Crítica | Zumbilândia: Atire Duas Vezes traz diversão com pitadas de nostalgia

Por Natalie Rosa | 22 de Outubro de 2019 às 13h37
Divulgação

O ano era 2009, o quase fim de uma década em que a temática zumbi estava muito em alta — e The Walking Dead ainda nem havia estreado. A década de 2000 nos trouxe filmes como Todo Mundo Quase Morto em 2004, paródia de Madrugada dos Mortos, de Zack Snyder, lançado no mesmo ano e que é um remake do filme de 1978. Assistimos também a REC (2007) e REC 2 (2009), Planeta Terror (2007), de Robert Rodriguez, e, claro, Zumbilândia (2009).

Eis que 10 anos se passaram do lançamento de Zumbilândia e uma continuação parecia impensável, visto que os zumbis já não são mais populares assim, The Walking Dead já não tem mais todo o prestígio do início e a comédia já se reinventou mais uma vez. Porém, isso aconteceu e nós devemos agradecer pela nostalgia e risos proporcionados.

Cuidado! Daqui em diante este texto pode conter spoilers sobre o filme.

Agora batizado de Zumbilândia: Atire Duas Vezes, a saga segue na direção de Ruben Fleischer (Venom, Loja de Unicórnios) e não perde nada da essência de uma época na qual sentimos saudades. Assim como na vida real, cerca de 10 anos se passaram na história e nossos sobreviventes ao apocalipse zumbi continuam firmes e fortes na estrada. Para quem se apegou aos personagens, é muito bom saber que o quarteto está são e salvo.

Imagem: Divulgação

As coisas agora estão um pouco diferentes. Little Rock (Abigail Breslin) agora é uma jovem adulta, Columbus (Jesse Eisenberg) e Wichita (Emma Stone) continuam sendo um casal, e Tallahassee (Woody Harrelson) segue um "lobo solitário". Aliás, falando sobre o elenco principal, vale destacar que durante esse período Emma Stone conquistou um Oscar graças a sua atuação em La La Land.

Voltando à continuação, a história começa com o que parece ser rotina para o grupo, em um mundo em que poucos sobreviveram e os lugares se tornaram cidades-fantasma, e o pontapé inicial acontece quando eles encontram a Casa Branca. Logo no início do filme, sentimos uma satisfação em ver que pouca coisa mudou, afinal, sem uma sociedade, internet, emprego e estudos, como algo iria evoluir? Nossos queridos personagens curtem todos os aposentos do que já foi a residência dos presidentes dos Estados Unidos — menos Donald Trump, que deve ter se tornado o pior dos zumbis. Aliás, prepare-se para algumas piadas com o nosso mundo real, algo que eles nunca viveram, como quando alguém sugere um serviço de caronas com desconhecidos e ainda faz uma crítica aos taxistas.

Novos dramas, mesma fórmula da época

Durante uma década, de fato, a vida do quarteto é aquilo que aparece nos filmes: invadindo casas, comércios, encontrando lugares seguros para dormir, matando muitos zumbis e lutando para sobreviver. Mas o segredo de Zumbilândia, sendo exatamente o que era há 10 anos, é exatamente o que faz a nova comédia ser tão grandiosa quanto o primeiro filme.

Tem romance? Sim, tem romance, e não só entre Wichita e Columbus. E o que seria uma história de amor sem drama, não é mesmo? Se você se lembra da personagem no primeiro filme, sabe que ela tinha um acordo com a irmã, Little Rock, de que sempre seriam elas por elas. Então, não pense que ela se acomodou tão fácil assim, apesar de tanto tempo.

Imagem: Divulgação

Outra característica das comédias ou comédias românticas adolescentes dos anos 2000 são os personagens cheios de estereótipos e caricatos. Em meio a todo um drama entre Wichita e Columbus, Little Rock e Wichita, conhecemos dois novos personagens: Madison (Zoey Deutch) e Berkeley (Avan Jogia).

Começando por Madison que, sem dúvidas, é grande destaque da continuação de Zumbilândia, vemos que ela traz todo o estereótipo dos filmes de comédia adolescente dos anos 2000, como Meninas Malvadas, por exemplo. Toda de rosa, cabelo loiro bizarramente arrumado para quem vive em um apocalipse zumbi, sotaque forçado e irritante, além de uma ingenuidade que, no decorrer do filme, vemos que não torna a personagem com menos personalidade.

Imagem: Divulgação

Madison é a responsável por diálogos hilários com os personagens já conhecidos e que, à primeira vista, traz um pouco de desconforto pelo estereótipo forçado e pelo conflito com Wichita, mas que, com o decorrer da trama, se torna essencial para a evolução do personagem. Ela é a responsável, inclusive, pela maioria das gargalhadas causadas pelo filme.

Conhecemos também Berkeley, um jovem que Wichita e Little Rock conhecem na estrada. O rapaz também força do estereótipo de músico, hippie e que gosta das coisas "naturais", por assim dizer.

Imagem: Divulgação

Outro momento bastante divertido da trama é quando o grupo vai até que o que foi a casa de Elvis Presley, que conta com os pertences reais do “Rei do Rock”. Lá, vemos o cenário de algumas das cenas mais divertidas de todo o filme e também o lugar em que três novos personagens são apresentados: Nevada (Rosario Dawson), Albuquerque (Luke Wilson) e Flagstaff (Thomas Middleditch), estes últimos idênticos em aparência e personalidade com Tallahassee e Columbus. Albuquerque tem aquele sotaque do interior e senso de liderança, enquanto Flagstaff é um ótimo “Robin” para o seu “Batman”, e também um pouco obcecado pelas regras de sobrevivência ao apocalipse zumbi.

Imagem: Divulgação

T-800 - O zumbi Exterminador do Futuro

Em alguns momentos, parece que os zumbis em si, em ossos e tripas, acabam ficando em segundo plano, mas uma curiosidade que surge no decorrer dos minutos de filme mostra que não, então não espere que poucos cérebros serão explodidos dessa vez, mesmo que agora seja muito mais difícil.

Como 10 anos se passaram, assim como humanos, animais e plantas, os mortos-vivos se adaptaram ao seu habitat e acabaram evoluindo. Sendo assim, eles estão cada vez mais ágeis e resistentes. Eles são apelidados carinhosamente de T-800, fazendo referência ao Exterminador do Futuro, devido a sua força e destreza.

Zumbilândia: Atire Duas Vezes não traz só comédia, mas muitas tripas e cérebros de zumbi explodidos, tudo isso misturado a cenas de ação de fazer qualquer um roer as unhas de nervosismo, além de uma grande pitada de nostalgia. Não é um filme digno de premiações, muito menos uma grande obra da comédia, mas com o elenco certo e personagens bem construídos, traz um conforto para quem viveu a tendência na época, e é capaz também de fazer você sair do cinema com uma sensação de que obteve o que esperava.

Bônus

Não levante da cadeira assim que começarem os créditos! Poucos segundos depois de começar, o filme traz de volta Bill Murray, que interpreta ele mesmo, em uma cena que traz algumas respostas e um certo conforto para quem acreditava que ele merecia mais espaço no primeiro filme.

Zumbilândia: Atire Duas Vezes chega aos cinemas de todo o Brasil no dia 24 de outubro.

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.