Moeda digitais emitidas por bancos privados no Brasil não terão 100% de lastro

Moeda digitais emitidas por bancos privados no Brasil não terão 100% de lastro

Por Diego Marques | Editado por Claudio Yuge | 13 de Junho de 2022 às 23h00
pixabay/joelfotos

Após a criação do Real Digital previsto para ser lançado no segundo semestre de 2022, os bancos poderão usar os depósitos dos clientes para emitir mais de suas próprias moedas digitais (conhecidas como tokens ou “stablecoins”). Isso quer dizer que nem toda moeda emitida pelo sistema bancário terá lastro 100% garantido no real digital. A obrigatoriedade com só será exigida para empresas de pagamento.

Conhecida como “reserva fracionária”, essa prática, segundo o BC, continuará ativa com a chegada do real digital. Após receber os depósitos dos clientes, os bancos poderão emitir suas próprias moedas digitais, descontando o valor da reserva fracionária.

Atualmente, os bancos podem usar os depósitos dos clientes para se alavancar por meio do chamado multiplicador bancário. Isso acontece da seguinte maneira: quando um cliente realiza um depósito, o banco trava parte do dinheiro depositado e usa o restante para tomar um empréstimo no Banco Central.

Esse empréstimo volta para o banco como um depósito; e o novo montante pode ser convertido em outro empréstimo. Isso quer dizer que o valor inicial multiplica-se, permitindo efetuar vários empréstimos, alavancando as operações da instituição financeira.

Real digital terá mesmo processo de reserva fracionária

Esse mesmo processo que hoje é praticado no sistema atual vai se aplicar ao real digital. Quando um banco captar depósitos, sob a forma de moeda digital ou convencional, poderá emitir tokens e alavancar suas operações também com a chegada do Real digital.

Um problema desse sistema é que se todos os clientes aparecerem de uma vez para converter seus tokens em real digital ou convencional, não haverá dinheiro para todo mundo. Porém, esse risco é diminuído quando as instituições bancárias possuem patrimônio como garantias. Portanto, quando o capital dos clientes estão bem investidos e existe capital suficiente no banco para absorver quaisquer perdas, esses riscos são minimizados.

Fonte: Valor 

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