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Vende-se um Ceratossauro! Leilão milionário de fóssil preocupa paleontólogos

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Matthew Sherman/Sotheby's/Divulgação
Matthew Sherman/Sotheby's/Divulgação

A Sotheby’s vai leiloar, no próximo dia 16 de julho, o fóssil de um ceratossauro, predador de 150 milhões de anos com o crânio completo e outras características marcantes. A casa de leilões estimou o valor dos restos entre US$ 4 milhões (cerca de R$ 22 mi) e US$ 6 milhões (cerca de R$ 33 mi). Com o anúncio, paleontólogos comerciais e acadêmicos expressaram preocupação de que leilões multimilionários como esses distorçam a percepção e o mercado de fósseis.

Há um ano, foi leiloado o estegossauro Apex, por US$ 45 milhões (cerca de R$ 248 mi), se tornando o fóssil mais caro do mundo. Segundo paleontólogos que trabalham com pesquisa, isso pode aumentar os preços das escavações, o que já impacta negativamente pesquisadores e inviabiliza estudos, enquanto paleontólogos comerciais temem que a especulação leve a uma percepção errada do real valor das peças.

Leilão de dinossauros e a paleontologia

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Segundo a Sotheby’s, vendas como a do ceratossauro atraem o interesse de possíveis doadores e filantropia no campo da paleontologia. Há argumentos de que o financiamento de escavações fica mais atrativo para investidores, que desejam lucrar com a venda dos fósseis em leilões. Por outro lado, o preço de arrendamento de terrenos para busca dos restos de dinossauros tem aumentado com a popularização dos leilões, prejudicando pesquisadores.

O fóssil de ceratossauro em questão foi descoberto em 1996, na Pedreira de Bone Cabin, nos Estados Unidos. Quarto esqueleto da espécie encontrado na história, é o único juvenil, com 3 metros de comprimento e 57 ossos do crânio, descritos como “finos como papel”. Ele foi comprado pelo Museu da Vida Antiga, do estado de Utah, e vendido em seguida para a empresa de paleontologia comercial Fossilogic, fundada por um ex-funcionário do museu.

Como o Museu da Vida Antiga não tinha certificação como repositório público de paleontologia, o fóssil nunca havia sido descrito ou estudado completamente. Na Fossilogic, ele foi reconstruído digitalmente e impressões 3D foram usadas para completar a montagem do esqueleto completo.

Casos como esse e o de Apex elevaram o padrão de documentação dos dinossauros vendidos, evitando a origem duvidosa de itens de leilão. Ainda assim, instituições como a Sociedade de Paleontologia de Vertebrados se opõe à prática de leilão por retirar dinossauros do domínio público e da comunidade científica para fins lucrativos.

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Fonte: The New York Times, Society of Vertebrate Paleontology