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Stratolaunch, avião com maior envergadura do mundo, faz seu primeiro voo

Por Felipe Ribeiro | 15 de Abril de 2019 às 12h23
Stratolaunch

Vivo estivesse, Paul Allen, cofundador da Microsoft, estaria muito contente e satisfeito. O Stratolaunch, a enorme aeronave sonhada por ele, voou pela primeira vez no sábado (13), tornando-se o avião de maior envergadura a levantar voo. Maior que o Spruce Goose de Howard Hughes — que voou apenas uma vez, em 1947 —, o Stratolaunch decolou do Mojave Air and Space Port, no deserto da Califórnia, e ficou no ar por duas horas e meia, atingindo uma altitude de 17.000 pés (5.181 metros) e uma velocidade máxima de 304 km/h.

O avião é um gigante com uma fuselagem dupla, 28 rodas, seis motores que normalmente equipam um Boeing 747 e uma envergadura maior do que um campo de futebol. "Finalmente conseguimos", disse Jean Floyd, executivo-chefe da Stratolaunch, em uma teleconferência com repórteres. Ele disse que foi inspirador "ver o sonho de Paul Allen ganhar vida".

Mas Allen, o bilionário cofundador da Microsoft falecido em outubro, deixou em dúvida o futuro do avião e a empresa por trás dele. Os funcionários não responderam às perguntas dos repórteres e não abordaram o futuro do empreendimento durante a conferência. Desde a morte de Allen, a empresa reduziu drasticamente as operações e demitiu dezenas de funcionários.

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Desde o começo, o sonho de Allen era usar o avião para ajudar a tornar o acesso dos satélites e, possivelmente, das pessoas, no espaço mais acessíveis. Construída pela Scaled Composites, uma subsidiária da Northrop Grumman, o Stratolaunch foi projetado para transportar até três foguetes presos à sua barriga nos céus; os foguetes então cairiam, incendiariam e disparariam para o espaço com suas cargas úteis. Allen, que era um notório do espaço durante grande parte de sua vida, financiou o desenvolvimento inicial desse projeto, que ganhou o prêmio Ansari X de US$ 10 milhões (R$ 38,8 milhões) em 2004.

À época, Allen estava fascinado com as capacidades dos pequenos satélites, como eles poderiam ajudar a manter o controle sobre o meio ambiente da Terra, e pensava que os foguetes "lançadores aéreos", como o processo é comumente chamado, poderiam ajudar a inaugurar uma nova era de voos espaciais.

"As capacidades desses pequenos satélites são algo realmente interessante e fascinante", disse ele. "Tanto para comunicações, para as quais muitas pessoas estão montando constelações de satélites, como para monitorar a saúde desafiada do planeta", complementou.

Ao lançar foguetes da barriga de um avião, em vez de verticalmente a partir de um local de lançamento, a empresa esperava reduzir o custo das missões espaciais. É também o modelo usado pela Virgin Galactic, de Richard Branson, que desenvolveu um avião espacial capaz de levar as pessoas ao limite do espaço. A Virgin Orbit, outro empreendimento apoiado por Branson, também está trabalhando para lançar foguetes de um avião.

A Stratolaunch, inclusive, estava até pensando em voos espaciais tripulados e tinha planos preliminares para desenvolver um miniônibus espacial chamado "Black Ice". Mas, por enquanto, todos esses planos parecem estar stand by.

O Pentágono, que está procurando se tornar mais responsivo no espaço, também se interessou pelo Stratlolaunch. A secretária da Força Aérea, Heather Wilson, visitou o avião, assim como o vice-presidente dos Estados Unidos, Michael Pence, que também é chefe do Conselho Nacional do Espaço.

A empresa fundada por Paul Allen não tem previsão de fazer um novo voo da mega-aeronave.

Fonte: Washington Post

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