Publicidade
Economize: canal oficial do CT Ofertas no WhatsApp Entrar

Crítica Hypnotic: Ameaça Invisível | Pura confusão mental

Por| Editado por Durval Ramos | 17 de Janeiro de 2024 às 18h00

Link copiado!

Divulgação/Diamond Films
Divulgação/Diamond Films

Hypnotic: Ameaça Invisível é o tipo de filme que, no papel, parece apresentar boas ideias. A história de um policial traumatizado que se vê envolvido em uma trama de mistério, com agentes com poderes psíquicos e que traçam o destino da humanidade, parece grandioso e cheio de reviravoltas, quem sabe até criando uma trama que poderia se desenvolver em mais filmes.

Na prática, Hypnotic é um filme confuso, que parece ter sido atuado para cumprir tabela e com as cenas de ação mais sem graça dos últimos tempos, desperdiçando completamente qualquer resquício de boa ideia que ele poderia ter.

Continua após a publicidade

O filme estrelado por Ben Affleck (Air: A História por trás do Logo) e Alice Braga (Novos Mutantes) começa interessante, mas vai se perdendo em uma aparente falta de vontade de todos os envolvidos que chega a ser impressionante.

Um detetive traumatizado e pessoas com poderes

Hypnotic: Ameaça Invisível começa com uma sessão de terapia de Danny Rourke, um detetive que se consulta para voltar à ativa após o sequestro de sua filha pequena. Rourke, interpretado por Affleck, estava em um parque com a criança, que desapareceu misteriosamente e nunca foi encontrada.

Continua após a publicidade

A denúncia de um possível roubo de banco leva Rourke e seu parceiro ao encontro de um misterioso homem. Esse homem, interpretado por William Fichtner (Prison Break), demonstra ter um poder de falar poucas palavras para uma pessoa e fazer com que ela passe a agir sem controle algum.

Isso faz com que o caos tome conta do banco, onde Rourke consegue impedir o roubo de uma caixa que contém apenas uma foto e um nome. O que chama atenção do detetive é que a foto é a de sua filha desaparecida.

Até esse ponto, o filme parece interessante, apesar da atuação completamente desligada de Affleck no papel principal. É perceptível desde a sua primeira cena até o final o quanto o ator parece que está com a cabeça em qualquer outro lugar do mundo, menos no seu trabalho no longa. Tudo vai no piloto automático, o que prejudica, mas mostra que o começo da história tem valor, já que ainda prende o espectador.

Continua após a publicidade

As coisas começam a se perder quando ele cruza o caminho de Diana Cruz, interpretada por Alice Braga. A atriz brasileira tenta fazer o que pode com o papel, que parece ingrato por ser basicamente alguém que precisa explicar toda a trama para Rourke e, por tabela, para o público.

Por conta disso, ela acaba demonstrando pouca personalidade e conexão, o que prejudica sua participação no filme. Só que é ela que fala sobre a existência de pessoas com poderes psíquicos, capazes de decidir caminhos políticos ao redor do mundo, ficando acima de governos e pessoas influentes. O mais poderoso membro desse grupo se chama Dellrayne, o mesmo homem que participou do roubo de banco frustrado por Rourke.

Então começa um jogo de gato e rato entre o detetive e o vilão, que ainda envolve o desaparecimento da filha de Rourke e um perigo ainda maior para a humanidade.

Continua após a publicidade

Parece grandioso, mas a produção dirigida por Robert Rodriguez (A Balada do Pistoleiro), se mostra pouco inspirada. O diretor ficou conhecido no início de sua carreira por conseguir tirar leite de pedra ao trabalhar com baixos orçamentos, e é perceptível em algumas cenas que ele está tentando fazer algo além do que pode com o dinheiro que tem. O problema é que aliado a atuações feitas no modo automático, seus problemas ficam ainda mais evidentes.

Boa parte das cenas do filme são personagens falando sobre um universo ou como ele funcionam, em vez de mostrar exatamente tudo aquilo acontecendo. Isso acaba matando o ritmo dele, tornando tudo mais arrastado, principalmente na segunda metade do longa.

Continua após a publicidade

Uma reviravolta que misericórdia

Hypnotic sofre de um problema que várias outras ficções científicas sofrem, que é tentar ser mais do que realmente é. Ao pegar elementos usados em outras histórias que deram certa, mas de maneira mal construída, tudo começa a desmoronar com um simples empurrão.

Esse empurrão vem na forma de um plot twist que, no papel, funciona. Você consegue perceber que a ideia em si não é ruim, mas a maneira como tudo é mostrado no filme, é. 

Continua após a publicidade

É injusto falar que Hypnotic: Ameaça Invisível despenca ao tentar ser mais inteligente do que realmente é, mas a maneira como as pontas soltas de sua história se conectam é feita de um jeito tão abrupto e, novamente, com todos atuando de qualquer jeito, passa essa impressão.

Existe uma cena em especial, que não falarei pois seria um spoiler bem grave do filme, mas a ideia dela é realmente muito legal, até mesmo a forma como ela é feita. Só que a forma como chegamos até ela, aliada a um Ben Affleck quase sem vontade de estar ali, acabam com a força que ela poderia ter. 

Um bom jeito de falar sobre do filme é imaginar uma pizza. Você sabe como é uma pizza. Só que o Robert Rodriguez colocou no papel que ela teria mais sabores em cima. Em teoria, esses sabores deixariam a pizza melhor. Na prática, ele colocou um monte de ingredientes que não combinavam.

Continua após a publicidade

Ainda é uma pizza, mas o gosto dela não é tão bom como poderia ser. Isso é Hypnotic: Ameaça Invisível. A ideia é boa, mas a execução é capenga. E ainda tem uma cena pós-créditos para jogar uma bituca de cigarro na sua fatia.

Hypnotic: Ameaça Invisível está disponível no Prime Video.