Tudo o que você precisa saber sobre sonambulismo

Tudo o que você precisa saber sobre sonambulismo

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 18 de Outubro de 2021 às 12h40
Degroote-Stock/Envato

Você provavelmente já ouviu falar sobre sonambulismo, um distúrbio de comportamento que se resume no ato de se levantar e caminhar durante o sono. Apesar de geralmente não apresentar consequências graves para os pacientes, há diversas preocupações acerca desse quadro. Por isso, o Canaltech reuniu especialistas para esclarecer as principais dúvidas sobre esse assunto.

Sonambulismo e qualidade do sono

Segundo Renata Faria Simm, neurologista do Imuno Américas, o sonambulismo se manifesta durante o estágio mais profundo do sono, o sono de ondas lentas, não-REM, e é considerado uma parassonia. "O sonâmbulo realiza atividades motoras sem ter consciência plena do que está fazendo, uma vez que parte de suas funções cerebrais continua adormecida, e ele permanece num estado de transição entre o sono e a vigília", explica.

Na grande maioria, o sonâmbulo repete ações rotineiras, estereotipadas (como abrir portas e janelas, manipular objetos, trocar de roupa), sem a interferência direta do cérebro, o que pode resultar em acidentes, como quedas, ferir-se com a faca que usou para cortar um alimento durante a crise de sonambulismo, além do impacto social, pois muitas vezes gera episódios de constrangimento quando o sonâmbulo dorme fora de casa, por exemplo.

Começa na infância

De acordo com Jofre Cabral, diretor médico da UTI Neonatal da Perinatal Rede D'or de Laranjeiras, o sonambulismo pode se iniciar na infância, entre 3 e 7 anos de idade, numa fase de grande amadurecimento e desenvolvimento do sistema nervoso central. Pode ser gerado pela genética ou "estresse, ansiedade, durante episódios febris, noites mal dormidas, alterações respiratórias como a apneia do sono e asma brônquica e até por refluxo gastroesofágico". Geralmente acontece cerca de 2 horas após a criança dormir. Tende a desaparecer na adolescência, mas pode se manter até a vida adulta. 

Os pais devem manter a criança tranquila

Segundo Doutor Clay Brites, pediatra e neurologista infantil do Instituto NeuroSaber, os episódios de sonambulismo na infância são estressantes para os pais e geram muita ansiedade por causa dos riscos de acidente. O que se deve fazer: proteger a criança e levá-la para o quarto, falar baixo e delicadamente com ela. "Evite acordá-la e a mantenha tranquila", afirma o especialista, que recomenda regular e estabilizar os horários de sono criando uma rotina para a criança dormir, evitar uso de medicamentos e de alimentos estimulantes e não agitar nem excitar a criança ao final do dia.

(Imagem: korneevamaha/envato)

É preciso tomar alguns cuidados

Renata reforça alguns cuidados devem englobar o ambiente e a rotina do sonâmbulo:

  • Trancar portas e janelas e retirar as chaves das fechaduras
  • Colocar telas ou grades de proteção nas janelas
  • Bloquear acesso a escadas
  • Não dormir na parte superior de beliches
  • Guardar facas e tesouras em locais de difícil acesso
  • Retirar móveis e objetos em que a pessoa possa tropeçar
  • Não ingerir bebidas alcoólicas
  • Evitar atividades perto da hora de dormir que mantenham o paciente em estado de alerta, como computador, celular, videogame, televisão, etc.
  • Cultivar hábitos saudáveis, como alimentação balanceada e a prática de atividade física para reduzir o estresse

A especialista também recomenda manter o ciclo de sono e vigília: "O paciente deve ir para cama sempre no mesmo horário, todos os dias, incluindo finais de semana", afirma. Além disso, uma dica é evitar automedicação: "Alguns medicamentos, ao invés de ajudarem, comprometem mais ainda a qualidade do sono", acrescenta a especialista.

Não há tratamento específico

Segundo os especialistas consultados pelo Canaltech, não há um tratamento específico para o sonambulismo, mas podem ser utilizadas medicações que controlem a tensão e ansiedade e atuem sobre o padrão do sono, como os benzodiazepínicos e alguns antidepressivos. "Incentivar o tratamento não medicamentoso é fundamental com técnicas de relaxamento e psicoterapia. Crises de sonambulismo associadas às doenças, como a apneia do sono, asma, refluxo gastroesofágico e febre, respondem bem quando as causas de base são tratadas adequadamente", aponta Renata.

Fonte: Com informações de Instituto do Sono

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