Critica | A Princesa e a Plebeia 2 mostra versatilidade de Vanessa Hudgens

Por Beatriz Vaccari | 23 de Novembro de 2020 às 08h40
Divulgação / Netflix

Histórias que oferecem gêmeos protagonistas ou personagens trocando de lugar costumam atrair o público pelas diversas situações cômicas que eles podem ser colocados, como o clássico adolescente Sexta-feira Muito Louca (2003) com Lindsay Lohan e Jamie Lee Curtis, ou até mesmo o remake de Operação Cupido (1998), protagonizado por Lohan quando criança em dose dupla, o que torna o filme muito mais interessante pela trabalhosa missão da atriz personificar mais de uma pessoa na tela. É válido dizer que a maior referência desse tipo de trama, atualmente, é a premiada série Orphan Black, em que Tatiana Maslany interpretou tantas personagens diferentes que os fãs já perderam as contas, mas que impressionou o público tanto pela versatilidade da atriz quanto pelo duro trabalho do figurino e maquiagem da série, que foi transmitida durante cinco anos.

Quando A Princesa e a Plebeia chegou à Netflix em 2018, o sucesso foi quase instantâneo. Embora a tradução do título não faça jus à trama do primeiro filme (The Princess Switch, na linguagem oficial), a recepção tanto do público quanto da crítica foi positiva por renovar uma fórmula já conhecida e de sucesso, além de agradar o suficiente para gerar lealdade que justificasse a produção da sequência A Princesa e a Plebeia - Nova Aventura, que estreou no catálogo do streaming na última quinta-feira (19).

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A escolha de Vanessa Hudgens para estrelar o primeiro filme foi não só certeira como puramente comercial. A atriz já é um rosto familiar para o público infanto-juvenil por interpretar a adolescente Gabriella Montez na franquia High School Musical da Disney, mas, ao trazer seu conhecido carisma para o elenco, a Netflix adicionava o elemento decisivo para a comédia natalina.

A Princesa e a Plebeia chegou ao catálogo da Netflix em 2018 (Imagem: Divulgação / Netflix)

No primeiro longa, o espectador é apresentado a Stacy De Novo e Margaret Delacourt, duas personagens cujas personalidades são o oposto uma da outra, além de seus status social serem bem distintos. Stacy é uma confeiteira estadunidense que se mergulhou na rotina de trabalho para tentar superar sua última frustração amorosa, enquanto Margaret é uma duquesa prestes a se tornar princesa num casamento arranjado com o príncipe Edward (Sam Palladio). Ao partir para o distrito de Belgravia, em Londres, para participar de uma competição de confeitaria, Stacy acaba esbarrando com sua sósia, que tem a ideia das duas trocarem de lugar para provar da vida cotidiana antes de tornar-se membro da Realeza.

Por mais que não entregue tantas novidades, A Princesa e a Plebeia entregou romance e humor somados à estética natalina e de conto de fadas na medida certa, sendo uma boa pedida para os fãs de produções do gênero e agradando parte da crítica especializada, que rendeu 75% de aprovação no Rotten Tomatoes naquele ano. A entrega de Vanessa Hudgens acaba se repetindo no segundo capítulo, que, desta vez, conta com não só duas, mas três personagens interpretadas pela atriz.

Atenção! A partir daqui o texto contém spoilers do filme A Princesa e a Plebeia - Nova Aventura. Leia por sua conta e risco.

Stacy e Margaret estão de volta na sequência A Princesa e a Plebeia - Nova Aventura (Imagem: Divulgação / Netflix)

A diferença do primeiro e do segundo capítulo é que, em A Princesa e a Plebeia, nenhuma das duas personagens de Hudgens se enquadrava num papel de antagonista. O enredo e o decorrer da história contribuíam para que Stacy e Margaret apenas cumprissem a missão de ajudarem uma a outra a manterem seus disfarces e chegarem nos minutos finais com lições aprendidas e seus determinados príncipes encantados.

Em Nova Aventura, o público é apresentado à Lady Fiona, uma aristocrata falida, mimada e prima de Margaret — que está prestes a se coroada Rainha de Montenaro após a morte do Rei, o que a levou a desmanchar o relacionamento com Kevin (Nick Sagar) para cumprir suas obrigações Reais. A inconsequente e festeira personagem faz Vanessa Hudgens usar uma longa peruca loira, além de usar e abusar das caras e bocas, muito diferente das outras duas personagens introduzidas no primeiro filme.

A Lady Fiona de Vanessa Hudgens é a grande novidade da sequência da comédia natalina (Imagem: Divulgação / Netflix)

Não demora muito para a sequência repetir a fórmula do longa anterior: ao se ver com a agenda lotada de compromissos de uma futura Rainha, Margaret e Stacy resolvem trocar de lugar novamente para dar tempo da sósia britânica resolver os assuntos inacabados com Kevin, que também não superou o sofrido término. Enquanto isso, a ex-confeiteira dá vida novamente à dupla, mas deixa seu casamento com o Príncipe Edward cada vez mais em segundo plano, fazendo o marido pensar que Stacy está, de alguma forma, arrependida ou cansada do relacionamento.

A partir daí, Nova Aventura acaba virando uma bagunça com diversos arcos escapando pelas bordas, que devem ser resolvidos com um passe de mágica dentro dos 95 minutos de duração. Por mais que a história possa agradar aos fãs do primeiro filme, o mérito de cativar o espectador do início ao fim é todo de Vanessa Hudgens, que se entrega inteiramente a cada uma de suas personagens com diferentes sotaques, personalidades e expressões — desde a humilde Stacy, à corretinha Margaret e à caricata e exagerada Fiona, divertindo-se durante todo o longa. Não é à toa, já que a atriz também entrou como produtora do projeto.

A sequência falha com a resolução do excesso de arcos coadjuvantes, como o relacionamento de Stacy e Edward (Imagem: Divulgação / Netflix)

A Princesa e a Plebeia 2 não é totalmente dispensável, mas pode frustrar algumas expectativas, principalmente de quem assistirá um filme atrás do outro. O roteiro bebe muito da água do primeiro, mas não traz o mesmo humor ou desenvolvimento dos personagens, dando aquela sensação de que a última meia hora foi filmada e produzida às pressas — do mesmo jeito que o casal Margaret e Kevin resolvem se casar num aeroporto em uma das cenas finais.

O filme pode agradar aos assinantes da plataforma que maratonam todos os títulos natalinos do catálogo, mas pode entregar diversos clichês e resolver os mais complicados dos problemas como um simples milagre de Natal — mas ainda assim oferecer o bom e velho final feliz de conto de fadas nada verossímil que insistimos em assistir repetidas vezes, como um simples prazer culposo.

Com a duração mais curta do que o primeiro, Nova Aventura serve como um simples prazer culposo dos fãs de romances natalinos (Imagem: Divulgação / Netflix)

Estrelado por Vanessa Hudgens, Sam Palladio, Mark Fleischmann, Mia Lloyd, Nick Sagar, Suanne Braun, Lachlan Nieboer e Florence Hall, A Princesa e a Plebeia - Nova Aventura já está disponível na Netflix.

*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Canaltech

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