Ativistas preparam protesto global contra a Amazon

Ativistas preparam protesto global contra a Amazon

Por Rui Maciel | 29 de Novembro de 2020 às 12h00
Divulgação/Amazon

Um grupo internacional de ativistas climáticos, aliados a trabalhadores de armazéns da Amazon, lançou uma campanha online global, cujo objetivo é pressionar a gigante do e-commerce a oferecer melhores condições de trabalho para seus funcionários e, na sequência, reduzir também a pegada de carbono, que se encontra em expansão.

A ação leva o nome de Make Amazon Pay ("Faça a Amazon Pagar", na tradução livre) e deve ganhar corpo a medida que a Amazon começa a expandir sua força de trabalho mundo afora, na esteira da pandemia e das datas varejistas de final de ano, como a Black Friday e Natal.

“Durante a pandemia Covid-19, a Amazon se tornou uma corporação de um US$ 1 trilhão, com o CEO Jeff Bezos se tornando a primeira pessoa na história a acumular US$ 200 bilhões em riqueza pessoal”, afirma a campanha em seu site oficial. “Enquanto isso, os funcionários dos armazéns da Amazon arriscavam suas vidas como trabalhadores essenciais e enfrentavam ameaças e intimidação se reivindicassem por seus direitos a um salário justo.”

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Site da campanha "Make Amazon Pay": exigências por melhor condições trabalhistas e redução da pegada de carbono (Captura da imagem: Rui Maciel)


A campanha foi lançada na Black Friday e traz uma lista de exigências para a Amazon. Isso inclui aumento de salários para os trabalhadores em seus centros de distribuição, extensão de licença médica remunerada e permissão para trabalhadores se organizarem em sindicatos. Além disso, a ação também incumbe a Amazon de “se comprometer com emissões zero de carbono até 2030” e retribuir a sociedade ao “acabar com as parcerias com forças policiais e autoridades de imigração que são institucionalmente racistas", além de “pagar impostos integralmente nos países onde a atividade econômica real ocorre . ”

Presença de pesos-pesados do ativismo

A Make Amazon Pay traz uma série de entidades internacionais, bastante atuantes pelos direitos dos trabalhadores, bem como pela melhora nas condições climáticas. Entre elas, estão a Progressive International, Amazon Workers International, 350.org, Greenpeace, entre outras. Com a presença de tantas organizações de renome, os responsáveis pela campanha planejaram uma série de demonstrações em diversos países ao redor do mundo, onde, claro, a Amazon atua. “Hoje é um dia de ação global com greves, protestos e outras ações em cinco continentes”, disse James Schneider, diretor de comunicações da Progressive International, ao The Verge.

A primeira manifestação começou com uma greve em Sydney, na Austrália, afirmou Schneider. Outras ações - algumas pessoalmente e outras online - estão planejadas para acontecer nas Filipinas, Bangladesh, Índia, Alemanha, Polônia, Espanha, Luxemburgo, França, Grécia, Reino Unido, Estados Unidos e muito mais. Os organizadores projetaram o slogan “Make Amazon Pay” nos prédios da Amazon em Londres, Berlim e Hyderabad. Além disso, a hashtag "#MakeAmazonPay" está listada no site da campanha e aqueles que apoiam a iniciativa podem assinar uma petição no site para “falar diretamente a Jeff Bezos”.

“Estamos pedindo às pessoas que adicionem seus nomes a essas demandas e que possam contribuir financeiramente para os fundos de greve dos trabalhadores da Amazon”, diz Schneider. “Então, hoje é apenas o início da campanha. Nosso objetivo é construir o fundo de greve para permitir mais greves e protestos após este dia de ação. ”

Protestos em má hora

A Make Amazon Pay chega em um momento especialmente atribulado para a gigante do e-commerce. A pandemia criou um aumento na demanda pelos serviços de compras online da companhia, o que a obrigou a expandir exponencialmente sua força de trabalho em 2020. Atualmente, a empresa fundada por Jeff Bezos emprega mais de 1,2 milhão de funcionários globalmente. Entre janeiro e outubro deste ano, ela precisou contratar 427,3 mil trabalhadores, segundo informações do jornal The New York Times, um crescimento de 35,6%.

Funcionário da Amazon em armazém da empresa: quase 20 mil contaminados pela COVID-19 (Foto: divulgação)

No início da pandemia, os trabalhadores da Amazon fizeram protestos na tentativa de fazer a empresa levar o COVID-19 a sério. Em outubro, a Amazon revelou que quase vinte mil de seus funcionários da linha de frente contraíram o coronavírus. No Dia de Ação de Graças, a Amazon disse que forneceria bônus de feriado para seus trabalhadores: aqueles que atuarem em tempo integral na data receberão US$ 300; já os colaboradores que trabalharem por meio período ganharão US$ 150.

O que a Amazon diz

Em e-mail enviado ao The Verge, a Amazon respondeu à campanha ativista, reiterando a efetividade de suas ações no combate a COVID-19 junto aos seus funcionários, sua promessa climática de 2040, além de afirmar que seu salário-base e benefícios para os trabalhadores estão acima da média. “Encorajamos qualquer pessoa interessada nos fatos a comparar nosso salário e benefícios gerais, bem como nossa velocidade em administrar esta crise, com outros varejistas e grandes empregadores em todo o país”, afirmou Lisa Levandowski, porta-voz da companhia.

Fonte: The Verge  

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