Gears of War: Ultimate Edition e o verdadeiro significado da palavra remake

Por Victor Alcaide Teixeira

Lançado há quase uma década para Xbox 360, Gears of War se tornou um dos principais produtos da Microsoft, assim como o protagonista Marcus Fenix adquiriu o posto de brutamontes mais querido do universo dos games. Originalmente liberado em 2006, o primeiro título da série definiu a sétima geração de consoles, inclusive sendo rotulado por diversos veículos especializados como melhor jogo do ano.

A desenvolvedora Epic Games não poupou esforços para transformar a ambiciosa ideia em realidade: uma narrativa comovente e brutal, com efeitos visuais impressionantes que exploravam todo o potencial do hardware do Xbox 360, trilha sonora original e um inovador sistema de cobertura que, mais tarde, se tornaria referência para jogos do gênero.

Gears of War Ultimate Edition

Depois de nove anos e quatro Gears lançados, a Microsoft resolveu ressuscitar o clássico em versão repaginada para proporcionar uma experiência digna de nova geração no Xbox One. Em Gears of War: Ultimate Edition, o jogador tem a oportunidade de apreciar a história que deu início à guerra entre seres humanos e locusts.

Embora seja essencialmente o mesmo game, há novidades significativas em relação ao conteúdo, como cinco missões inéditas destinadas ao esquadrão Delta, bem como aprimoramentos no sistema de saves e ainda uma modalidade feita para jogadores casuais que pretendem avançar na trama sem grandes esforços. O material adicional também inclui uma série de histórias em quadrinhos concebida para explicar de forma minuciosa os acontecimentos que envolvem o desolador universo da franquia.

As melhorias implementadas ao sistema de salvamento automático foram pontuais, porém bastante relevantes, uma vez que não será mais preciso retroceder ao trecho inicial do capítulo após um locust ter pipocado o herói com a escopeta Gnasher, por exemplo. Isso significa que o gameplay está, de fato, bem menos frustrante e muito mais dinâmico.

Gears of War Ultimate Edition

Mesmo jogo, novas experiências

Por se tratar de um remake e não de uma simples remasterização, a parte estética do Gears of War: Ultimate Edition foi totalmente retrabalhada para assegurar uma experiência nova aos usuários experientes e surpreender os novatos com características visuais de cair o queixo. Quem foi que disse que o Xbox One não consegue rodar jogos a 1080p e 60 fps? O remake é a prova viva de que o console mais recente da Microsoft não só consegue reproduzir títulos em alta resolução, como também é capaz de manter a jogatina completamente estável e livre de quedas bruscas na taxa de frames.

O título roda a lisos 1080p e travado em 60 quadros por segundo no modo multijogador, o que reflete em uma fluidez absurda na movimentação dos personagens, inimigos e explosões dos cenários. A quantidade de detalhes nos estágios também merece ser ressaltada, visto que agora temos diversos objetos de composição e um número maior de camadas de textura para evidenciar a beleza da ambientação pós-guerra.

Ainda que alguns jogadores experientes possam torcer o nariz para o padrão gráfico mais claro e composto por cores mais vívidas, a Ultimate Edition conseguiu manter intacta a atmosfera sombria e inescrupulosa que popularizou a versão original. De fato, o remake foge das paletas de cores acinzentadas e traz tonalidades que se aproximam da realidade, o que é não é um aspecto ruim, já que agora os efeitos de iluminação são ainda mais impressionantes e as feições dos personagens exibem detalhes preciosos - acredite, até os poros dilatados do rosto do protagonista podem ser notados.

Gears of War Ultimate Edition

A jogabilidade, por sua vez, foi reestruturada para se adequar perfeitamente aos padrões dos shooters modernos. Dentre as tantas novidades que foram implementadas ao sistema de combate, agora há um assistente de mira para facilitar a "trocação" de tiros. Além disso, a velocidade dos disparos foi ajustada para intensificar os embates, assim como a movimentação dos brutamontes, que agora é mais fluida e precisa.

Gears of War: Ultimate Edition não seria um remake completo se não trouxesse o consagrado modo multiplayer, que fez a Xbox Live deslanchar de vez na época. No total, são mais de 19 mapas remodelados para a nova versão, incluindo um novo mapa voltado ao modo dois contra dois. Tecnicamente falando, as únicas alterações explícitas são visuais, uma vez que os mapas atuais permaneceram com a mesma estrutura dos clássicos, como War Machine, Canals, Gridlock e Courtyard.

Para não dizer que não há mudanças relevantes na modalidade online, os jogadores podem se aventurar pelos novos Team Death Match e King of the Kill com os mais de 17 personagens jogáveis de Gears of War 3, que são desbloqueados ao longo da jogatina.

Vale a pena?

O nostálgico remake do primeiro Gears of War nada mais é do que uma versão maior, melhor e mais bonita de um clássico que envelheceu muito bem. Com uma belíssima campanha cinematográfica, um sistema de combate que funciona de forma exemplar e o multiplayer competitivo gratificante que marcou a geração do Xbox 360, a jornada repaginada chega para dar sobrevida ao corpulento mascote da Microsoft. Felizmente, agora temos alguns exércitos de locusts para aniquilar no Xbox One até o lançamento de Gears 4.

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