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Poderiam os dinossauros sobreviver ao mundo de hoje, como em Jurassic World?

Por| Editado por Luciana Zaramela | 08 de Junho de 2022 às 18h30

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Universal Pictures
Universal Pictures

No novo filme da franquia Jurassic World, vemos um mundo onde os dinossauros não estão mais confinados a um parque, mas sim se reintegrando ao meio-ambiente, coexistindo com a vida selvagem dos dias atuais. De velociraptors caçando nas florestas a fazendeiros pastoreando parassaurolofos como gado, eles parecem estar se dando bem. Mas será que isso é factível?

O impacto de tantas espécies sendo reintroduzidas a um mundo completamente diferente, milhões de anos depois e em um ecossistema despreparado certamente teria muitos impactos. Paleontólogos como Steve Brusatte, da University of Edinburgh, dão seu parecer na questão — e mostram as diferenças entre nosso mundo e o dos gigantes do passado.

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Quem é o extinto agora?

Colocar um tiranossauro rex de volta na natureza seria, muito provavelmente, catastrófico. Casos de superpredadores sendo introduzidos a ecossistemas estranhos já foram vistos em nosso mundo: quando ingleses aportaram em diversas ilhas trazendo seus gatos, como as Galápagos, os animais extinguiram espécies de pássaro como os Dodôs. No caso de uma criatura com o porte de um T. rex, o caos seria ainda maior — extinguindo alguns mamíferos, pelo menos.

E não só de carnívoros vivem as conjecturas. Herbívoros enormes como brontossauros também impactariam o ecossistema: para garantir as calorias necessárias para seus corpos massivos, esses dinos provavelmente devastariam colheitas e plantas selvagens de importância medicinal, já que estimativas conservadoras apontam centenas de quilos de folhas e galhos sendo comidos por esses saurópodes todos os dias.

O estranhamento não ficaria apenas no nosso ecossistema, mas também em seus novos habitantes. Dinos herbívoros ou onívoros como brontossauros, diplodocos e braquiossauros viveram no período Jurássico, quando não havia flores e nem frutas — elas apareceram apenas no início do Cretáceo.

A grande maioria dos dinossauros nunca viu uma flor, alimentando-se apenas de folhas. O impacto de uma dieta totalmente diferente é desconhecido, mas deixa a questão: será que eles conseguiriam comer os alimentos disponíveis na natureza hoje em dia? Os efeitos poderiam ir de uma má digestão ao envenenamento sério de seus organismos.

Há, também, a questão do clima. Apenas recentemente descobrimos de forma mais definitiva qual era temperatura corporal dos dinossauros — alguns de sangue quente, outros de sangue frio —, mas já sabemos há tempos que a temperatura no Jurássico era bem mais alta.

Os dinos de sangue quente se dariam bem em nosso ambiente, como os mamíferos, mas os de sangue frio teriam certa dificuldade: não se vê crocodilos em lugares mais frios, como no Reino Unido, por exemplo. Isso limita bastante os locais que os grandes répteis poderiam habitar atualmente.

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E a convivência com... humanos?

Apesar disso, os paleontólogos acreditam que os dinossauros poderiam acabar se adaptando ao mundo natural apenas com uma perda ou outra: eles estiveram no mundo por milhões de anos, afinal de contas, sendo extintos apenas com a chegada de um meteoro. Outro risco, na verdade, é apontado para eles: nós, os humanos.

Talvez pudéssemos nos acostumar com os herbívoros jurássicos, mas grandes carnívoros, como o T. rex, seriam quase certamente caçados à extinção. Não seria a primeira vez que isso acontece, e, com nossas armas e habilidades de caça, a coexistência com predadores enormes seria muito improvável.

Fonte: Science Focus