Como a internet pode te ajudar a estudar química

Por Nathan Vieira | Editado por Claudio Yuge | 13 de Maio de 2021 às 18h30
Rodolfo Clix/Pexels

Estudar não é uma tarefa fácil, mas a tecnologia pode se mostrar uma verdadeira aliada, trazendo opções para complementar os estudos, com direito a vídeos de plataformas. E entrando no mérito de determinadas disciplinas, a química é uma que também pode ser aprendida com o auxílio da internet.

Canais do YouTube

Os canais do YouTube integram um dos métodos para estudar essa disciplina pela internet, uma vez que trazem as famosas videoaulas, ministradas por professores que decidiram se aventurar na plataforma de vídeos. Um deles é Paulo Valim, do canal Química com Prof. Paulo Valim, que une mais de 700 mil inscritos. A proposta do canal é ajudar a aprender química, de forma didática e prática, para quem pretende fazer ENEM, vestibulares, provas escolares e concursos, além de auxiliar professores na preparação de suas aulas.

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Em conversa com o Canaltech, Valim conta que a ideia de levar os conhecimentos para o YouTube veio em 2011, numa época em que ainda lecionava presencialmente: "Sempre tem aquela questão dos estudantes, de na sala de aula entender tudo o que o professor falou, mas em casa, na hora de fazer os exercícios, ser muito difícil. Muitos queriam um pouco desse apoio".

Questionado sobre as diferenças entre a sala de aula e o YouTube, Valim menciona que a maior delas é a falta de feedback. "Na sala de aula, você olha no olho do aluno, e consegue perceber muito mais coisas. Você tem feedbacks comportamentais, consegue ter todos os sinais de que está no caminho certo ou no caminho errado, e pode ir corrigindo. Tudo isso é muito dinâmico", explica.

"Já no YouTube, você precisa ter tudo isso bem pensado antes, porque por mais que prepare a aula, é muito heterogênea a capacidade de cada estudante. Então no YouTube você posta uma aula e vai saber daqui a dois ou três meses se a aula está legal, se tem algum problema, se alguém não entendeu. É um processo muito mais demorado. O interessante é ter uma vivência na sala de aula para entender quais são esses caminhos, onde estão as maiores dificuldades e quais são as rotas que se pode tomar", acrescenta.

Na visão do professor, ficou mais fácil aprender por meio das redes sociais, mas por outro lado, ficou mais difícil encontrar aquele conteúdo conceitualmente correto. "Que garantia eu tenho de que assistindo aula do professor A, B ou C, estou aprendendo o que é de fato conceitualmente correto? Isso foi até a iniciativa do YouTube Edu, do Google e Fundação Lemann, trazer essa validação do conceitual", aponta Valim. Ele conta que há uma equipe de curadores que assistem aos vídeos para conferir e validar aquele conteúdo.

Assim, para o criador de conteúdo, ao se estudar pela internet é preciso ter em mente que nem tudo foi validado. "A gente tem que tomar muito cuidado com as fontes. A gente precisa validar isso. Uma dica é procurar vídeos que estão validados por alguém, como os que têm o selo do YouTube Edu e estão na página, porque ali você tem a certeza de que vai encontrar o professor que você gosta, que te faz aprender melhor, e ainda tem a garantia de que aquele conteúdo está correto", afirma.

Outra dica compartilhada pelo professor é a adoção de um cronograma de estudo. "Muitas vezes você só chega no YouTube e digita um assunto. Mas o que antecede esse assunto? O que eu tenho depois desse assunto? O ideal é sempre ter um programa. Você precisa ter o cuidado de ter essa sequência, porque vai facilitar o seu aprendizado. Tem muita coisa que é sequencial", Valim indica.

Por sua vez, o professor Marcelo, mais conhecido como Marcelão da Química, também compartilha de seus conhecimentos no YouTube. Seu canal, que conta com 240 mil inscritos, traz aulas completas de assuntos que envolvem a disciplina, em meio a vídeos de longa duração bem detalhados, mas o professor também comenta questões de vários vestibulares.

Marcelo nos conta que sua presença na plataforma de vídeo começou por volta de 2013, quando lecionava em uma escola em que a sua carga horária para ministrar os conteúdos de química orgânica era relativamente baixa. "Fui para o YouTube como proposta de complementar e fazer revisões dos assuntos trabalhados em sala de aula, e a partir daí, mais pessoas tiveram acesso a esse trabalho, me incentivando a continuar com o projeto", relembra.

Quanto às diferenças entre a sala de aula e o YouTube, o professor relata que na sala, consegue ter um contato direto com o aluno, sabendo exatamente quando pode avançar com o conteúdo ou tirar as dúvidas pontuais. "Tenho esse 'termômetro' para saber como está sendo assimilado o conteúdo. Mas em um cenário onde o aluno falta a aula, não consigo ter essa noção. Isso é algo interessante quando penso em ter as aulas no YouTube, pois o aluno poderá assistir quando quiser, voltar em algum momento específico da explicação", observa.

