Compositor revela como foi criado o som de inicialização do PlayStation

Por Rafael Rodrigues da Silva | 06 de Dezembro de 2019 às 17h53
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Ficha técnica

No começo do mês de dezembro, comemoramos 25 anos do lançamento do primeiro PlayStation, um dos videogames mais influentes da história. Assim, muitas publicações de games estão usando a data para escrever histórias sobre a importância do console e revelar curiosidades sobre ele. Uma entrevista publicada na última quinta-feira (5) com Takafumi Fujisawa revelou como aquele som clássico da logo do PlayStation foi criado.

Fujisawa revela que ele criou o som praticamente sozinho, com a Sony apenas mostrando para ele a animação que ele iria sonorizar (o logo da Sony que aparecia ao ligar o console, seguido pelo logo do PlayStation quando o disco do jogo era lido com sucesso) e mais nada, deixando ele totalmente à vontade para criar a composição que achasse melhor. O músico brinca que ele até teria preferido que a Sony passasse mais detalhes sobre o projeto, já que uma das coisas mais difíceis para quem trabalha com sonorização é não ter nenhuma base sonora já definida sobre a qual trabalhar.

Como Fujisawa já fazia parte do processo desde antes da ideia do PlayStation estar finalizada (ou seja, desde quando o console ainda era um protótipo desenvolvido em parceria com a Nintendo), ele não teve uma “data limite” para quando essa sonorização deveria ficar pronta, mas revela que todo o processo de imaginar a estrutura musical, pensar nas notas que iria usar e escolher os instrumentos durou cerca de duas semanas, e a gravação em si foi feita em apenas dois dias.

Como ele já fazia parte do projeto desde o início, o músico tinha conhecimento que o chip sonoro do console utilizava a técnica ADPCM para executar sons polifônicos, então ele não precisa se preocupar em criar uma sequência sonora em um único tom, e podia deixar a imaginação correr. Por isso, o resultado criado foi inspirado no trabalho de uma orquestra, pois assim ele poderia não apenas expressar diversas emoções ao jogador como aindo mostrar o próprio poder do PlayStation perante outros consoles de videogame, já que esse tipo de som era uma novidade para a época. A única restrição que ele tinha era quanto ao tamanho do arquivo, já que esse som não ficava arquivado no CD dos jogos, mas sim na própria memória interna do console, e por isso era necessário que este arquivo fosse o mais compacto possível.

A ideia do compositor era a de iniciar todo o processo sonoro com um tom mais ameno, com o objetivo de não assustar o usuário de cara quando ele ligasse o videogame. Esse tema inicial logo é cortado por uma escala de C (dó maior) que serve para preparar o jogador para o “momento principal”, que é a transição para o logo do PlayStation. Essa transição é seguida então por barulhos de sinos e instrumentos de corda, e então uma última nota indica o fim da inicialização e que, a partir dali, você estará já dentro do jogo.

Fujisawa afirma que sua intenção sempre foi contar uma história, que começa com “você ligou seu videogame”, passa por “se prepare para a aventura” e finaliza com “todos os sistemas estão funcionando, agora você pode aproveitar o seu PlayStation”. Até o som meio sussurrado na transição entre os logos foi pensado como algo que, caso o videogame não conseguisse ler o CD, podia ser algo pra ficar rodando em loop, indicando para o jogador que “algo de errado não está certo” e que seria legal tentar algo como desligar o videogame e limpar o CD.

Mesmo 25 anos depois e tantas inovações tecnológicas depois, essa sequência de inicialização do primeiro PlayStation ainda é uma das melhores de qualquer console lançado, e ainda hoje é possível notar toda a preocupação existente com sua criação dele. Iuvir a história que Fujisawa quis contar em cada nota faz a gente querer ligar o PlayStation de novo!

Fonte: PlayStation Blog

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