Amazon Prime no Brasil faz varejistas perderem R$ 5 bi em valor de mercado

Por Rui Maciel | 10 de Setembro de 2019 às 20h30
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O lançamento do Amazon Prime no Brasil causou um rebuliço na Bolsa de Valores do país: isso porque as ações de algumas das maiores varejistas nacionais despencaram com o anúncio da chegada do serviço de entregas com frete gratuito ilimitado da Amazon. No total, B2W (controladora da Americanas.com e Submarino), Via Varejo (Casas Bahia e Ponto Frio), Lojas Americanas e Magazine Luiza perderam, juntas, R$ 4,8 bilhões em valor de mercado.

As ações da B2W recuaram 4,83% (ou R$ 1,09 bi), enquanto os da Via Varejo tiveram desvalorização de 3,28% (R$ 298 milhões); os papeis do Magazine Luiza foram os que sofreram maior perda: 4,97% (R$ 2,59 bilhões). As Lojas Americanas, por sua vez, foi a que sofreu o menor recuo: 3,2% (R$ 897 milhões). Juntas, o valor de mercado dessas empresas é de R$ 103,8 bilhões.

Analistas consideram queda pontual e não veem grandes mudanças

Em declaração ao jornal O Globo, Flávio Byron, sócio da Guelt Investimento, afirmou que essa queda nos papeis das varejistas é pontual. Segundo ele, as quedas observadas nesta terça-feira são reflexo de um susto inicial. "É uma gigante global do varejo entrando no mercado local. Ainda assim, o Brasil é grande o suficiente para ter espaço para a Amazon e todas as empresas tradicionais do setor. Com isso, a queda de hoje tende a ser revertida nos próximos pregões".

Já analistas do banco BTG, de acordo com o Money Times, avaliaram que este é mais um movimento de expansão dos negócios da Amazon no país e que essa pressão em cima das varejistas mais tradicionais será mais forte no curto prazo. No entanto, os especialistas afirmaram que as varejistas locais vêm investindo em aumento de tráfego e sortimento em suas plataformas, além de um melhor nível de serviço, “os quais são, em nossa visão, três pilares fundamentais para se ter sucesso no e-commerce brasileiro e que fazem com que estejam mais bem preparados para a consolidação do mercado local”.

Já ao site InfoMoney, os analistas do banco XP declararam que o Amazon Prime ainda é restrito com relação ao número de produtos ofertados e quantidade de cidades com entrega em dois dias úteis. Dessa forma, os especialistas da instituição "não veem grandes mudanças no cenário competitivo online com esse anúncio, mas reconhem que o lançamento do Prime reforça o posicionamento e estratégia da Amazon para o Brasil".

O Bradesco BBI reforça o posicionamento do XP, afirmando que os serviços do Prime não são superiores a seus principais pares em termos de prazos de entrega, custo, cidades cobertas e gama de produtos. Seus analistas avaliam que a Amazon provavelmente fará melhorias em suas ofertas ao longo do tempo, mas concorrentes locais também estão em constante evolução (o Magazine Luiza, por exemplo, passou a ofertar entrega em 24 horas em São Paulo). "Também questionamos até que ponto o consumidor brasileiro está aberto a pagar uma assinatura pela entrega de e-commerce quando houver tanto frete grátis disponível", avaliam. No entanto, eles afirma que se este novo cenário se consolidar, também se espera que os concorrentes ofereçam mais serviços de frete grátis.

O que traz o Amazon Prime?

O Amazon Prime é um serviço de entregas com frete gratuito ilimitado e sem valor mínimo, em que o usuário paga uma taxa única mensal, de R$ 9,90 (ou R$ 89,90 por ano, economizando 25%). Além das entregas, ele terá acesso ainda a uma série de serviços focados em entretenimento, como o já conhecido Prime Vídeo, o Prime Music, o Prime Reading e o Twitch Prime.

Para saber como o funciona o Amazon Prime em detalhes, clique aqui. E para testar o produto gratuitamente por 30 dias, clique aqui.

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