Fundador da Mozilla vê fraudes em NFTs, mas diz que são um "mal necessário"

Fundador da Mozilla vê fraudes em NFTs, mas diz que são um "mal necessário"

Por Alveni Lisboa | Editado por Douglas Ciriaco | 01 de Fevereiro de 2022 às 11h12
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O fundador do JavaScript, da Mozilla e do navegador Brave, Brendan Eich, disse que os tokens não fungíveis (NFTs) são parte de uma "bobagem" que precedeu historicamente as grandes transformações da web mundial. Ele considera que os tokens são uma distração dos objetivos de longo prazo da Web 3.0, porém fundamental para a evolução do meio digital.

Em entrevista ao TechRadar, Eich ressaltou que esse movimento é normal por introduzir os estágios iniciais de um novo modelo de internet, já que ninguém sabe ao certo como ela será. “Especialmente com NFTs, há alguma tolice nisso… e sempre houve um lado fraudulento também. No entanto, havia muitos sites bobos e golpes nos primeiros dias da Web 1.0 e da Web 2.0”, declarou.

Esses desenhos são parte da coleção de NFTs mais valiosa do mundo: os mais baratos custam milhares de dólares (Imagem: Reprodução/Bored Ape Yacht Club)

O programador entende que esse é um processo natural de evolução que ajudam a pavimentar a estrada para essa desconhecida Web 3.0, baseada em propriedade digital e descentralização das operações. O blockchain, embora atrelado à criptomoedas, hoje já tem aplicabilidade prática em várias áreas que necessitam transitar informações com segurança ou de forma anônima.

É exatamente por isso que o navegador Brave apoia ativamente as criptomoedas e os NFTs, inclusive com carteira embutida para facilitar o uso. O programa é construído sobre um modelo de publicidade focado no Basic Attention Token (BAT), uma moeda digital que recompensa usuários por visualizar anúncios, porém sem coletar cookies ou invadir a privacidade.

Projetos conflituosos de NFTs e criptos

O criador do Javascript diz, contudo, que a tendência ao chamado tribalismo pode ser problemática na cultura das criptomoedas. O tribalismo é uma referência à imensa quantidade de comunidades — redes, moedas, coleções — que criam subculturas rivais entre si, em vez de tentar unir forças para atrair mais investidores. “Há pessoas que estão super entusiasmadas com seu projeto e o veem como o único caminho verdadeiro. Não estou aqui para condenar ninguém em particular na comunidade, mas acho que esse tribalismo cultual pode ir longe demais”, ressalta.

Por fim, Eich diz acreditar ser um espaço bastante complicado e conflituoso para a maioria das pessoas. Segundo ele, há muito dinheiro envolvido e tudo funciona na base da confiança, o que ainda deixa muita gente hesitante em conhecer melhor esse universo.

O navegador Brave recompensa usuários por ver propagandas com criptomoedas (Imagem: Reprodução/Brave)

O termo Web 1.0 é usado para descrever a forma inicial da internet, baseada em poucos sites recheados de textos e hyperlinks. Já a Web 2.0 é o momento atual, caracterizado pela participação ativa dos usuários no processo de criação do conteúdo — via redes sociais, blogs e plataformas colaborativas.

A chegada da Web 3.0 deve se mover para um sistema de descentralização, fim das barreiras intermediadoras (de bancos, países e leis), maior privacidade do usuário e foco na posse de ativos digitais. Nesse contexto, os defensores do modelo acreditam que a tecnologia blockchain terá papel fundamental na equação do sucesso, mas ainda é cedo para ter qualquer certeza.

Fonte: TechRadar  

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