Maioria dos brasileiros não se importa em trocar dados por descontos e ofertas

Maioria dos brasileiros não se importa em trocar dados por descontos e ofertas

Por Márcio Padrão | Editado por Claudio Yuge | 26 de Novembro de 2021 às 20h20
Envato / pulsar75

Você dá seus dados online se isso der acesso a algum benefício, como descontos e ofertas? Pois 76% dos entrevistados de um estudo da consultoria brasileira Zmes responderam sim a essa pergunta. O levantamento ouviu 1.752 consumidores de todas as classes sociais e regiões metropolitanas do país, além de executivos de marketing da Ambev, Johnson&Johnson, Diageo, Nestlé e L'Oreal, entre outras empresas.

O estudo, produzido com o instituto Qualibest, analisou as mudanças de hábitos do consumidor brasileiro em relação a bens não duráveis como alimentos, bebidas, lanches e produtos de higiene durante e após a fase crítica da pandemia de covid-19. Outra conclusão importante é que 56% dos consumidores já compram online em muitas categorias e pretendem intensificar esse comportamento.

A pesquisa ainda trouxe mais análises de público:

  • A penetração de quem compra em lojas físicas e digitais varia por categoria: 28% para alimentos, 35% para cuidados com a casa, 36% para lanches e bebidas não alcoólicas, 42% para cuidados pessoais e 49% para bebidas alcoólicas;
  • Cerca de 30% dos consumidores já tinham e mantiveram o hábito de comprar via web, durante a pandemia, bens não duráveis;
  • Sobre o dado anterior, 35% a 43% dessas pessoas aumentaram a frequência das compras online desse tipo de item;
  • Entre 19% e 31% dos entrevistados, variando de acordo com as categorias, aderiram às compras online durante a crise da covid-19;
  • Entre os que ainda não compram bens não duráveis pela internet, 77% se interessam em começar pelas bebidas alcoólicas, 74% por itens de cuidados pessoais, e empatados com 70% bebidas não alcoólicas e cuidados com a casa;
  • 62% das pessoas ouvidas que têm o hábito de comprar online dizem preferir as compras presenciais pela maior oferta de dados sobre o produto.
  • Para 66% dos consumidores, os descontos nos preços são a principal vantagem das compras online. Outros 36% apontam os programas de fidelidade e de cashback;
  • Os canais online mais usados são os apps de entregas rápidas, como Rappi e iFood, e grandes marketplaces, como Magalu, Americanas.com e Mercado Livre. Ambos são opção de 64% dos consumidores de bens de consumo não duráveis. mas 30% deles já o fazem por meio do WhatsApp.
Cerca de 30% dos consumidores mantiveram hábito de comprar bens não duráveis pela web (Imagem: twenty20photos/Envato)

“Muita gente ainda acha que o e-commerce é opção apenas para quem quer comprar um smartphone, um aparelho de TV ou, no limite, um calçado ou uma roupa. Nosso estudo deixa claro que essa é uma percepção errada. A compra digital de bens não duráveis é uma realidade para todas as categorias de produtos, e está em todas as classes sociais e regiões do país”, afirma Marcelo Tripoli, fundador e CEO da Zmes.

Um dado curioso é que 87% dos consumidores já fizeram uma compra nas plataformas próprias dos fabricantes dos produtos, ou seja, no modelo D2C (direto ao consumidor, na sigla em inglês) "Investir em canais D2C são críticos para a indústria pois são uma ferramenta crítica de coleta de dados de sellout [venda direta] dos consumidores", diz Tripoli.

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