Executivos adotam rotinas diárias com muito trabalho e poucas horas de sono

Por Ares Saturno | 21 de Dezembro de 2018 às 17h50

No final de agosto, o polêmico Elon Musk deixou a Internet chocada ao publicar que ninguém muda o mundo trabalhando apenas 40 horas por semana. Em 2007, um artigo sobre Musk no site estrangeiro Inc. já trazia menções ao estilo de vida workahollic do executivo, explicando que "para atravessar o dia", ele confiava em dois estimulantes: "a cafeína e o desejo de ajudar a humanidade a colonizar Marte". Musk contou, à época desta publicação, que já chegou a ficar tão louco de café que sentiu que estava perdendo a visão periférica. Mas a exaustão não faz com que o executivo se dedique menos às atividades que desempenha, sendo que seus colegas de trabalho contam que às vezes é necessário chamar seu nome duas ou três vezes antes de obter uma resposta do CEO, quase sempre absorto entre suas ideias de vanguarda e o multitasking corporativo: é creditada à Musk a habilidade de responder e-mail enquanto lê outros documentos, fazer reuniões ao mesmo tempo que fala ao telefone e manda mensagens aos seus cinco filhos.

Como pode ser visto na reprodução abaixo, Musk recentemente reafirmou seu jeitinho workahollic de ser, acrescentando que "quando você ama o que faz, isso (praticamente) não parece trabalho".

A genialidade e o sono

Elon Musk é bastante inovador, mas não foi ideia dele regular os hábitos de sono para conseguir produzir mais. Na verdade, dormir pequenas quantidades de tempo, quebrando a rotina de sono em diversos cochilos ao longo do dia, é uma técnica relacionada a gênios da humanidade como Leonardo da Vinci e Nikola Tesla. Segundo registros históricos, eles não chegavam a dormir porções de duas ou três horas por cochilo, mas faziam os conhecidos Power Snaps ao longo do dia e da noite, dormindo apenas algum minutos para alavancar a capacidade intelectual.

O arquinimigo de Tesla, Thomas Edison, não queria ficar para trás. Ele acreditava que dormir era uma perda de tempo e também era adepto do sono polifásico, nome que ficou conhecido o hábito de tirar pequenos cochilos equidistantes de tempos em tempos. Wolfgang Mozart dormia apenas de uma da matina até às seis da manhã, ocupando todo o tempo restante com suas composições. Os escritores franceses Voltaire e Honoré de Balzac tomavam muito café e não dormiam mais de quatro horas por noite. Na política estrangeira, Benjamin Franklin ficou conhecido pela máxima "Cedo na cama, cedo no batente. Faz o homem saudável, próspero e inteligente", dormindo das 22h às 4h; Margareth Thatcher causou problemas para seu sucessor no cargo de Primeira-Ministra, John Major, uma vez que acostumou a administração pública a tê-la sempre disponível, uma vez que a dama de ferro dormia apenas quatro horas por noite; assim como o atual Presidente estadunidense, Donald Trump, que descansa apenas por três horas no período noturno.

Infográfico mostra os hábitos de sono de personalidades da história humana (Imagem: Divulgação / BigBrandBeds / Trampos)

De acordo com Claudio Stamp, autor do livro Why We Nap (inédito no Brasil e que pode ter o título livremente traduzido como "Por que cochilamos"), lançado em 1992, Tesla dormia 15 minutinhos a cada período de 4 horas. Isso seria equivalente a dormir cerca de uma hora e meia por dia. O cientista chegava a ser repreendido por seus professores, que pediam a intervenção da família por acreditarem que a privação de sono poderia danificar a saúde de Tesla. Ele continuou com o costume mesmo assim.

Leonardo da Vinci, provavelmente o nome que primeiro vem à mente quando pensamos em produção abundante, também era adepto das sonequinhas de 15 minutos de quatro em quatro horas. Pensando que o gênio não poderia estar enganado sobre os benefícios que o hábito traria, o Instituto de Fisiologia Circadiana de Boston, nos EUA, pediu que voluntários de 27 anos de idade adotassem a rotina de sono supostamente levada por Da Vinci por um período de nove dias, a fim de testar se o método das pequenas sonequinhas tinha impacto na produtividade — e na saúde. Posteriormente submetidos a testes de raciocínio, cálculo e memória, os voluntários trouxeram uma conclusão surpreendente: a diminuição drástica do sono não impactou negativamente a capacidade cognitiva dos participantes do estudo.

Descansar e delegar

Não são todos os executivos que concordam com a abdicação das horas de sono em prol do aumento da produtividade. Entre os defensores de uma boa noite de descanso está Richard Branson, presidente e fundador do Virgin Group, que cedeu conselhos não requisitados a Elon Musk em entrevista ao site estrangeiro CNBC: "Penso que talvez ele precise apender a arte de delegar", opinou o executivo. "Ele precisa arranjar tempo para ele mesmo, para sua saúde e sua família. Ele é uma pessoa maravilhosamente criativa, mas não deve dormir tão pouco. Tem que encontrar uma equipe fantástica que o rodeie".

Desde novinho, Musk vê o trabalho como uma questão de satisfação pessoal e dedica todo seu tempo à atividade (Imagem: Reprodução / Pinterest) 

Aparentemente, a conclusão que podemos tirar é que ser um empreendedor de sucesso muitas vezes exige que conheçamos nossos próprios corpos e recursos, sabendo quais são os limites e como não ultrapassá-los. Respeitar-se, principalmente num mercado de trabalho competitivo e que exige cada vez mais sacrifícios da vida pessoal em favorecimento à produtividade, é importante encontrar o equilíbrio, sempre se atentando para o que é uma exigência predatória externa e o que é busca pessoal por realização profissional.

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