Teste de arma atômica feito nos anos 1940 criou um raro tipo de cristal

Teste de arma atômica feito nos anos 1940 criou um raro tipo de cristal

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 19 de Maio de 2021 às 19h30
US Air Force/US Army

Há 76 anos, o deserto de Alamogordo, no Novo México, foi bombardeado pela primeira detonação de um dispositivo nuclear durante o teste. A explosão liberou tanta energia, que foi capaz de mudar a composição dos materiais encontrados naquela região, ao ponto de forjar um elemento radioativo que, até então, só tinha sido encontrado em meteoritos ou criados em laboratório: uma forma muito incomum de um cristal chamado icosaedrito.

Ao que tudo indica, este material foi criado diante da exposição ao calor e pressão intensas durante a primeira detonação da bomba, chamada de teste Trinity, que transformou a areia abaixo em vidro, assim como outros materiais, incluindo o metal da torre de suporte e o cobre dos fios de transmissão conectados com os instrumentos do teste. Todos esses elementos se juntaram e deram origem a um mineral chamado trinitita, um resíduo vítreo normalmente esverdeado deixado após a explosão e que é ligeiramente tóxico — em longas exposições, pode causar queimaduras.

Trinitita vermelha após o teste da bomba atômica, no Novo México (Imagem: Reprodução/Luca Bindi/Paul J. Steinhardt.)

Uma forma ainda mais rara de trinitita vermelha foi encontrada após a explosão no Novo México, talvez por conta dos fios de cobre que foram derretidos neste processo, fundindo-se ao mineral. O que chama a atenção dos pesquisadores é que, em análise de uma amostra de 10 microgramas, eles perceberam a estrutura cristalina que possuía uma simetria quíntupla — o que é extremamente difícil de ser encontrado na natureza.

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Este cristal foi encontrado naturalmente pela primeira vez em um meteorito da Rússia, chamado de Khatyrka. Na ocasião, o astrônomo Phil Plait explicou que: “ao longo dos anos, os cristalógrafos descobriram que existem quatro tipos de simetrias que os cristais naturais podem ter: dupla, tripla, quádrupla e sêxtupla”. Por ser extremamente raro, difícil de produzir e encontrar, qualquer estudo sobre esta estrutura quíntupla é válido.

Padrão de difração de raios-x de uma amostra de icosaedrito encontrado no meteorito, revelando uma simetria quíntupla em sua estrutura (Imagem: Reprodução/Asimov et al)

O icosaedrito encontrado no meteorito da Rússia, provavelmente se formou quando um asteroide incomum atingiu outro. O impacto foi tão violento, que gerou altas temperaturas e pressão por um período muito curto de tempo. Já este novo, encontrado no Novo México após a explosão, tem a mesma forma, mas com características químicas diferentes.

Fonte: Bad Astronomy

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