Os 10 melhores filmes sobre serial killers de verdade

Por Laísa Trojaike | 18 de Março de 2021 às 12h35
Netflix/Media 8/Lorimar/Maljack

Sabemos que são terríveis, mas alimentamos um sombrio gosto por serial killers. A ficção está repleta deles, que são a base de muitos filmes slashers, como O Maníaco (William Lustig, 1980) e Pânico (de Wes Craven, 1996), e de clássicos como Psicose (de Alfred Hitchcock, 1960), Seven: Os Sete Crimes Capitais (de David Fincher, 1995) e Silêncio dos Inocentes (de Jonathan Demme, 1991).

Fã de A Tortura do Medo (de Michael Powell, 1960) e questionadora das bizarrices humanas, pergunto-me se não há um certo grau de voyeurismo macabro em quem gosta de ver um cara que faz roupas de pele humana, por exemplo. Ouso dizer, inclusive, que precisamos questionar o sadista que há dentro de nós, seja porque gostamos de filmes sobre assassinos, seja porque assistimos ao sangrento noticiário local – e, nesses casos, quanto não temos do personagem de O Abutre?

A verdade é que, quando vemos um caso fictício ou real de serial killer, ele geralmente nos fascina como algo que parece estar além da nossa compreensão. Humanos como nós, os assassinos em série parecem nos fascinar também porque extrapolam as noções de certo e errado, invocando o maniqueísmo “bem versus mal” que não é muito adequado a outros assuntos.

A ficção nos concede o conforto de se permitir gostar de algo que é definitivamente mal socialmente (ainda que justificável psicologicamente). Na ficção podemos apreciar uma morte esteticamente, porque sabemos que ninguém foi de fato ferido, que aquele sangue é cenográfico e que aquele assassino está limitado às possibilidades do filme: é tudo “apenas” imagem e som.

O documentário, por outro lado, nos mostra uma interpretação de fatos, com arquivos que existem, mas não nos mostra os assassinatos em si, restando muitas dúvidas sobres os atos: Como o serial killer agia? Como interceptava suas vítimas? Como matava? E, o mais curioso, como não era rapidamente capturado? A ficção baseada em fatos une o melhor dos dois mundos: a história é assustadora, porque é real, mas também podemos ver a recriação livre e artística, fiel ou não, de um personagem absolutamente macabro.

10. Sangue no Gelo

Antes de tudo, um alerta: este é um filme com Nicholas Cage, ou seja, vai na fé. Neste filme, ele interpreta o detetive Jack Halcombe, que está investigando os crimes de Robert Hansen (John Cusack), um serial killer que há 13 anos aterroriza uma cidade do Alasca. O filme traz ainda Vanessa Hudgens (High School Musical) como Cindy Paulson, uma mulher que conseguiu sobreviver ao assassino.

Escrito e dirigido por Scott Walker, Sangue no Gelo não é um filme que agrada muita gente, mas está aqui porque é bom sairmos dos serial killers de sempre. Uma curiosidade nos indica ainda outro filme de serial killer (ficcional): John Cusack, cansado de fazer comédias românticas, aceitou dois papéis de serial killer, um em Obsessão (2012) e o outro em Sangue no Gelo (2013).

Sangue no Gelo está no catálogo do Globoplay.

9. Do Inferno

Baseado na aclamada grapfic novel de Alan Moore e Eddie Campbell, Do Inferno se permite reimaginar os crimes de Jack, O Estripador. Nunca capturado, o Estripador ficou no imaginário dos fãs pelo mistério que envolve sua figura, "feito" alcançado também pelo Zodíaco.

Ambientado na Londres da Era Vitoriana, Do Inferno acompanha as investigações do excêntrico Inspetor Frederick Abberline, interpretado por um Johnny Depp ainda não-cancelado. Na direção, Albert Hughes, que também esteve à frente de O Livro de Eli e Alfa, além de ser o diretor de dois clipes do 2Pac ("Trapped" e "Brenda's Got a Baby") e de dois clipes do Korn ("Here To Stay", "Thoughtless").

