Supervermes devoradores de plástico podem ajudar com reciclagem eficiente

Supervermes devoradores de plástico podem ajudar com reciclagem eficiente

Por Augusto Dala Costa | Editado por Luciana Zaramela | 14 de Junho de 2022 às 12h10
University of Queensland/Divulgação

Larvas que comem Isopor podem ser a solução para nos livrarmos de plástico difícil de se reciclar, segundo cientistas. O poliestireno, uma das formas mais comuns de plástico, está por todos os lados, como em embalagens, talheres e pratos descartáveis, capas de todos os tipos. O problema é que ele não é fácil de reciclar, acaba enchendo aterros e chega, eventualmente, ao oceano, o poluindo e ameaçando a vida marinha.

Mas a solução pode ser mais natural do que se imaginava: pesquisadores da University of Queensland, na Austrália, descobriram que uma espécie de larva de besouro, o tenébrio gigante (Zophobas morio), gosta bastante de comer a substância plástica, e as enzimas digestivas dos bichos podem ser a resposta para reciclar melhor o poliestireno.

Vermes gigantes que comem poliestireno podem ser a solução para reciclar pelo menos um tipo de plástico (Imagem: IciakPhotos/Envato)
Larvas gigantes que comem poliestireno podem ser a solução para reciclar pelo menos um tipo de plástico (Imagem: IciakPhotos/Envato)

Larvas, plástico e Isopor

Outros estudos, como um publicado na revista científica Microbial Genomics, já vinham investigando traças-da-cera e larvas-da-farinha, que também mostram uma predileção por plástico. A teoria, então, é de que larvas maiores poderiam comer ainda mais do material. O tenébrio gigante chega a ter 5 centímetros de comprimento e é criado como alimento para répteis e pássaros — e em alguns lugares, como Tailândia e México, também para humanos.

Os mesmos cientistas, então, alimentaram os tenébrios com dietas diferentes por três semanas: alguns comeram espuma de poliestireno, mais conhecida como Isopor, outros comeram farelo de aveia, e um terceiro grupo não foi alimentado. Descobriram que os bichos podem, sim, viver só de isopor — e até mesmo ganhar peso com isso, comparado com o grupo que não comeu —, então há como ganhar energia do material.

Os tenébrios conseguiram cumprir o ciclo de vida com a alimentação plástica, virando besouros, mas perderam diversidade microbial nos intestinos e patógenos potenciais. Apesar de sobreviverem, a dieta não é nutritiva e impacta na saúde. Em seguida, a pesquisa analisou as colônias bacterianas dos vermes por metagenômica para descobrir quais enzimas estariam envolvidas na degradação do plástico.

O tenébrio gigante, verme que dá origem a besouros, é o responsável por digerir isopor (Imagem: University of Queensland/Divulgação)
O tenébrio gigante, larva que dá origem a besouros, é o responsável por digerir Isopor (Imagem: University of Queensland/Divulgação)

As ideias para o uso da descoberta incluem adicionar restos de comida ou bioprodutos da agricultura junto ao poliestireno, reduzindo o impacto na dieta dos tenébrios. Para o futuro, no entanto, a ideia é criar centros de reciclagem que imitem o comportamento das larvas, triturando o plástico primeiro e então o digerindo com enzimas bacterianas, tirando os bichos na equação no fim das contas.

Agora, o foco das pesquisas está em encontrar as enzimas mais eficientes, e as modificando para que fiquem melhores ainda. O resultado dos produtos da reação digestiva pode, no final, ser dado a outros micróbios para criar compostos valiosos, como bioplásticos, o que dá conta do ciclo de reciclagem.

Fonte: Microbial Genomics 1, 2

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