"Sol artificial" da China quebra mais um recorde mundial

"Sol artificial" da China quebra mais um recorde mundial

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 06 de Janeiro de 2022 às 12h57
Wikimedia Commons

O reator de fusão nuclear da China acaba de estabelecer um novo recorde mundial de confinamento de plasma. De acordo com o comunicado do Instituto de Física de Plasma da Academia Chinesa de Ciências, o reator conseguiu manter a temperatura de 120 milhões de graus Celsius durante 1.056 segundos.

Esse resultado é muito superior ao recorde chinês estabelecido há apenas sete meses, quando o tokamak manteve essa temperatura durante 101 segundos. Também foi a quebra do recorde mundial de 2003, quando a França conseguiu confinar o plasma por 390 segundos.

Reatores de fusão nuclear

A fusão nuclear é o processo que mantém estrelas “acesas” durante milhões ou bilhões de anos. Nosso Sol, por exemplo, funde quatro átomos de hidrogênio para formar átomos de hélio há mais de 4 bilhões de anos. Como o hélio é mais leve que o hidrogênio usado para criá-lo, a massa perdida durante a fusão é transformada em calor.

Para isso funcionar, as estrelas precisam de duas coisas: alta pressão e alta temperatura. Combinados, esses fatores são o suficiente para esmagar os átomos de hidrogênio, e é nesse modelo que os cientistas se basearam para criar os reatores de fusão nuclear aqui na Terra.

(Imagem: Reprodução/Wikimeia Commons)

O ASIPP utiliza um tipo de reator chamado tokamak, que consiste em um dispositivo na forma de um toro (o famoso formato de rosquinha). Além de aquecer a temperaturas equivalentes à do Sol, o tokamak precisa controlar e conter o plasma sem que ele se espalhe pelo interior do toro.

Para controlar e evitar a perda do calor, o tokamak conta com eletromagnetismo. Para manter tudo isso funcionando, é necessário usar muita energia — mais do que a energia gerada pela fusão nuclear. Por isso, os cientistas trabalham para que a energia resultante supere a energia consumida pelo reator.

A temperatura atingida pelo tokamak chinês, o Tokomak Supercondutor Avançado Experimental (EAST), supera o calor de uma estrela pequena — o núcleo do Sol, por exemplo, tem 15 milhões de graus Celsius. Esse calor extra no tokamak compensa a pressão inferior à de uma estrela.

O objetivo final é criar fusão nuclear usando deutério, um isótopo do hidrogênio abundante no mar, para fornecer um fluxo constante de energia limpa. Esse elemento é quase ilimitado na Terra, por isso os cientistas consideram a fusão como uma forma de produção de energia definitiva e ideal — e segura — para o futuro da humanidade.

Fonte: Institute of Plasma Physics Chinese Academy of Sciences; via: ScienceAlert

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