"Mas como não estou presencialmente ministrando o conteúdo, é necessário sempre tomar cuidado com a forma como expomos o conteúdo, tentando ser sempre o mais claro possível na explicação, pois em caso de dúvidas, não consigo resolver instantaneamente", acrescenta.

Questionando diante do os principais desafios de ser um EduTuber (como são chamados os professores que se aventuram no YouTube), Marcelo aponta: "Acredito que os principais desafios são o de manter constante a produção de conteúdos relevantes, tanto para os alunos, quanto para o algoritmo do YouTube. Também temos o aspecto de que esse trabalho nos toma muito tempo, então é importante saber dividir momentos com a família, lazer, etc. Ainda que pequeno, há sempre alguns "haters", que nos obrigam a respirar fundo e seguir com o trabalho."

Para Marcelo, a facilidade em aprender com as redes sociais depende da rede social, de como está sendo utilizada e que tipo de conteúdo a pessoa tem como objetivo o aprendizado. "É inegável que, o acesso ao conhecimento, se comparado ao ano de 2000 (que não é tanto tempo assim!), aumentou bastante. Hoje está muito mais democrático", reflete. No entanto, o professor acrescenta que, com tanto conteúdo disponível, o grande número de informações chega até a atrapalhar. "A diferença entre o remédio e o veneno é a dose."

O professor recomenda tomar cuidado para não se perder tempo com tanta informação que pode atrapalhar, ressaltando a importância de se preocupar com o foco na tarefa proposta. "No início do processo, você deve se conhecer melhor. Você funciona melhor com aulas longas ou aulas curtas? Estudar de manhã, de tarde ou de noite? Fazer exercícios ou resumo após a aula? Assistir muitas aulas para fazer exercícios, ou dividir essa tarefa? Responder essas perguntas é importante para o sucesso com os estudos na internet", sugere.

Marcelo afirma que, no início, é comum enfrentar certas dificuldades de adaptação. "Por isso a minha dica de se fazer pequenos experimentos para se conhecer melhor, e com isso, vejo que muitos alunos acabam buscando as dicas de outros estudantes, que muitas vezes mais atrapalham do que ajudam. Então, tomem muito cuidado com isso. Quanto mais simples e funcional, melhor será", conclui.

Plataformas

Aplicativos, canais de vídeos e plataformas conseguem ajudar os estudantes a aperfeiçoar o aprendizado sobre química (Imagem: ckstockphoto/envato)

Algumas plataformas também podem ajudar o estudante que estiver procurando conteúdos de química para aperfeiçoar o aprendizado. Os professores Paulo Valim e Marcelo estão por trás de Ciência em Ação, que visa oferecer conteúdos que vão além do que está disponível no YouTube. Basicamente, a plataforma paga conta com um plano de preparatório exclusivo de Química, e um plano mais extenso, que abrange outras áreas das ciências da natureza. O site traz conteúdos, vídeos, exercícios e até aplicativo para assistir aulas offline, além de resoluções de ENEM e vestibulares.

Outra plataforma paga é a Descomplica, que tal como a anterior, também é acompanhada pelo YouTube, onde professores compartilham seus conhecimentos e revisam conteúdos de vestibulares, com direito a várias matérias, o que é claro, inclui química. Na plataforma em si, os estudantes podem assinar planos de acordo com as áreas de interesse (humanas, exatas), mas também conta com materiais específicos de química para estudar gratuitamente.

A plataforma Stoodi também oferece planos de acordo com a intenção do estudante, e apresenta conteúdos e exercícios para quem precisa de uma forcinha na matéria. Mas que tal uma plataforma completamente gratuita? É o caso da Khan Academy, cuja proposta é democratizar a educação. É possível encontrar conteúdos, exercícios e até vídeos sobre a disciplina em questão, de átomos a alcanos.

Aplicativos

Os aplicativos também podem fornecer aquela ajudinha necessária para os estudantes. Um deles, chamado unicamente de Química (Android, iOS), completamente gratuito, que traz informações a respeito de todos os elementos químicos, além da tabela periódica e exercícios, que podem ser feitos online ou offline. Enquanto isso, o QuímicaMaster (Android) conta com teorias, lições e exemplos práticos. Assim como o app anterior, esse também é completamente gratuito.

Já o app Funções Orgânicas (Android) é voltado exclusivamente ao conteúdo de química orgânica, e traz questionários (no modo fácil e difícil), testes de múltipla escolha, e até mesmo alguns jogos, em que se deve responder às questões no menor tempo possível. Enquanto isso, o Tabela Periódica 2021 (iOS) exibe toda a tabela periódica na interface, e ainda conta com a Tabela de solubilidade.

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