Estreias de dezembro são grandes apostas da Netflix para o Oscar 2021

Por Laísa Trojaike | 15 de Dezembro de 2020 às 19h20
Reprodução/Netflix

Em 2020 a Netflix já lançou Destacamento Blood, de Spike Lee, Os 7 de Chicago, de Aaron Sorkin, e, mais recentemente, Mank, de David Fincher. Além disso, a plataforma está na corrida com outros títulos que chegam agora em dezembro: A Voz Suprema do Blues, de George C. Wolfe, no dia 18 (sexta-feira) e O Céu da Meia-Noite, de George Clooney, no dia 23 (próxima quarta-feira).

Para os entusiastas do cinema, o final do ano é geralmente marcado pelas premiações que indicam os possíveis resultados do mais popular evento da indústria, o Oscar. O Academy Awards não deve ser entendido como um atestado de qualidade dos filmes e não são poucas as vezes que a premiação causou revoltas entre os fãs e mesmo entre a crítica especializada, mas, para bem ou para mal, esta continua sendo a premiação de maior status do cinema.

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O Oscar 2021 acontecerá mais tarde, em 25 de abril de 2021, o que significa que ainda há bastante tempo para que filmes sejam lançados e se tornem elegíveis para a premiação. Este ano, no entanto, foi bastante atípico e todos já sabemos o motivo: a pandemia de COVID-19 fechou cinemas, parou produções e adiou muitos dos lançamentos mais aguardados do ano. Diante disso, a Academia se viu diante de um dilema e resolveu aceitar o que, em outros anos, havia sido excluído.

Os humilhados foram exaltados e títulos lançados exclusivamente em plataformas de streaming poderão concorrer ao próximo Oscar. E é assim que a Netflix provavelmente levará algumas estatuetas para casa, depois de ter sido tantas vezes esnobada pela premiação e por muitos profissionais da indústria.

Na categoria de Melhor Filme, sabe-se que a Academia tem uma preferência maior por dramas, mas sempre é possível que haja surpresas, claro. O DW reuniu alguns dos elementos que parecem agradar o juri técnico do Oscar e elegeu alguns pontos que parecem ser o caminho de tijolos dourados até a estatueta.

A probabilidades de ganhar são maiores se a honra e o orgulho se sobrepõem à razão, se o final for sentimental e/ou se o filme tiver uma dose considerável de tragédia. Filmes baseados em acontecimentos reais e grandes adaptações de romances também parecem fazer parte das preferências.

Com o auxílio dos sites GoldDerby e Termômetro Oscar, vamos tentar entender porque as estreias de dezembro, A Voz Suprema do Blues e O Céu da Meia-Noite, são também grandes apostas da plataforma para a premiação.

A Voz Suprema do Blues

Logo de cara, a presença de Chadwick Boseman no elenco chama a atenção. Conhecido por seu papel como protagonista de Pantera Negra, Boseman faleceu este ano e, o que não deveria contar como critério técnico, pode, com razão, ajudar a aumentar o carinho pela obra. A Voz Suprema do Blues foi o último filme do ator, mas não apenas por isso chama a atenção.

Até o momento, o filme passou por duas premiações: o elenco foi o vencedor da categoria no Boston Society of Film Critics Awards e, no Sunset Film Circle Awards, A Voz Suprema do Blues foi indicado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Atri'z (Viola Davis), Melhor Ator (Chadwick Boseman) e Melhor "Conjunto" (Best Ensemble), vencendo na última categoria. Boseman também foi indicado a Melhor Ator no Gotham Awards, cuja premiação acontecerá em janeiro.

Embora a direção de George C. Wolfe e o roteiro de Ruben Santiago-Hudson não chamem a atenção antes da estreia, vale lembrar que pode pesar na premiação o fato de ser um roteiro adaptado da peça de August Wilson, indicado em 2017 ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado por Um Limite Entre Nós.

Na produção, que são os nomes que levarão a estatueta caso a obra ganhe na categoria de Melhor Filme, temos Dany Wolf, Todd Black (também indicado ao Oscar por Um Limite Entre Nós) e Denzel Washington, que concorreu como ator e como produtor de Um Limite Entre Nós, além de somar outras sete indicações como ator, tendo levado duas estatuetas por suas atuações em Dia de Treinamento e Tempo de Glória.

As notas da crítica especializada que já teve acesso ao filme também estão bastante favoráveis: no Rotten Tomatoes, o filme está com a incrível nota de 99% e no Matacritic o filme atingiu 86. Em ambos os sites, o filme não está em alta entre os demais usuários, mas isso não costuma ser exatamente um empencilho para a Academia.

Ainda que A Voz Suprema do Blues não leve a estatueta de Melhor Filme, ainda é provável que seja um forte concorrente nas categorias de Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Figurino, Melhor Maquiagem e Penteados e Melhor Direção de Arte.

O Céu da Meia-Noite

Em O Céu da Meia-Noite, o nome que mais chama a atenção é o de George Clooney, que é uma das personalidades tida em alta estima pela Academia. Seus trabalhos em Conduta de Risco, Tudo pelo Poder e Syriana - A Indústria do Petróleo colocaram Clooney em um patamar altíssimo e sua participação no elenco de qualquer produção passou a ser um selo de qualidade. Seus últimos trabalhos, no entanto, não tiveram a mesma repercussão.

É justamente por isso que O Céu da Meia-Noite, à primeira vista, parece e não parece ser um forte candidato à categoria de Melhor Filme. Clooney já foi indicado seis vezes ao Oscar, tendo vencido na categoria de Melhor Ator por Syriana e, como produtor, na categoria de Melhor Filme por Argo. Em O Céu da Meia-Noite, Clooney é ator, produtor e diretor, o que deixa bastante amplo o leque de categorias às quais ele pode concorrer apenas pelo próprio trabalho.

Até o momento, não há informações de festivais nos quais O Céu da Meia-Noite tenha sido indicado e o site GoldDerby o coloca na 24ª posição na corrida pela indicação à principal categoria do Oscar, enquanto o Termômetro o deixa de fora das dez vagas. Ainda assim, é provável que o filme suba nas estatísticas não só pela presença de Clooney, mas também pelo gênero, que mistura drama, fantasia e ficção-científica, lembrando que as últimas edições do Oscar costumaram trazer filmes com temáticas espaciais.

Os outros nomes envolvidos que chamam a atenção incluem Mark L. Smith, que trabalhou com Alejandro G. Iñárritu em O Regresso e agora assina o roteiro adaptado do livro "Good Morning, Midnight", de Lily Brooks-Dalton. Além disso, O Céu da Meia-Noite conta também com a produção de Grant Heslov, indicado a três Oscars e vencedor por Argo, e de Keith Redmon, indicado ao Oscar por O Regresso.

Ainda que não seja um indicativo de que O Céu da Meia-Noite concorrerá a Melhor Filme, é importante lembrar que a trilha sonora é de Alexandre Desplat, que já coleciona 11 indicações ao Oscar da categoria, tendo vencido por seus trabalhos em A Forma da Água e O Grande Hotel Budapeste.

Se levarmos em conta a recepção da crítica especializada, O Céu da Meia-Noite pode perder as esperanças. No Rotten Tomatoes o filme ganhou a nota de 54% e no Metacritic, onde as notas costumam ser mais baixas, o filme alcançou a mesma marca, indicando que, apesar de tudo, o filme pode ser apenas mediano.

E para você? Qual filme de 2020 da Netflix merece um Oscar?

Fonte: Variety

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