Microsoft lança "Azure in a Box" e diz que “ama o Linux”

Por Redação | 21 de Outubro de 2014 às 14h54

Facilitar a transição dos negócios do mundo físico para a nuvem é o objetivo da Microsoft com seu mais recente anúncio. Na segunda-feira (21), durante um evento que contou inclusive com a participação do CEO Satya Nadella, a empresa revelou o Cloud Platform System (CPS), um dispositivo físico desenvolvido em parceria com a Dell que traz as mesmas aplicações disponíveis no Azure.

A ideia aqui é garantir que as aplicações possam ser rodadas localmente e a sincronização com a rede seja feita de forma automática. Fazem parte do pacote, que vem sendo carinhosamente chamado de Azure-in-a-box, aplicativos como o HyperV, Windows Systems Center e o Azure Pack, marcando a chegada da Microsoft também no mundo da infraestrutura física como serviço.

Mas acima de tudo isso, existem mais razões para esse movimento. A questão não é apenas entregar uma marca consagrada e se unir a uma fabricante reconhecida no mundo corporativo. A ideia da Microsoft, indo além, é se diferenciar de rivais como o Google e a Amazon, oferecendo às empresas a possibilidade de continuar gerenciando sua infraestrutura mais ou menos como ela é hoje, na mesma medida em que faz o salto para o mundo do cloud computing.

Já existem fornecedores de soluções desse tipo no mercado, é verdade. Empresas como a HP, a Rackspace e a VMWare já fornecem soluções para companhias que queiram criar suas “nuvens privativas”. Mas agora, é a primeira vez que uma empresa de grande porte e com uma gigantesca estrutura entra nesse negócio, com grandes expectativas.

Trata-se de uma ideia que surgiu em conversas com o mercado. Segundo o CTO do Azure, Mark Russinovich, muitos executivos têm informações confidenciais que eles não querem compartilhar com a nuvem, sistemas legados ou, ainda, simplesmente não estão prontos para fazer essa mudança. É por isso mesmo que a Microsoft está investindo no CPS, como uma forma de atrair novos clientes e mostrar que essa transição não é tão drástica e complicada como pode parecer. As informações são do site CIO.

Além de fornecer o equipamento e também o espaço em seus servidores, a Microsoft promete dar suporte para negócios de todos os tamanhos na instalação da nova tecnologia. A ideia é auxiliar as companhias a otimizarem o trabalho e garantir que não existam problemas de disponibilidade e funcionamento no uso do Azure, além de explicar quais são as ofertas que a nuvem possui e de que maneira elas podem tornar os negócios mais ágeis e conectados.

Amizade com o pinguim e foco no crescimento

E foi justamente desse investimento na integração que veio o segundo anúncio feito por Nadella nesta segunda. Dizendo que “ama o Linux”, uma frase que a gente normalmente não espera ouvir de um diretor da Microsoft, o CEO anunciou que máquinas virtuais rodando CoreOS agora serão aceitas pelo Azure, levando o total de distribuições suportadas a cinco.

A ideia aqui, mais uma vez, é ampliar cada vez mais o rol de possíveis clientes e garantir que todos tenham uma boa experiência na nuvem. A Microsoft sabe que exigir mudanças de sistema não é o ideal para que a transição aconteça, e acredita que é responsabilidade das empresas fornecedoras desse tipo de serviço se adequar as necessidades de seus clientes. O suporte ampliado ao Linux é parte desse posicionamento.

Outras novidades incluem mais espaço para máquinas virtuais, que agora possuem o dobro da memória disponível nos concorrentes, e também um armazenamento “premium” com 32 TBs de espaço e capacidade para até 50 mil IOPS. Ambas são novidades focadas em empresas de porte gigante, que precisam de muita disponibilidade e acesso constante a seus bancos de dados.

Segundo Nadella, ainda, a Microsoft está trabalhando com o olhar no longo prazo. De acordo com ele, mais de 300 novas funcionalidades foram adicionadas a seus serviços de cloud computing apenas na história recente, e a ideia é continuar expandindo o portfólio de soluções, com um investimento que já soma US$ 4,5 bilhões anualmente.

O objetivo final é continuar crescendo. De acordo com dados revelados pela Microsoft, 80% das empresas da lista das 500 maiores da Fortune já utilizam algum tipo de solução Azure e, em 2014, a expectativa é que esse mercado gere US$ 4,4 bilhões em receita. Para o ano que vem, a empresa quer mais e, de acordo com Nadella, não para de trabalhar para que isso aconteça.

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