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Crítica Homem-Formiga: Quantumania | Acomodado na própria pequenez

Por| Editado por Jones Oliveira | 16 de Fevereiro de 2023 às 19h30

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Divulgação/Marvel
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A essa altura do campeonato, a expectativa se tornou a maior vilã do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU, na sigla em inglês). Mais do que Mefisto, Mandarim, Gorr e agora Kang, a principal ameaça que ronda os heróis nos cinemas é o monstro que o próprio Marvel Studios criou — e que simplesmente engole Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania.

Porém, até que ponto é justo colocar toda essa cobrança em cima de um filme do Homem-Formiga? Ok, o longa dá início à Fase 5 do MCU e introduz o grande vilão de toda a Saga do Multiverso, mas ainda estamos falando do Homem-Formiga, um personagem que nunca entregou nada além de aventuras nível Sessão da Tarde.

Para ser honesto, já é um evento digno de nota estarmos no terceiro filme do herói e é evidente que ele não tem estofo para ser esse grande momento que o público tanto espera. E o resultado é uma coisa mediana que, embora não seja desastroso como muita gente pintou, também é incapaz de entregar tudo aquilo que prometeu ou se propôs a mostrar.

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Seja por excesso de confiança da Marvel ou por uma expectativa exagerada dos fãs, a verdade é que Quantumania é um filme inofensivo. Não atrapalha o andamento da grande narrativa, mas também não empolga, ficando paralisado nas próprias limitações.

De paraquedas e com má vontade

Conceitualmente, introduzir Kang, o Conquistador (Jonathan Majors) em uma história do Homem-Formiga faz todo o sentido. Afinal, foi ali que ouvimos falar sobre o Reino Quântico e a possibilidade de viagem no tempo — caminhos que levam para essa ameaça do multiverso. Só que essa é uma responsabilidade que parece não caber no filme.

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Esse problema se reflete no próprio roteiro. Scott Lang (Paul Rudd), assim como o próprio longa, cai de paraquedas em uma história na qual não tinha nada a ver. Ele está seguindo sua vida quando é engolido por um portal e precisa resolver um conflito que, até então, não o afetava em nada.

É algo tão jogado que parece uma alegoria proposital sobre o dilema de Quantumania dentro da Saga do Multiverso. Era para este ser apenas mais um filme bobinho do Homem-Formiga para nos fazer rir, mas que ganhou uma importância para a qual não estava preparado e com a qual não sabe lidar.

E, assim como Scott sai do nada em direção a lugar algum, ele também anda em círculos com um roteiro que não empolga. A ideia de levar o herói e toda sua família para o Reino Quântico é interessante, mas a execução não é lá muito criativa, sendo uma mistura de Perdidos no Espaço com tramas de antigas ficções-científicas pulp que parece não sair do lugar.

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O principal ponto é que, por trás dessa trama mequetrefe de povos vivendo sob a tirania de um ditador que já vimos infinitas vezes, não há um arco claro para o protagonista e nem para os coadjuvantes. No máximo, Cassie (Kathryn Newton) tenta lembrar seu pai que ser um herói é ajudar as pessoas e não viver de glórias, mas é algo tão bobinho que quase passa despercebido.

Essa falta de uma força real que mova os personagens faz com que as mais de duas horas de filme sejam resumidas a um longo episódio de Caverna do Dragão, com um bando de forasteiros correndo querendo voltar para casa enquanto lidam com um exército do mal ou monstros estranhos daquela terra bizarra.

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O real propósito de Quantumania

É evidente que Quantumania existe apenas para apresentar Kang. E faz por merecer, já que é a melhor coisa de todo o filme — o que, para ser sincero, não quer dizer muita coisa.

Ele é ameaçador e mostra bem por que é o vilão que todos parecem temer, deixando claro o nível de poder capaz de parar os Vingadores, como já fez em outras realidade. Tanto que as cenas em que ele vai para a ação são genuinamente boas, seja usando suas habilidades como na franca trocação de soco.

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Só que nem mesmo a boa atuação de Jonathan Majors segura um roteiro que parece não estar disposto a entregar nada além do feijão com arroz que sempre marcou os filmes do Homem-Formiga. Ele impõe uma presença e tem bons momentos, mas nada no seu entorno colabora e até mesmo esse lampejo se ofusca.

Acomodado e inofensivo

E esse é o grande problema de Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania. Ele é como aquele aluno que está satisfeito com uma nota 7 e que se esforça o mínimo possível para ficar nessa média. Assim, justamente por ser um filme de um herói que ninguém nunca levou a série e cuja fórmula mais bobinha funcionou bem até agora, parece não estar disposto a ser algo além disso — quase como se não quisesse ser notado.

O problema é que a Marvel propôs algo maior do que isso e a expectativa do público é que tivéssemos algo digno de um início de Fase 5. E essa importância claramente não cabe em um roteiro que faz questão de ser pequeno e simples. Não é ruim, mas incomoda ao vê-lo acomodado em sua própria pequenez. No fim, não fede e nem cheira, apenas existe. Apesar de todas as promessas de Kang, Quantumania é apenas inofensivo

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O problema é que, nesse ínterim, ele também abre mão do próprio coração, que era o que fazia com que os filmes anteriores funcionassem apesar de suas limitações. A relação de Scott com sua filha e os próprios aprendizados do herói e de seus aliados era o que segurava a trama, o que não acontece por aqui. Para fazer caber todo esse fardo da Saga do Multiverso e se tornar algo grandioso, ele abriu mão da única coisa que realmente funcionava de verdade.

O maior erro foi acreditar que Homem-Formiga poderia ser maior do que ele realmente é. Um erro do público e principalmente da Marvel.

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