Maior bolsa de criptomoedas do mundo pode ter usado informação privilegiada

Maior bolsa de criptomoedas do mundo pode ter usado informação privilegiada

Por Roseli Andrion | Editado por Claudio Yuge | 22 de Setembro de 2021 às 14h30
Unsplash/Executium

Maior bolsa de criptomoedas do mundo por valor de mercado, a Binance estaria sendo investigada nos EUA pelos crimes de manipulação de mercado e uso de informações privilegiadas para a negociação de ativos. Clientes da corretora compram e vendem tokens digitais diariamente — as negociações são de dezenas de bilhões de dólares e não passam por autoridades regulatórias.

Segundo reportagem da Bloomberg autoridades americanas expandiram as frentes de trabalho para apurar a atuação da companhia além da oferta de títulos não registrados. Essa atividade supostamente inclui o uso de dados de clientes para negociar criptoativos de forma fraudulenta.

Imagem: Reprodução/Unsplash/Executium

A Comissão de Negociação de Commodities Futuros (Commodity Future Trading Commission – CFTC), que supervisiona o mercado por lá, procura testemunhas para confirmar que a Binance ou seus funcionários teriam negociado de maneira oculta, antes de executar ordens de clientes. Com isso, teriam tirado proveito do movimento antes que ele ocorresse.

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Os investigadores suspeitam que a Binance teria facilidade de acessar milhões de transações de clientes — uma vantagem competitiva no mercado em que atua. Por enquanto, a CFTC não emitiu comunicado sobre a suposta investigação.

Em nota, a Binance diz que tem “política de tolerância zero para informações privilegiadas e um rígido código de ética”. Mesmo assim, não nega as acusações. Segundo a empresa, seu processo interno identifica e responsabiliza aqueles que usam seus cargos para agir contra o interesse dos clientes.

Acusação no Twitter

Há um mês, um perfil anônimo no Twitter se apresentou como ex-funcionário da corretora e a acusou de liquidar operadores de propósito. Isso ocorre quando o mercado se move na direção contrária da aposta do negociante e corrói as garantias depositadas na conta.

Na época, ele disse que a empresa costumava alterar preços artificialmente para liquidar os operadores e, assim, ficar com as garantias. A empresa nega as acusações e diz que vai à Justiça contra o denunciante.

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Em maio deste ano, o Departamento de Justiça (DoJ) e o Serviço de Receita Interna (Internal Revenue Service – IRS), órgão americano equivalente à Receita Federal brasileira, passaram a investigar a Binance. O objetivo é apurar crimes de lavagem de dinheiro e sonegação de impostos.

As entidades suspeitam que usuários da corretora usariam criptomoedas para esconder dinheiro vindo de atividades ilícitas (como tráfico de drogas). A companhia, entretanto, não foi formalmente acusada de cometer crime.

A empresa se prepara para se adequar às regras de compliance para poder abrir seu capital nos EUA. A ideia é captar mais que a Coinbase, a primeira corretora de criptomoedas a figurar na bolsa de valores de Nova York (NYSE). Para isso, está disposta até a optar por um modelo hierárquico tradicional com sede física — já que isso agrada muito mais aos reguladores.

Fonte: Bloomberg, Reuters

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