E-commerce brasileiro deve crescer 26% em 2021, prevê Ebit|Nielsen

E-commerce brasileiro deve crescer 26% em 2021, prevê Ebit|Nielsen

Por Rui Maciel | 17 de Dezembro de 2020 às 14h50
Reprodução

O e-commerce brasileiro manterá um bom ritmo de expansão no ano que vem. Segundo previsão da consultoria Ebit|Nielsen, as vendas online devem crescer 26%, atingindo um faturamento de R$ 110 bilhões, mantendo a força do setor e indicando uma consolidação das lojas e dos marketplaces.

Especializada em mensuração e análise do comércio eletrônico no país, a Ebit|Nielsen afirma que o desempenho do e-commerce no ano que vem será impulsionado pelo crescimento do número de consumidores, consolidação de e-commerces locais, fortalecimento dos marketplaces e maturidade logística do setor para agilizar a entrega em busca de eficiência operacional.

Em uma pesquisa recente realizada neste trimestre, a consultoria verificou junto aos consumidores que compraram online neste ano que 95% dos respondentes pretendem continuar comprando online. Segundo Julia Avila, líder da Ebit|Nielsen, muitos consumidores entraram em 2020 por conta da pandemia e do confinamento e vemos que eles realmente se adaptaram e entraram para ficar.

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"O ambiente mais confortável para o consumidor é acompanhado pela maior qualificação e preparo das lojas, seja grandes marketplaces, seja pequenas lojas que tiveram que entrar no ambiente online por conta da pandemia", explicou Julia.

Juros e inflação

A Ebit|Nielsen afirma, no entanto, que o resultado de 2021 será limitado pela retomada mais gradual da economia, expectativa de aumento da taxa básica de juros e inflação mais alta, ficando abaixo do previsto para este ano, de crescimento de 38% sobre 2019.

De acordo com o Boletim Focus, do Banco Central, os principais agentes do mercado financeiro esperam que a atividade econômica se expanda 3% no ano que vem, o que não seria capaz de retomar a queda deste ano de cerca de 5%, assim como uma alta nos preços.

"O ano que vem é de incertezas sobre confinamento, vacinação, expansão do vírus, fim do auxílio emergencial e desempregos em níveis elevados. Isso impõe limites a toda economia e o e-commerce não ficará de fora", explicou Avila. "Mas ele segue em níveis fortes porque é a opção mais viável e confortável para esse ambiente instável e volátil."

O marketplace deve se consolidar em 2021 como uma importante fonte de receita para o e-commerce no Brasil

Números da Ebit|Nielsen apontam também que o resultado de 2021 virá acompanhado de um incremento de 16% no número de pedidos, para 225 milhões, e uma expansão de 9% no valor médio das vendas, para R$ 490.
As categorias que mais se devem destacar nas vendas online, conforme a Ebit|Nielsen, são: Alimentos e Bebidas; Arte e Antiguidade; Bebês e Cia; Casa e Decoração; Construção.

“Foram segmentos que se consolidaram neste ano e devem continuar tendo bom desempenho. Todos estão ligados à maior importância que as pessoas dão em construir ambientes mais aconchegantes para se adaptar à nova lógica imposta pela pandemia”, afirmou Avila.

Expectativa para o Natal 2020 é de alta

A Ebit|Nielsen também divulgou a expectativa para o Natal deste ano: alta de 30% para R$ 3,38 bilhões em vendas. O período contabilizado é de 10 a 24 de dezembro. Com isso, será mantido um ritmo ainda mais forte que o registrado na Black Friday, que cresceu entre 26 e 30 de novembro 26,4%, o melhor desempenho desde 2014.

“Teremos um Natal com vendas relevantes no e-commerce porque o agravamento da pandemia vai fazer com que as pessoas utilizem ainda mais o ambiente online”, declarou a líder de Ebit|Nielsen.

Black Friday e Cyber Monday também cresceram este ano

Ainda de acordo com a Ebit|Nielsen, os dois dias da Black Friday 2020  (26 e 27 de novembro) fecharam com vendas totais de R$ 4,02 bilhões no e-commerce. Segundo a companhia, esse número representa um crescimento de 25,1% em relação ao ano passado.

O levantamento aponta que foram mais de seis milhões de pedidos gerados, 15,5% superior a 2019, e um ticket médio de R$ 652, 8,3% maior do que o período anterior. Apenas na sexta-feira, o faturamento ficou em R$ 3,1 bilhões (+24,8%), impulsionado por 4,6 milhões de pedidos (+15,7%) e um ticket médio de R$ 679 (+7,8%) --todas as comparações com o mesmo dia do ano passado.

A Ebit/Nielsen avaliou que a Black Friday 2020 mostrou um novo comportamento tanto do consumidor, quanto das empresas. As ações de "esquenta" para a data deste ano ganharam muita relevância. "O e-commerce e as pessoas utilizaram todo o período de novembro para encontrar bons preços e fechar bons negócios", afirmou Julia Avila. "Isso mostra que um esquenta Black Friday mais forte é uma tendência para os próximos anos", previu.

Para se ter uma força de todo o período, entre 19 a 27 de novembro, o faturamento foi de R$ 6 bilhões, 30,1% a mais que as vendas de 2019, quando o valor registrado foi de R$ 4,6 bilhões. Nesses dias, incluindo o esquenta, foram gerados 10,63 milhões de pedidos, quase 20% superior a 2019.

E a exemplo da Black Friday, a edição 2020 da Cyber Monday também apresentou resultados positivos. Segundo levantamento da realizado pela Neotrust/Compre&Confie - empresa de inteligência de mercado focada em e-commerce - a data registrou vendas de R$ 702,7 milhões, aumento de 41,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo a pesquisa, o crescimento está relacionado, principalmente, à maior quantidade de pedidos realizados: 1,5 milhão de compras foram feitas na última segunda-feira (30), um acréscimo de 37,6% em relação à mesma data de 2019. Ainda segundo o documento, os consumidores tiveram um ticket médio de R$ 462,13 nas compras, variação de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

 “O consumidor está cada vez mais experiente para comprar online e conhece formas de economizar em datas sazonais", destaca André Dias, fundador da Neotrust/Compre&Confie. "Muitos usuários acompanharam os preços de produtos durante toda a Black Friday e conseguiram economizar em promoções adicionais que foram disponibilizadas pelos varejistas durante a Cyber Monday”. 

A pesquisa aponta ainda que a maior parte das compras foi feita por consumidores entre 36 e 50 anos (34,7% do total de pedidos), seguida pela faixa etária de 26 a 35 anos (32,3%) e por aqueles de até 25 anos (18,7%). Por último, estão os consumidores com 51 anos ou mais (14,4%). A idade média de compradores é de 37 anos. Na divisão por gênero, o público feminino comprou em maior quantidade, totalizando 58% das vendas. Já os homens, representaram 52% da totalidade.

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