvolvimento emocional, intelectual e cognitivo.

Tecnologia no ensino infantil

No ensino infantil, conquistar a atenção da criança é um desafio constante, principalmente no formato online. A especialista orienta a observar os estudos que estabelecem o tempo médio de concentração de cada criança por idade, de forma que o professor possa planejar as atividades das aulas promovendo ações de ludicidade e encantamento, considerando o tempo que a faixa etária consegue manter a atenção focada.

Questionada pela equipe do Canaltech sobre os principais desafios de se utilizar a tecnologia para o ensino infantil, a gerente pedagógica afirma: "Planejar estratégias que despertem o interesse da criança, respeitando a sua faixa de desenvolvimento neural e tempo de atenção em uma determinada interação ou atividade, promovendo diversidade nas iniciativas para o desenvolvimento do sensorial, motor e afetivo e contemplando os direitos fundamentais previsto na Base Nacional Comum Curricular para o ensino infantil, sendo o direito a conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer".

Outra questão que acaba vindo à mente tange a relação entre as crianças e a tecnologia, que é indiscutivelmente bem delicada. Será que utilizar a tecnologia desde cedo, mesmo que para ensinar, pode ser prejudicial de alguma forma? "A utilização de tecnologias pode contribuir de forma significativa para o desenvolvimento cognitivo, emocional e afetivo da criança, desde que os estímulos tecnológicos a que tem acesso sejam intencionais e assistidos por seus pais e/ou responsáveis, cuidadores e participantes da vida dos pequenos e pequenas", afirma Sueli.

Para a profissional, as ferramentas digitais são recursos essenciais para aprimorar e alcançar o processo de ensino e aprendizagem dessa nova geração. Tão importantes, que estão preconizados nas competências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC)", afirma Sueli.

Mais importante que a escolha da ferramenta para uma aula online é a estratégia de ensino com intencionalidade e significado para o mundo da criança, e a empresa em questão conta com algumas ferramentas/recursos que auxiliam os professores na produção de aulas para educação infantil, dentre essas o Paint e PowerPoint.

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A especialista ressalta que a capacitação do professor em ferramentas digitais como recursos didáticos é muito importante, dominando a ferramenta flui melhor a criatividade, criações de brinquedos paradidáticos, atividades lúdicas, dinâmicas, brincadeiras intencionais e estratégias diversas integrando tecnologia.

O que fazer e o que não fazer no ensino infantil tech

Juntamente com a gerente pedagógica Sueli Trajano, o diretor de Operações da empresa, Arioston Rodrigues, traz dicas de como envolver a tecnologia no ensino dos pequenos. Para prender a atenção do público infantil, os dois recomendam atividades que os levem a percepção de si, do próximo e do coletivo; exploração dos gestos, corpo e movimentos; vivência de sons, traços, cores e formas; estímulos de escuta, imaginação, pensamento e fala e percepção de tempo, espaço, transformações, quantidade e relações.

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"Uma criança não tem barreiras em seus pensamentos, o campo da criatividade é livre para responder aos estímulos. O professor precisa proporcionar atividades multicoloridas, diversificadas e desconstruídas de conceitos conteudistas, porém intencionais e adequadas ao mundo criativo dos possíveis e impossíveis que a criança carrega dentro de si, considerando o universo cognitivo e emocional", aponta o especialista.

Para os pais que buscam administrar esse uso da tecnologia aos filhos, os especialistas recomendam observar os estímulos que o filho recebe da tecnologia com a qual a tem contato, refletir se faz sentido o que a criança está aprendendo e se está adequado para faixa etária, acompanhar o contato dos filhos com a tecnologia e estimular práticas saudáveis do uso de tecnologias desde cedo, aplicando rotina e disciplina.

Enquanto isso, os principais erros que as pessoas cometem ao relacionar o ensino infantil com a tecnologia, segundo os profissionais, envolvem planejar uma aula com a tecnologias digitais sem substituir as estratégias tradicionais, elaborar projetos para o ensino infantil, com nível raso de pesquisa e investimento de tempo; planejar sem considerar a faixa de desenvolvimento neural e o tempo de concentração da faixa etária; não preparar o ambiente para receber a criança seja presencial ou virtual; não envolver os pais e/ou responsáveis na aprendizagem das crianças; não deixar a criança pensar soluções diferentes para uma mesma situação apresentada.

Utilizar a tecnologia meramente como um meio de transmissão de conteúdo e imagens sem a promover a experimentalização da criança, bem como não se engajar no aprofundamento de uso criativo dos recursos digitais aplicados ao ensino infantil e considerar que a formação continuada de professores e equipe técnica/pedagógica não é uma premissa extremamente necessária também são alguns dos equívocos apontados pelos profissionais.

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Por fim, o diretor acredita que a tendência seja continuar usando cada vez mais a tecnologia para fins como o ensino (e, nesse caso, especificamente o ensino infantil). "A tecnologia na educação é uma necessidade real para os dias atuais e já é percebida há algumas décadas, porém as implementações de recursos tecnológicos no ensino foi amplamente acelerada com a pandemia. Portanto, compreendemos que o uso de recursos digitais e o investimento em infraestrutura tecnológica continuarão de forma permanente e evolutiva no processo de ensino e aprendizagem, sabendo que em alguma etapas, como é o caso do ensino infantil, o planejamento necessita de um detalhamento direcionado com atenção aos estudos científicos para essa faixa etária", conclui.