As referências do diretor somadas à graphic novel indicam um pouco o tipo de estilização que você verá em Do Inferno, o que significa que esta não é uma boa indicação para quem está procurando filmes mais realistas.

8. Henry: A Sombra de Um Assassino

O não tão conhecido Henry Lee Lucas rendeu um dos mais elogiados filmes do gênero, com Michael Rooker (The Walking Dead, Guardiões da Galáxia) no papel principal. O filme é tão visceral que é um dos poucos que atinge o gênero terror, ao invés de ser classificado como drama, suspense, crime ou policial. Aqui não tem muito espaço para a brincadeira de gato e rato entre polícia e assassino: o ponto central é a mente do serial killer.

Michael Rooker, em parceria com o diretor John McNaughton, cria um personagem que vai muito além do mero assassino a serviço de um espectador ávido por sangue. A ideia de que pessoas como Henry possam existir transborda do filme e atinge o que nos é mais caro: nossa vulnerabilidade.

7. Cidadão X

Andrei Chikatilo, também conhecido como Açougueiro de Rostov, O Estripador Vermelho ou O Estripador de Rostov, aterrorizou parte da união soviética entre o final dos anos 1970 e 1990. Produzido pelos EUA em parceria com a Hungria, Cidadão X não é uma visão soviética da história. A direção é de Chris Gerolmo, que na década anterior havia dirigido Mississipi em Chamas.

Além disso, Gerolmo também foi o responsável por escrever o roteiro adaptado a partir do livro de Robert Cullen, autor de "The Killer Department", um livro que acompanha a caçada de oito anos, a captura e a condenação Chikatilo, até hoje considerado o serial killer mais selvagem da Rússia.

Jeffrey DeMunn (o carismático Dale Horvath de The Walking Dead) interpreta o terrível Chikatilo, mas o foco maior é no trabalho do detetive Viktor Burakov, interpretado por Stephen Rea (V de Vingança).

Cidadão X pode ser assistido no HBO GO.

6. O Despertar de Um Assassino

Baseado no quadrinho homônimo de John Backderf, O Despertar de um Assassino é uma perspectiva nova e cativante de um dos serial killers mais explorados pela TV e pelo cinema.

Focado em um Jeffrey Dahmer adolescente, o filme tem a liberdade de explorar as causas da sua condição mental e as primeiras atitudes que davam indícios do que ele viria a ser no futuro. Rapidamente o roteiro passa de uma trama cômica adolescente para algo completamente bizarro e sério, uma abordagem revigorante e nova para o tema.

Muitos filmes costumam mostrar logo de início que os assassinos são maus, terríveis e fazem isso através da caracterização do personagem e das atuações, que geralmente tem um olhar enlouquecido ou incrivelmente frio. O Despertar de um Assassino nos lembra que muitos serial killers também foram, como muitos de nós, crianças e adolescentes problemáticos para os quais ninguém deu atenção.

5. Helter Skelter

Não tão grotesco quanto muitos outros, Charles Manson é notório sobretudo pelo assassinato de Sharon Tate, que, além de atriz, modelo e companheira do cineasta Roman Polanski, também estava grávida de nove meses quando foi atacada pelos membros da Família Manson.

Helter Skelter tem como base direta do roteiro as informações cedidas por Vincent Bugliosi, promotor do caso contra Charles Manson, o que traz para o filme uma sensação de menos ficção. Steve Railsback está completamente insano como Manson e é realmente assustador como ele demonstra que, não importa o que aconteça, saiu ganhando. Muitos anos após o filme, que exagera na dramaticidade da justiça e acentua o fanatismo dos réus, sabemos que Manson continuou muito bem na prisão, namorando, recebendo cartas de fãs e vendendo objetos autografados.

Ainda que com um grande foco no julgamento de Charles e da Família Manson, o filme não deixa de ser gráfico: os assassinatos são explícitos e o sangue é vermelho como somente o ainda recente cinema em cores era capaz de mostrar – em 1971, The Other Side of Madness, de Frank Howard, trouxe o trágico caso para o cinema, mas ainda era em preto e branco.

