O que é e como funciona o Bitcoin

Por Andressa Neves | 17 de Dezembro de 2020 às 16h10

Depois do boom das moedas virtuais em 2017, provavelmente você acabou ouvindo falar em Bitcoin. Senão, com certeza está tendo esse primeiro contato agora, já que a modalidade financeira vem sendo considerada uma das mais rentáveis do ano após retornar a um patamar acima dos US$ 20 mil por unidade, algo que não acontecia há três anos, e acumular um retorno de mais de 250% para os investidores até novembro.

Pioneira no segmento, ela segue sendo a principal criptomoeda do mundo, mantendo seu patamar e número de adeptos mesmo com um mercado que possui cada vez mais opções e possibilidades. Utilizada anteriormente por apaixonados por tecnologia, seu crescimento da moeda despertou a atenção de investidores em todo o mundo. Mas afinal, o que é Bitcoin?

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Assim como o dólar ou o real, o Bitcoin é uma moeda, mas que funciona de forma completamente digital. Você não verá notas circulando por aí, enquanto a emissão desta modalidade financeira não é feita por nenhum Banco Central. Ela nem mesmo existe no mundo material, mas sim, é gerada por sistemas computacionais de forma descentralizada e criptografada, o que garante a segurança dos dados.

Como conseguir Bitcoins

O processo de criação de um Bitcoin é chamado de “mineração”. Desde 2009, qualquer pessoa que tivesse o software poderia “minerar”, mas a partir do crescimento da moeda, o número de adeptos dessa prática foi reduzido, ficando a tarefa de criar Bitcoins restrita apenas para quem tem computadores com hardware robusto - e ainda assim, a tarefa compensa cada vez menos, devido ao tempo de processamento exigido e os gastos com energia elétrica e manutenção.

O sistema foi desenvolvido para que sejam produzidas apenas 21 milhões de unidades em todo o mundo, e quanto mais são produzidas, mais difícil fica essa geração de novas moedas. Sendo assim, de moeda digital, apenas, as Bitcoins cada vez mais se tornam um fruto de investimento e especulação, com um acelerado mercado de venda e compra de moedas que, em muitos casos, se assemelha bastante às casas de câmbio tradicionais.

Mais estabelecimentos passaram a aceitar pagamentos em Bitcoins, o que ajudou a popularizar a moeda enquanto investidores viam a modalidade com entusiasmo (Imagem: Reprodução/UnionPay)

Estabelecimentos também passaram a adotar as Bitcoins para compras online, com produtos e serviços sendo comercializados em troca das moedas, como acontece com qualquer outra transação financeira. É mais um reflexo do crescimento do mercado e, também, de sua popularização, que como dito, vai cada vez mais além, apenas, dos adeptos da tecnologia.

Os Bitcoins ficam armazenados em uma carteira virtual, gerada ao usuário no momento de seu cadastro em um dos vários sistemas desse tipo disponíveis. Como dito, esta é uma plataforma descentralizada, e sendo assim, o usuário é livre para escolher o software que deseja utilizar para armazenar suas moedas. Depois, é emitido um endereço com letras e números que deverá ser utilizado para a efetivação das transações. 

Outro ponto interessante é que todas as transações de Bitcoin podem ser vistas por qualquer pessoa. É possível verificar os valores das transferências e os números das carteiras responsáveis pelos negócios, como forma de validar os negócios e garantir a confiabilidade do sistema, ainda que as identificações diretas dos responsáveis seja mantida no anonimato.

Todo esse volume de dados é armazenado em um sistema chamado de blockchain, que também funciona de forma descentralizada. O banco de dados, se o podemos chamar assim, é trocado e armazenado nos mesmos dispositivos usados para mineração e processamento das Bitcoins, como forma de conferência e garantia de autenticidade das moedas. Tudo é criptografado para garantir a segurança e a confiabilidade. 

Quanto vale o Bitcoin

Assim como a cotação de moedas tradicionais, o valor do Bitcoin varia de acordo com a demanda. Quanto maior a procura, maior o valor. A volatilidade e a descentralização ainda fazem com que muitos especialistas considerem um investimento em Bitcoins como sendo de alto risco, mas os entusiastas refutam essa ideia apontando o crescimento cada vez maior no valor e a confiabilidade do sistema.

Em 2017, o número de usuários da moeda alternativa saltou de 3 a 6 milhões em abril para 10 a 20 milhões no final do ano. Apesar das oscilações de cotação, a moeda chegou a atingir o patamar de US$ 18 mil (aproximadamente R$ 59 mil, na cotação da época). Em 2020, como dito, ela já ultrapassa a casa dos US$ 23 mil, pouco mais de R$ 116 mil em uma conversão direta.

O futuro do Bitcoin

É interessante notar que, mesmo com o aumento na popularidade por meio da aceitação por mais estabelecimentos e iniciativas de regulamentação em diferentes países, alguns economistas mantêm olhar cético sobre o futuro do Bitcoin. Para eles, é possível que o mundo esteja vivendo um momento de euforia que logo deve passar, enquanto outros embarcaram de cabeça nessa felicidade e já projetam as criptomoedas como um dos grandes investimentos para 2021.

Entre a chegada de novos investidores, incluindo empresas de renome e personalidades do mundo financeiro, está esse novo ciclo de altas que, pelo menos por enquanto, não parece dar sinais de redução. Por outro lado, como um ativo descentralizado, os Bitcoins estão mais suscetíveis à flutuações como as que já aconteceram antes, por isso, a recomendaç!ão, principalmente para quem está começando, e de cautela.

A ideia, então, é entrar com cuidado no mercado e sempre levar em conta os riscos, no caso de um investimento, ou o custo-benefício se a escolha for pela mineração. Vale, da mesma forma, para todo tipo de investimento e o Bitcoin, apesar de já ter alguns bons anos de vida, ainda é visto como uma novidade, cheia de possibilidades mas também de temores para o futuro.

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