Tubarões brancos podem ter contribuído para extinção dos megalodons, diz estudo

Tubarões brancos podem ter contribuído para extinção dos megalodons, diz estudo

Por Augusto Dala Costa | Editado por Luciana Zaramela | 02 de Junho de 2022 às 09h40
Spotty11222/Domínio Público

Ao analisar amostras de dentes fósseis de megalodons, cientistas descobriram a dieta dos gigantescos tubarões — e concluíram que os tubarões brancos tiveram um papel na sua extinção através da competição por comida. A descoberta foi feita no Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária, na Alemanha, e publicada na revista científica Nature Communications.

Para a pesquisa, foi utilizado um novo método de análise fóssil, que analisa os isótopos de zinco da parte mineralizada dos dentes, já que a má preservação do material orgânico em fósseis de milhões de anos complica a análise por métodos comuns. Odotus megalodon, a espécie estudada, viveu entre 23 e 3,6 milhões de anos atrás, chegando a estimados 20 metros de comprimento nos oceanos antigos da Terra.

Dente de um megalodon em comparação com o dente de um grande tubarão branco (Imagem: MPI for Evolutionary Anthropology)
Dente de um megalodon em comparação com o dente de um grande tubarão branco (Imagem: MPI for Evolutionary Anthropology)

Dentistas da arqueologia

A análise dos pesquisadores envolveu a razão dos isótopos estáveis de zinco presentes em dentes de tubarões fossilizados e modernos, tanto dos megalodons quanto dos tubarões brancos — tanto atuais quanto alguns fósseis da espécie. Assim, foi possível investigar o nível trópico dos animais, ou seja, a posição que ocupam ou ocupavam na cadeia alimentar.

As amostras foram coletadas do esmalte dental dos tubarões, uma parte altamente mineralizada e, portanto, mais preservada. Normalmente, análises como essa seriam feitas nos isótopos de nitrogênio do colágeno dos dentes, a parte orgânica da dentina, usada para avaliar a matéria consumida pelo animal. Pela idade dos fósseis, no entanto, não seria possível obter material orgânico suficiente.

Os espécimes analisados eram do Mioceno (20,4 a 16 milhões de anos atrás), início do Plioceno (5,3 a 3,6 milhões de anos) e tempos atuais. Nos tubarões brancos atuais e fossilizados, a assinatura de zinco se manteve estável, o que aumentou a confiança dos cientistas na análise dos extintos megalodons. Estes, então, foram analisados, incluindo espécies mais antigas do megatubarão, como o Odotus chubutensis.

Jeremy McCormack, autor principal do estudo, isola zinco de um dente de tubarão (Imagem: MPI for Evolutionary Anthropology)
Jeremy McCormack, autor principal do estudo, isola zinco de um dente de tubarão (Imagem: MPI for Evolutionary Anthropology)

Os resultados mostraram que tanto o megalodon quanto seu ancestral eram de fato superpredadores, ou seja, estavam no topo de suas cadeias alimentares: mas a parte mais importante é que, nas análises de tubarões brancos do início do Plioceno, surgiu uma sobreposição dos níveis trópicos da espécie com os megalodons. Em outras palavras, eles predavam os mesmos animais e provavelmente competiam por comida.

A comparação é curiosa ao considerarmos o tamanho das espécies: tubarões brancos modernos chegam a ter até 6 metros de comprimento, enquanto o megalodon pode ter chegado a 20 metros, sem, no entanto, estar mais alto do que o parente menor na cadeia alimentar. Os cientistas planejam investigar o caso mais a fundo, mas a hipótese de que a extinção dos tubarões gigantes foi em partes pela competição dietária segue forte.

Além disso, o novo método de análise pelo isótopo de zinco oferece uma nova oportunidade de estudo do passado, tornando possível a análise de mais fósseis sem a dependência de matéria orgânica muitas vezes já inexistente. Temos mais maneiras de investigar a dieta e ecologia trópica de espécies extintas há milhões de anos — e, por que não, de nossos próprios ancestrais.

Fonte: Nature Communications

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