4. O Bar da Luva Dourada

O trailer de O Bar da Luva Dourada é a melhor apresentação que podemos ter desse filme. O vídeo promocional não apenas indica que é necessário ter estômago forte para assistir, como ostenta uma mistura interessante de louros e críticas que alertam o espectador: este é um filme que talvez você se arrependa de assistir. Somado a isso, a junção do humor sombrio alemão e a tragédia de uma história real, já que o protagonista é o serial killer alemão Fritz Honka.

Bizarro e grotesco até no estilo, o filme é outra obra do premiado roteirista e diretor Fatih Akin, que adaptou o romance de Heinz Strunk. O filme parece gostar de ser controverso e ostenta notas baixas com orgulho, o que, junto à passagem do filme por festivais como o de Berlim, dá ao título um certo status cult. Como O Bar da Luva Dourada é também um filme de terror, além de ser um drama sobre um crime, o filme pode ser uma boa indicação para os fãs de gore e body horror.

O Bar da Luva Dourada está no catálogo do Telecine.

3. Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal

Este é, provavelmente, o título mais popular dos últimos tempos, sobretudo porque Ted Bundy sempre foi um serial killer pop star, o que se deve muito à fama da sua beleza. No cinema, ele chegou na pele do ator Zac Efron, mais conhecido por seu papel como Troy em High School Musical.

Para quem alimentava a ideia de que Efron só fazia papéis de príncipe encantado, ver ele como Bundy pode surtir um pouquinho do efeito que a imagem do próprio Bundy causa: muitas pessoas achavam que ele não tinha "cara de assassino", muito menos do tipo "em série".

Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal foi dirigido por Joe Berlinger, que também dirigiu a série documental Conversando com um Serial Killer: Ted Bundy. O filme é uma adaptação do livro "The Phantom Prince: My Life with Ted Bundy", escrito por Elizabeth Kendall, a ex-namorada de Bundy e responsável pela denúncia que culminou na sua prisão. No filme, ela é interpretada pela atriz Lily Collins, da franquia Os Instrumentos Mortais.

Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal pode ser assistido na Netflix, além de estar disponível para compra na Play Store e para aluguel no Claro Video.

2. Monster: Desejo Assassino

Alguns serial killers têm prazer no que fazem, outros matam por algum tipo de vingança pessoal, alguns são pessoas doentes apenas. Apesar de poderem ser rotulados, eles não são todos iguais e alguns podem não ser o puro mal. Charlize Theron não apenas deu profundas e múltiplas dimensões para Aileen Wuornos: ela ganhou o Oscar de Melhor Atriz.

Escrito e dirigido por Patty Jenkins, o filme tem uma abordagem mais questionadora que muitos filmes do gênero: há uma sensibilização sobre as condições de vida e a situação psicológica da assassina, não apenas um julgamento estereotipado e sensacionalista sobre seus crimes.

Anos depois escolhida para ser a diretora de Mulher-Maravilha, Patty Jenkins demonstra um olhar sobre formas de feminino que é indispensável para uma adaptação da vida de Aileen Wuornos, que declarou seu ódio sobre os homens e sobre a vida como um todo.

Monster: Desejo Assassino pode ser assistido pelos assinantes do Amazon Prime Video.

1. Zodíaco

David Fincher, que, além de ter Seven: Os Sete Crimes Capitais na sua filmografia, também dirige e produz Mindhunter, criou uma verdadeira obra-prima policial com Zodíaco.

Nunca encontrado, o Assassino do Zodíaco é apenas um grande amontoado e quebra-cabeças e mortes que enlouqueceram o norte da Califórnia. Mesmo as mortes não são todas confirmadas. Esse é, portanto, um filme de serial killer que tem quase nada sobre o assassino, mas mostra uma das características que mais nos atraem: sua inteligência e capacidade de brincar com a publicidade e com a polícia sem ser pego.

Além disso, o filme ainda conta com a presença de Jake Gyllenhaal, Mark Ruffalo e Robert Downey Jr., todos com atuações de tirar o fôlego durante as incríveis 2 horas e 37 minutos de filme.

Zodíaco está disponível no catálogo do Globoplay e do NOW, além de poder ser comprado ou alugado na iTunes e na Play Store. No Looke, o título pode ser apenas alugado.

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.