Criptomoedas | O que são shitcoins?

Criptomoedas | O que são shitcoins?

Por Dácio Castelo Branco | Editado por Claudio Yuge | 27 de Janeiro de 2022 às 22h20
Art Rachen/Unsplash

Com a popularidade do mercado de criptomoedas aumentando, é comum que novas pessoas que desejam começar a investir nesse setor se deparem com muitos termos confusos e desconhecidos. Entre eles, está o shitcoin, também conhecidos como moedas inúteis.

O termo shitcoin (moeda de merda, em tradução livre) é uma palavra utilizada para descrever criptomoedas que existem, mas não propõem nenhum tipo de solução ou vantagem para seus investidores. Normalmente, elas podem ser cópias de projetos cripto já existentes, mas com os principais benefícios removidos.

E mesmo as que não são cópias de projetos já existentes costumam trazer alguma solução de problemas presentes em outros ativos ou benefícios para seus investidores. Mesmo assim, por inúmeros motivos, uma parcela notável de entusiastas do setor de ativos digitais acaba comprando tokens de shitcoins. Explicamos alguns dos principais a seguir:

Investidores de shitcoin

Investidores enxergam em shitcoins uma forma rápida de lucrar. (Imagem: Reprodução/Pixabay)

Como explicamos na introdução desta matéria, as shitcoins não trazem benefícios para seus investidores, diferentemente de outros ativos, como o Bitcoin, que tem desenvolvedores proativos e suas funções descentralizadas. Porém, no caso dos "ativos inúteis", algo pode atrair entusiasta do mercado: a valorização dos tokens.

As shitcoins podem se valorizar rapidamente e em seguida passarem por quedas bruscas, já que os especuladores querem garantir os ganhos no curto prazo, o que faz com que investidores que saibam do funcionamento desse mercado acabem optando por injetar dinheiro nessas moedas. Além disso, como a maioria desses ativos digitais não tem limite de tokens em circulação, todo o seu valor é fruto de especulação do mercado.

Em especial, quando elas são lançadas, elas podem atrair um maior número de especuladores, o que resulta em uma elevação temporária de seus valores até uma primeira queda — geralmente ocorrendo quando os investidores vendem seus ativos para conseguir um lucro rápido. Tudo isso vai criando um cenário onde o preço da criptomoeda é totalmente atrelado a especulação do mercado.

Por outro lado, o aumento de valor de shitcoins também pode acontecer por conta de interpretações erradas do mercado. Um caso conhecido ocorreu na última quarta-feira (26), quando o McDonald's respondeu à solicitação feita por Elon Musk de começar a aceitar o Dogecoin como uma forma de pagamento.

Na resposta, a rede de fast food disse que só aceitaria o ativo caso a Tesla, empresa de Musk, começasse a aceitar a criptomoeda GrimaceCoin, aparentemente inspirado em uma mascote do restaurante, como forma de pagamento. O problema é que até o tweet do McDonald's, esse ativo não existia, com mais de 20 criptoativos com o mesmo nome sendo criados depois e chegando a ter extrema valorização por conta da brincadeira — configurando-as como shitcoins.

Como identificar uma shitcoin

Dogecoin é uma das principais shitcoins no mercado de criptomoedas. (Imagem: Reprodução/Unsplash)

A identificação de shitcoins pode ser realizada a partir de atenção do investidor em alguns detalhes característicos dessas criptomoedas, mas frisamos que podem ter casos onde ativos digitais serão classificados como moedas inúteis, mas não terão as características abaixo. Confira:

  • Moedas pré-mineradas: é importante prestar atenção se os tokens da moeda já foram minerados, já que normalmente isso pode indicar um maior controle dos desenvolvedores no ativo, como comum em shitcoins, facilitando golpes;
  • Desenvolvedores anônimos: não consegue achar informações sobre os criadores do criptoativo? Pode ser que eles mantenham o anonimato por já serem conhecidos por criar outras shitcoins, fique de olho;
  • Tokens para os desenvolvedores: muitos tokens estão na posse dos desenvolvedores? Desconfie, pois pode ser indicativo de um futuro esquema de rug and pull;
  • Não oferecem soluções: as altcoins, nome dado a criptomoedas legítimas que não são o Bitcoin (BTC), são caracterizadas por oferecerem soluções para os problemas do BTC ou inovações ao setor. Por outro lado, as shitcoins não oferecem nada, simplesmente existindo.
  • Atualizações falhas de código: poucas atualizações e todas com falhas são indicativos que os desenvolvedores não estão pensando muito nos possíveis investidores, mas sim procurando uma forma rápida de lucrar;

No fim, shitcoins já fazem parte do mercado de criptomoedas e, mesmo muitas vezes podendo causar grandes prejuízos, é possível que elas se mantenham como uma peça recorrente nesse setor. Por isso, caso decida investir em ativos digitais, fique atento.

Fonte: Investidor Sardinha, Portal do Bitcoin

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