"Sol artificial" da China quebra recorde e chega a 160 milhões de graus Celsius

"Sol artificial" da China quebra recorde e chega a 160 milhões de graus Celsius

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 31 de Maio de 2021 às 16h40
Reprodução/MA QIBING/XINHUA

A China quebrou um novo recorde com o reator nuclear Experimental Advanced Superconducting Tokamak (EAST): o plasma no interior do equipamento alcançou a temperatura de 120.000.000 ºC (sim, 120 milhões de graus Celsius) durante 101 segundos, e depois chegou a 160.000.000 ºC, temperatura que foi mantida durante 20 segundos. A conquista quebrou o recorde anterior, no qual o dispositivo manteve a temperatura de 100 milhões de graus Celsius por 100 segundos.

Segundo Li Miao, diretor do departamento de física da Southern University of Science and Technology, esta é uma conquista importante para a equipe conseguir manter a estabilidade da temperatura por longos períodos em experimentos futuros: "este recorde é um progresso significativo", disse, comentando também que o próximo passo pode ser manter essa temperatura em estabilidade por uma semana ou mais.

Imagem térmica do interior do reator (Imagem: Reprodução/Xinhua)

Para entender a dimensão do feito, considere que os cientistas estimam hoje que a temperatura no núcleo do Sol é de 15 milhões de graus Celsius. Então, fazer com que o plasma vá além dos 100.000.000 ºC é um dos maiores desafios da fusão nuclear atualmente — a Coreia do Sul, por exemplo, conseguiu isso durante 20 segundos no ano passado. Apesar de desafiadora, Lin Boqiang, diretor do China Center for Energy Economics Research, explica que a energia gerada a partir da fusão nuclear é a mais confiável e limpa. 

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Para ele, esta tecnologia pode trazer grandes benefícios econômicos se for aplicada, mas ressaltou também que o EAST ainda está na etapa experimental, e que ainda devem ser necessários mais 30 anos para que um sistema do tipo possa ser usado fora dos laboratórios: "é mais como uma tecnologia futura que será crítica para o esforço de desenvolvimento verde da China", explicou.

O reator HL-2M Tokamak fica no Hefei Institutes of Physical Science, da Academia Chinesa de Ciências. O dispositivo foi criado para imitar o processo de reação nuclear que acontece no Sol e em outras estrelas a partir de reações com hidrogênio e deutério e, assim, o Tokamak gera energia limpa quase infinita a partir da fusão nuclear controlada, que pode chegar a aproximadamente dez vezes a temperatura do Sol — por isso, recebeu o apelido de “Sol artificial”. 

Em testes anteriores, a fusão do reator alcançou temperatura três vezes acima daquela no interior do Sol durante 102 segundos; já no ano passado, o "Sol artificial" chegou aos 150 milhões de graus Celsius, ou seja, dez vezes acima da temperatura da nossa estrela. O EAST é um projeto científico global, realizado em colaboração com a União Europeia, Índia, Japão, Coreia do Sul, Rússia e EUA.

Fonte: Global Times

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