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Crítica Rivais | Zendaya estrela romance sedutor e intenso como um jogo de tênis

Por| Editado por Durval Ramos | 24 de Abril de 2024 às 14h05

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MGM
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Firmando-se como um diretor de ótimos títulos — haja visto Me Chame Pelo Seu Nome e Até Os Ossos —, Luca Guadagnino entrega outra obra-prima para o público. Rivais é seu romance mais comercial, mas que não deixa a poesia de lado para contar a história de três tenistas que se relacionam dentro de quadra e fora dela, esbanjando tesão e rivalidade.

Na trama, Zendaya é Tashi Duncan, uma atleta de alto nível que teve que se aposentar precocemente devido a uma séria lesão no joelho. Só que, ao invés de sair das quadras, ela apostou em se tornar treinadora de Art (Mike Faist), seu marido e atleta mediano que tem enfrentado dificuldades para ganhar dos adversários, mesmo aqueles que têm nível mais baixo de técnica.

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Decidida a dar mais uma chance ao amado e fazer com que ele recupere a confiança em si mesmo, ela o inscreve em um torneio regional chamado Challenger (o mesmo nome do filme em inglês), onde, por acaso do destino, eles cruzam com Patrick Zweig (Josh O'Connor), ex-melhor amigo de Art e ex-namorado de Tashi. 

Com essa premissa em mãos e um time de atores poderosos em cena, Guadagnino avança e retrocede no tempo sem medo de tornar a história confusa e, de fato, marca um ponto digno de um Grand Slam. A trama passeia pelo presente (2019) e passado (2006) com a tranquilidade de uma bola de tênis que vai de um lado para o outro da quadra, e mostra como a dupla conheceu Tashi e como ambos caíram de amores por sua beleza e sensualidade.

A construção da narrativa não linear é fundamental para não entregar o desfecho logo de cara e convidar o público a entrar em um jogo onde não existe certo e errado, apenas três pessoas cheias de desejos — tanto sexuais quanto profissionais. Zendaya assume seu papel mais maduro e oscila com facilidade entre a mocinha tenista, a mulher treinadora e mãe de uma filha pequena. A atriz provou que está pronta para encarar papéis maiores, especialmente no drama, onde deixa a emoção fluir com mais facilidade.

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Mas é Faist (Amor, Sublime Amor) e O'Connor (O Domingo das Mães) quem realmente constrõem o tesão do longa. Os dois têm química tanto nas quadras quanto no jogo de sedução, e a risadinha discreta que O’Connor empresta ao seu Patrick atiça tanto Tashi quanto quem está sentado na cadeira do cinema.

Há momentos em que a tensão sexual é quase palpável e parece que, se o espectador levantar as mãos, conseguirá tocá-la. Vale dizer que ela é inerente aos três. Embora a bissexualidade de Patrick seja mostrada de maneira bem discreta, quem prestar atenção à trama entenderá seu desejo tanto pelo colega quanto pela ex-estrela do tênis.

Tão natural quanto o suor escorrendo no rosto

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Rivais tem uma infinidade de acertos, mas o principal deles se reflete no jogo de câmeras. Guadagnino opta por contrastes entre planos fechados e abertos, cenas aceleradas e outras em slow motion que destacam as gotas de suor caindo do rosto e escorrendo pelo pescoço e tronco, convidando o público a fazer, com os olhos, o mesmo trajeto. Tudo é sensual, mas nada é erótico e explícito.

Talvez, por isso, o filme seja tão lascívo, porque trabalha com a imaginação. Praticamente não tem nudez e, quando tem, vai na contramão das produções hollywoodianas e opta por exibir os homens ao invés de hipersexualizar Zendaya.

Também não perde tempo com histórias paralelas e nem dá destaque para personagens coadjuvantes. Em quadra (ou melhor, em cena), apenas o trio, uma bola e algumas raquetes. Tudo isso somado a uma sonoplastia sensacional que mescla Caetano Veloso cantando em espanhol e uma trilha eletrônica crescente que cria uma tensão capaz de rivalizar com a monotonia do esporte.

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Outro elogio vai para o time de caracterização, que não poupou esforços para mostrar a passagem do tempo. Das roupas aos cabelos, tudo muda quando o trio envelhece e isso é fundamental para situar o espectador na história. O cabelo ondulado de Zendaya, por exemplo, é inversamente proporcional à sua maturidade, e a barba mal feita de Patrick reflete a sua péssima situação financeira.

Enfim, se Rivais será ou não o filme que dará uma estatueta do Oscar para Zendaya, ainda é cedo para saber, mas ele tem todo o potencial para levar o diretor até a premiação.