Deepfake rejuvenesce DeNiro em “O Irlandês” com mais realismo que a Netflix

Por Rafael Arbulu | 10 de Janeiro de 2020 às 15h00
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Deepfakes, apesar de todo o estigma criado pela internet entre 2019 e 2020, não são inerentemente ruins — tudo depende da forma como você aplica essa tecnologia. Um exemplo de bom uso desse recurso vem do canal iFake, no YouTube que, em apenas sete dias, conseguiu ter mais prestígio que uma das empresas de maior capital disponível no ramo do entretenimento de vídeo.

Contextualizando: a essa altura, é seguro dizer que quase todo mundo assistiu O Irlandês (e leu a nossa crítica), filme produzido pela Netflix e dirigido por Martin Scorsese, que conta com Robert DeNiro como um de seus protagonistas, certo? Bom, uma parte do longo filme conta com recursos de computação gráfica para deixar DeNiro, hoje com 76 anos, com a cara mais jovem. E conta que Netflix gastou milhões para criar esse efeito, sendo esse o maior custo para produzir o longa, cujo orçamento beirou os US$ 250 milhões.

E o iFake fez esse trabalho melhor em uma semana — segundo a internet, pelo menos.

Em um novo vídeo em seu canal, o youtuber utilizou a ferramenta de deepfake para criar um efeito rejuvenescedor mais verossímil em DeNiro, e a internet não ficou atrás: contando com quase 600 mil visualizações até o fechamento deste texto, o vídeo publicado conta com aprovação majoritária tanto nas curtidas, como nos comentários. Veja você mesmo:

Os elogios não param na opinião dos internautas, com críticos e veículos consagrados endossando a percepção: a Esquire americana disse que o vídeo é “bem melhor do que o que tentaram fazer em O Irlandês” (e dedicando um artigo inteiro sobre isso em seu site), enquanto o canal WhatCulture disse que “[o] iFake consertou o maior problema” do filme.

Alguns comentaristas chegaram a pedir que o iFake refaça todo filme e o relance, enquanto outros disseram que a mudança foi tão bem-feita que DeNiro “se parece muito com ele mesmo na época de Taxi Driver”, fazendo uma alusão a um dos filmes que revelou o ator, quando este tinha 31 anos de idade.

Milhões jogados no ralo

Já não é de hoje que empresas de entretenimento gastam milhares ou milhões de dólares em efeitos cujo resultado final deixa a desejar.

No caso de O Irlandês, o rejuvenescimento de Robert DeNiro feito pela Netflix foi adjetivado pela crítica como “tão ruim que chega a distrair” ou “uma espécie de uncanny valley do inferno” — o termo é usado justamente para definir efeitos de computador que, ainda que realistas em certo grau, causam aversão em quem os assiste.

Outro exemplo prático disso veio em Liga da Justiça: o filme que lançado em novembro de 2017 pela Warner Bros. e a DC Comics foi obrigado a usar efeitos de computação gráfica para animar digitalmente o rosto do Superman, vivido pelo ator Henry Cavill. O motivo: Cavill estava comprometido com o visual de Missão Impossível: Efeito Fallout — seu personagem tinha um corte de cabelo e bigode específicos que, contratualmente, não poderiam ser removidos. E se tem algo que o Superman não tem, convenhamos, é barba. O caso gerou memes nada agradáveis nas redes sociais.

"NÃO É ASSIM QUE QUEIXOS FUNCIONAM, WARNER" - A Internet (Imagem: Reprodução/The Telegraph)

Enquanto isso, uma tecnologia aberta, disponível gratuitamente e, aparentemente, simples de ser manuseada, vem colocando o empresariado cinematográfico de joelhos. Definitivamente, uma interessante percepção.

E agora, Hollywood?

Fonte: Business Insider; Esquire

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